Em tensão com os EUA, Venezuela conta com avançado sistema de defesa aérea
Em caso de conflito, as aeronaves norte-americanas teriam de enfrentar o sistema de defesa aérea venezuelano, equipado quase totalmente com armamento russo

A mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe começou com navios de guerra: destróieres, caças, um submarino e, mais recentemente, um porta-aviões de propulsão nuclear.
Mas, depois, aviões de combate também começaram a chegar à região, onde EUA e Venezuela mantêm uma escalada crescente de tensões.
Washington afirma estar conduzindo uma operação contra cartéis de drogas e acusa Nicolás Maduro de liderar um cartel, enquanto Caracas nega as acusações e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.
Em caso de conflito, as aeronaves norte-americanas teriam de enfrentar o sistema de defesa aérea venezuelano, equipado quase totalmente com armamento russo.
Defesas aéreas da Venezuela
Os caças-bombardeiros bimotores Sukhoi Su-30MK2, fabricados na Rússia, são a face mais visível do sistema de defesa venezuelano e figuram entre as aeronaves mais potentes do continente.
A Venezuela comprou 25 unidades, mas entre acidentes e dificuldades logísticas não está claro quantas ainda estão em operação, segundo relatório da ONG venezuelana Control Ciudadano.
Em setembro, Caracas exibiu um vídeo de um de seus Su-30 do Grupo Aéreo de Caça 13 “Leones”, armado com um míssil antinavio ar-superfície Kh-31 “Krypton”, também de fabricação russa.
Por outro lado, entre seus diversos sistemas antiaéreos de mísseis destacam-se os S-300, Buk e Pechora — todos russos —, projetados para atacar alvos em diferentes altitudes e distâncias, compondo o que as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) chamam de “Defesa Aeroespacial Multicamadas”.
Além disso, a Venezuela afirma possuir 5 mil mísseis portáteis Igla-S — também russos —, operados por uma única pessoa e capazes de abater alvos a baixa altitude e curta distância.
Os S-300VM atualmente em posse da Venezuela têm alcance máximo de 200 quilômetros e altitude máxima de 30 quilômetros.
São os mais potentes do país e podem abater aviões, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos.
Já os Buk-M2E podem atacar alvos a até 40 quilômetros de distância e 25 quilômetros de altitude.
De acordo com imagens de satélite obtidas pela Vantor (empresa aeroespacial anteriormente conhecida como Maxar), dois lançadores Buk foram vistos em meados de outubro na base aérea militar de La Carlota, em Caracas.
Os mais antigos e menos capazes dos sistemas venezuelanos são os S-125 Pechora 2M, com alcance de cerca de 25 a 35 quilômetros e altitude máxima de 18 quilômetros.
Arsenal americano
As primeiras aeronaves a chegar ao Caribe foram os caças furtivos F-35, posicionados em Porto Rico, e os AV-8B Harrier II, que operam a partir do navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima.
Depois, apareceram nos radares civis os bombardeiros B-52 e, em seguida, os B-1, que chegaram a apenas 35 quilômetros da costa da Venezuela em voos a partir do território continental dos EUA.
Quando o porta-aviões de propulsão nuclear USS Gerald Ford chegar ao Caribe vindo da Europa, somará os caças-bombardeiros F/A-18 *Super Hornet* ao teatro de operações, entre outras aeronaves.
Trata-se de uma frota aérea que supera, em qualidade e quantidade, a maioria das Forças Armadas do mundo — e que oferece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma ampla gama de possibilidades caso decida, como já sugeriu, atacar alvos do narcotráfico em território venezuelano, assim como já tem feito com embarcações supostamente carregadas de drogas em águas internacionais.
Diante disso, a Venezuela conta com uma das defesas aéreas mais avançadas da América Latina — ao menos no papel, já que seu estado de operação é incerto, em meio a problemas de manutenção enfrentados pelo país nas últimas décadas.
Primeiro alvo
Esses três sistemas de armas são móveis — ou seja, estão montados em veículos para rápido deslocamento — e superam em capacidade e tecnologia qualquer outro já implantado na América Latina.
Por essa razão, Andrei Serbin Pont, analista especializado em política externa, defesa e segurança, afirmou no início de outubro à CNN que, em caso de conflito, “possivelmente seriam os primeiros alvos a serem neutralizados”.
Afinal, “o controle do espaço aéreo costuma ser uma das primeiras prioridades”, segundo a doutrina de operações da Força Aérea dos Estados Unidos.
O manual destaca, assim, as missões de Supressão das Defesas Aéreas Inimigas (SEAD), bem como ataques a bases aéreas, de mísseis e centros de comando e controle, como prioridades em operações aéreas ofensivas.
Os F-35 posicionados em Porto Rico são especialmente adequados para missões SEAD, segundo o fabricante Lockheed Martin — assim como os F/A-18 que chegarão com o USS *Gerald Ford*.
Os Estados Unidos têm uma longa história na criação de táticas para suprimir defesas aéreas: o primeiro programa surgiu em 1965, durante a Guerra do Vietnã, para neutralizar os mísseis antiaéreos soviéticos utilizados no conflito.


