Emissões anuais da China superam as de todas as nações desenvolvidas

Segundo pesquisadores, as emissões globais atingiram 52 gigatoneladas de CO2 em 2019, um aumento de 11,4% na última década

Usina termelétrica movida a carvão estatal é vista em Huainan, China
Usina termelétrica movida a carvão estatal é vista em Huainan, China Foto: Getty Images (Junho/2017)

Laura Smith-Spark e Ivana Kottasová, CNN

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As emissões anuais da China excederam as de todas as nações desenvolvidas combinadas em 2019 – é a primeira vez que isso aconteceu desde que as emissões nacionais de gases de efeito estufa foram medidas, de acordo com um novo relatório do Grupo Rhodium.

O presidente chinês, Xi Jinping, prometeu tornar seu país neutro em carbono até 2060, e a política climática é vista como uma importante área de cooperação – e até mesmo de competição – entre os Estados Unidos e a China.

Mas o novo relatório destaca como pode ser difícil reduzir o impacto da China no clima. Segundo os pesquisadores, as emissões globais atingiram 52 gigatoneladas de CO2 equivalente em 2019, um aumento de 11,4% na última década. E a participação da China está crescendo rapidamente.

Embora as emissões da China representem menos de um quarto das emissões dos países desenvolvidos em 1990, elas mais que triplicaram nas últimas três décadas, disse o relatório. Em 2019, eles ultrapassaram 14 gigatoneladas de equivalente de CO2 pela primeira vez.

“A China sozinha contribuiu com mais de 27% do total das emissões globais, ultrapassando em muito os EUA, o segundo maior emissor, que contribuiu com 11% do total global”, disse o relatório.

“Pela primeira vez, a Índia ultrapassou a UE-27 para o terceiro lugar, chegando a 6,6% das emissões globais.”

A China é um país grande, com uma população de 1,4 bilhão, e até agora suas emissões per capita têm permanecido consideravelmente mais baixas do que as do mundo desenvolvido, observam os pesquisadores. Mas isso também está mudando rapidamente.

“Em 2019, as emissões per capita da China atingiram 10,1 toneladas, quase triplicando nas últimas duas décadas”, disse o relatório.

Embora tenham permanecido mais baixos em 2019 do que os EUA – 17,6 toneladas por pessoa – o relatório prevê que quando os dados completos de 2020 estiverem disponíveis, a produção per capita da China terá ultrapassado a média da OCDE de 10,5 toneladas, mesmo com as emissões “de quase todos outras nações diminuíram drasticamente na esteira da pandemia da Covid-19.”

No entanto, a China ainda tem um caminho a percorrer antes de alcançar a quantidade total de dióxido de carbono que foi expelido na atmosfera pelos países desenvolvidos. O relatório observa que “desde 1750, os membros do bloco da OCDE emitiram quatro vezes mais CO2 em uma base cumulativa do que a China”.

Os gases do efeito estufa se acumulam na atmosfera como um cobertor, prendendo a radiação que, de outra forma, escaparia para o espaço. Isso faz com que as temperaturas na Terra aumentem, o que está relacionado a condições climáticas mais extremas, derretimento do gelo e aumento do nível do mar. E quanto mais carbono é emitido para a atmosfera, mais o planeta aquece.

Reinhard Steurer, cientista climático e professor associado da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida em Viena, disse à CNN que os ocidentais não deveriam estar se parabenizando ainda.

“Muitas das coisas que consumimos [no Ocidente] são produzidas na China e as emissões são contabilizadas no registro de emissões de carbono chinês”, disse ele.

“Se você levar em conta essas emissões baseadas no consumo, nosso histórico não é tão bom … Nunca deveríamos realmente culpar a China como o pior emissor do planeta, porque muitas de suas emissões vão para o nosso consumo.”

Nectar Gan e James Griffiths da CNN contribuíram para esta reportagem.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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