Estrategista da campanha de George W. Bush diz que eleição ‘não será revertida'

Para Karl Rove, Donald Trump precisaria ‘comprovar fraude sistêmica, com dezenas de milhares de votos ilegais’, e ‘não há evidência disso até agora’

Paul LeBlanc, da CNN
12 de novembro de 2020 às 08:59 | Atualizado 12 de novembro de 2020 às 09:02
O atual presidente dos EUA, Donald Trump
O atual presidente dos EUA, Donald Trump
Foto: Carlos Barria - 11.nov.2020 / Reuters

Karl Rove, estrategista de campanha do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, afirmou nessa quarta-feira (11) que as eleições de 2020 não serão revertidas, independentemente da enxurrada de processos judiciais de Donald Trump contestando os resultados.

Rove – o qual fontes dizem que aconselhou a Casa Branca e a campanha de Trump neste ano – escreveu em um artigo para o jornal Wall Street Journal que, apesar de o presidente estar no direito de contestar os resultados, os esforços dele “são improváveis de tirar um estado sequer de [Joe] Biden, e certamente não são o suficiente para mudar o resultado final”.

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Para isso, segundo Rove, Trump precisaria “comprovar fraude sistêmica, com dezenas de milhares de votos ilegais. Não há evidência disso até agora. A menos que alguma apareça rapidamente, as chances do presidente na corte vão diminuir rapidamente quando os estados começarem a certificar os resultados”.

“Encerrar esta eleição será um passo difícil, mas necessário, em direção à restauração da unidade e do equilíbrio político”, acrescentou Rove. “Assim que os dias dele no tribunal acabarem, o presidente deve fazer o seu papel de unir o país ao liderar uma transição pacífica e deixar as mágoas de lado.”

O artigo faz de Rove uma das principais figuras do Partido Republicano a encorajar o presidente a aceitar os resultados da eleição. Desde que a CNN e outros veículos deram a disputa vencida por Biden, no sábado (7), Trump se recusa a aceitar os resultados. Em vez disso, fala em conspirações, sem base alguma, para roubar o segundo mandato dele.

Trump busca vencer na Justiça

Na Justiça, os republicanos e a campanha de Trump não apresentaram nenhum tipo de contestação séria legal que possa levar a uma recontagem ou contestações sobre a contagem de votos em número significativo em algum dos estados-chave da Pensilvânia, Michigan, Nevada, Arizona e Geórgia.

Para vencer a eleição nos tribunais, os republicanos e a campanha de Trump teriam que contestar votos suficientes para virar a seu favor um estado onde perderam. “Esse é um ponto que eles ainda não chegaram perto de atingir”, disse Ben Ginsberg, advogado republicano e analista da CNN.

Ainda assim, Trump afirmou nessa terça (10) que vai continuar contestando os resultados por, ao menos, mais uma semana.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)