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    Entenda como cobras píton conseguem engolir presas enormes

    Relatos indicam pítons birmanesas devorando veados, cabras e até jacarés

    Píton Birmanesa Albina no Noah's Ark Zoo Farm em 2 de agosto de 2016 em Bristol, Inglaterra
    Píton Birmanesa Albina no Noah's Ark Zoo Farm em 2 de agosto de 2016 em Bristol, Inglaterra Matt Cardy/Getty Images

    Christian Edwardsda CNN

    A expressão “com tanta fome que eu poderia comer um cavalo” pode não ser apenas uma figura de linguagem – para a píton birmanesa, pelo menos. Essas cobras podem atingir cerca de 5,5 metros de comprimento e pesar até 90,7 Kg, e há relatos de pessoas que as viram engolir veados, cabras e até jacarés.

    Há muito tempo se pensava que o tamanho da cabeça e do corpo da píton permitia que ela devorasse presas enormes, mas não é apenas isso que determina o que está em seu menu, revelou um estudo recente publicado na revista Integrative Organismal Biology.

    O que importa mais é o quanto ela pode abrir a boca.

    “Um mal-entendido comum é que as cobras deslocam suas mandíbulas para engolir a presa”, disse Bruce Jayne, professor de ciências biológicas da Universidade de Cincinnati e principal autor do estudo, à CNN.

    “O principal aspecto sobre esses animais é que eles têm mandíbulas com grande mobilidade – mas não ocorre o deslocamento”, explicou.

    Em vez disso, a píton consegue devorar suas presas graças a um pedaço elástico de tecido conjuntivo que conecta sua mandíbula inferior ao crânio. A estrutura óssea na frente da boca também ajuda.

    “Os ossos esquerdo e direito não estão fundidos (no queixo). Essa é uma diferença profunda entre nossas mandíbulas inferiores e as de uma cobra”, destacou Jayne.

    Outro fator importante é que a pele extremamente elástica ao redor da mandíbula permite que a boca da píton se estique ainda mais em torno de sua presa.

    E há ainda um diferencial: “Elas têm ossos adicionais no céu da boca, ao contrário de nós, que temos dentes”, acrescentou.

    Enquanto os humanos têm uma fileira de dentes laterais, as cobras têm duas – sendo que uma “corre longitudinalmente”, de acordo com Jayne. Essas fileiras de dentes “balançam para frente e para trás”, arrastando a presa ainda mais em direção ao estômago.

    Os pesquisadores se questionaram se existe um limite ainda maior para a abertura de algumas das maiores pítons.

    “Você sempre precisa ter cuidado ao extrapolar seus dados, mas não seria surpreendente para mim se uma píton birmanesa realmente grande pudesse ter um diâmetro de abertura de cerca de 30 centímetros”, ressaltou Jayne.

    Isso significa que, se uma grande píton ficasse com muita fome, seria capaz de comer um cavalo? “Talvez eles pudessem comer um pônei”, respondeu o pesquisador Jayne.

    Impacto na vida selvagem

    Os cientistas examinaram 43 pítons birmanesas sacrificadas. A equipe mediu as bocas usando uma série de objetos plásticos impressos em 3D, verificando o máximo que cada cobra poderia esticar sua boca.

    A maior sonda tinha 22 centímetros de diâmetro. Apenas uma cobra tinha uma boca grande o suficiente para engolir o objeto – uma píton de 4,3 metros e 63,3 quilos.

    Ao contrário de cobras, víboras e cascavéis, uma píton birmanesa não é venenosa. Ele não mata sua presa com sua mordida, mas por asfixia, enrolando-se em torno da vítima e apertando seus músculos com força para contrair o fluxo sanguíneo antes de engoli-lo.

    Pitons provaram recentemente serem uma ameaça para a vida selvagem nos Estados Unidos. O Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, já foi cheio de veados, guaxinins, gambás e raposas, mas, nos últimos anos, cada vez menos desses animais foram vistos na área.

    Isso levou ao retorno, em agosto passado, da iniciativa anual de conservação chamada Florida Python Challenge (desfio píton da Flórida, em tradução livre), que atraiu centenas de caçadores de cobras profissionais para o Everglades para matar os répteis não nativos.

    A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida e o Distrito de Gerenciamento de Água do Sul da Flórida organizaram pela primeira vez o evento em 2020, com duração de dez dias. A ação teve apoio de parceiros privados e de organizações sem fins lucrativos.

    “O ecossistema de Everglades está mudando em tempo real com base em uma espécie, a píton birmanesa”, disse o coautor do estudo, Ian Bartoszek, em um comunicado à imprensa. Ele é gerente de projetos de ciências ambientais para a Conservação do Sudoeste da Flórida.

    Por mais de uma década, as autoridades do Parque Nacional Everglades vêm pesquisando como remover efetivamente as espécies invasoras desse ecossistema frágil, de acordo com o site do Serviço Nacional de Parques dos EUA.

    Um estudo de 2012 referenciado pelo site sugeriu que o crescente número de pítons birmanesas, que provavelmente surgiu quando cobras cativas do comércio de animais de estimação foram liberadas na natureza, poderia estar ligado a graves declínios nas populações de mamíferos no habitat de Everglades.

    Mas o último estudo liderado por Jayne sugere que podem não ser apenas mamíferos menores que estão em risco devido à superpopulação de pítons, mas outros muito maiores, incluindo veados e jacarés.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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