Entenda a troca de chefe dos EUA para relações com América Latina

Governo Trump nomeou o empresário republicano Juan Pablo Segura para liderar o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental

Lucas Teixeira e Priscila Yazbek, da CNN Brasil, de São Paulo e Nova York
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O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, trocou o chefe do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão do Departamento de Estado americano responsável por atuar diretamente nas relações com os países das Américas, incluindo o Brasil.

Quem assumiu o cargo de secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental foi o empresário republicano Juan Pablo Segura. Ele substitui Michael Kozak, diplomata com mais de 50 anos de carreira que ocupava a função de maneira interina desde janeiro de 2025.

Segura tomou posse em 14 de agosto. Antes de ingressar no Departamento de Estado, atuou como secretário de Comércio e Negócios da Comunidade da Virgínia, durante o governo do republicano Glenn Youngkin.

A mudança ocorre em um momento em que o governo Trump intensifica medidas de combate ao narcotráfico e reforça a agenda de segurança e controle migratório na América Latina.

Quem é Juan Pablo Segura?

Com ascendência argentina, Segura é empresário e passou boa parte da carreira no setor privado antes de ingressar no serviço público.

Em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada aos cuidados pré-natais e pós-parto. A plataforma foi incluída pela CB Insights entre as 150 empresas de tecnologia de saúde mais inovadoras do mundo.

Na Virgínia, ocupou o cargo de secretário de Comércio e Negócios durante a gestão de Glenn Youngkin. Segundo seu perfil profissional, foi responsável pela política de comércio internacional e por iniciativas voltadas à atração de investimentos para o estado.

Linha política alinhada a Rubio

Desde que foi anunciado para o cargo, Segura passou a sinalizar quais serão algumas de suas prioridades à frente do escritório.

Em publicação nas redes sociais, afirmou que pretende trabalhar para colocar em prática a visão de Trump para que as Américas estejam “a salvo dos cartéis e narcoterroristas”, além de buscar prosperidade econômica e o reforço das fronteiras.

A segurança e o combate ao narcotráfico estão entre as principais prioridades da política externa de Trump para o continente.

Um diplomata brasileiro avalia que Segura apresenta um perfil ideologicamente alinhado ao do secretário de Estado americano, Marco Rubio, especialmente em temas como imigração e governos de esquerda na América Latina.

Na avaliação do diplomata, a escolha representa mais uma nomeação política dentro do Departamento de Estado.

Diplomacia comercial e dominância dos EUA na América Latina

Na sabatina sobre sua indicação no Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, Segura defendeu a Estratégia de Segurança Nacional de Trump, divulgada em dezembro de 2025.

O novo secretário-adjunto afirmou que o presidente republicano estabeleceu uma “agenda ambiciosa” que inclui a proteção da fronteira, combate a grupos narcoterroristas, proteção de infraestruturas críticas e ampliação de oportunidades econômicas para os americanos.

Segura também destacou o resgate da Doutrina Monroe pelo governo Trump, que defende a dominância dos Estados Unidos nas Américas e o combate à influência de atores “malignos” na região.

“A Estratégia de Segurança Nacional também estabelece que os Estados Unidos vão reafirmar a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e conter a influência de adversários globais e atores malignos na região. O governo Trump está implementando essa estratégia de forma agressiva junto a parceiros regionais, ampliando a cooperação bilateral e também mobilizando parceiros em novas iniciativas - incluindo o Escudo das Américas, a Coalizão das Américas contra os Cartéis e uma reunião ministerial sobre minerais críticos-, com o objetivo de construir cadeias de suprimentos seguras e resilientes”, afirmou Segura durante a sabatina.

Ele também disse que, como ex-secretário de Comércio da Virgínia, está particularmente empolgado com a prioridade que o governo Trump está dando à diplomacia comercial no Hemisfério Ocidental.

“Como observa a Estratégia de Segurança Nacional, um Hemisfério Ocidental economicamente mais forte não é apenas um mercado mais atraente para empresas e investimentos americanos. O aumento dos vínculos comerciais beneficiará os dois lados e reduzirá o espaço e a influência de atores de fora do hemisfério”, afirmou.

Segura avaliou ainda que a visão mais comercial da diplomacia na região exigirá uma coordenação mais estreita com o setor privado americano.

“E essa é uma função que estou ansioso para assumir, recorrendo à minha experiência profissional como ex-empresário e investidor”, finalizou.