Em cúpula dos Brics, China critica “abuso” de sanções e Putin critica Ocidente

Xi Jinping pediu que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul assumam responsabilidade conferida por sua influência econômica; presidente russo afirmou que o Ocidente "quer destruir a Rússia"

Líderes dos Brics participam da 14ª cúpula do grupo, nesta quinta-feira (23).
Líderes dos Brics participam da 14ª cúpula do grupo, nesta quinta-feira (23). Reuters

Guy Faulconbridgeda Reuters

em Londres

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O presidente chinês, Xi Jinping, criticou, nesta quinta-feira (23), “o abuso” das sanções internacionais, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, repreendeu o Ocidente por fomentar a crise global, com os dois líderes pedindo maior cooperação dos Brics.

As declarações foram dadas na 14ª cúpula do grupo, iniciada nesta quinta.

Xi pediu que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (os Brics) assumam a responsabilidade conferida por sua influência econômica e disse que deveriam defender um sistema internacional verdadeiramente multinacional baseado nas Nações Unidas.

“Devemos abandonar a mentalidade da Guerra Fria e bloquear o confronto e nos opor a sanções unilaterais – e ao abuso de sanções”, disse Xi à cúpula dos Brics por meio de um tradutor.

“Nossa reunião hoje ocorre em um momento crucial de escolha para o futuro da humanidade. Como principais mercados emergentes e países em desenvolvimento, os países do Brics devem assumir responsabilidade”, disse Xi.

A China tem de longe a maior economia do grupo Brics, respondendo por mais de 70% do poder econômico coletivo de US$ 27,5 trilhões do grupo.

Putin pediu uma cooperação mais forte dos Brics e fez críticas ao Ocidente, o acusando de fomentar uma crise.

“Somente com base em uma cooperação honesta e mutuamente benéfica podemos procurar maneiras de sair da situação de crise que se desenvolveu na economia global devido às ações egoístas e mal consideradas de Estados individuais”, disse Putin.

Ele acusou o Ocidente de “usar mecanismos financeiros” para “desviar seus próprios erros na política macroeconômica para o mundo inteiro”.

Putin disse que as relações com a China são as melhores que já foram e promove uma parceria estratégica com a China destinada a combater a influência dos EUA.

Os Estados Unidos e as potências europeias culpam a decisão de Putin de invadir a Ucrânia como a razão pela qual as relações com o Ocidente caíram para o nível mais baixo desde a crise dos mísseis cubanos de 1962 – incluindo as sanções mais severas da história moderna.

Mas Putin diz que o Ocidente quer destruir a Rússia, que as sanções econômicas são semelhantes a uma declaração de guerra econômica e que a Rússia construirá laços com outras potências como China e Índia.

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