Entenda impactos do bloqueio dos Houthis à Arábia Saudita no Mar Vermelho

Grupo rebelde do Iêmen afirmou que navios sauditas que passarem pelo Estreito de Bab el-Mandeb serão alvos

Da CNN em Espanhol
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Os Houthis, um grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, um movimento que pode reacender outro conflito regional e ameaçar o fornecimento global de petróleo.

Em comunicado, as Forças Armadas houthis declararam "embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de 'olho por olho', com efeito imediato".

Nesta terça-feira (21), o gabinete da Arábia Saudita condenou as "alegações infundadas e acusações falsas" dos Houthis.

Importância do Estreito de Bab el-Mandeb

Os Houthis já haviam alertado que poderiam tomar medidas para bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, uma via navegável estratégica na extremidade sul do Mar Vermelho.

O fechamento dessa hidrovia poderia impactar significativamente o comércio global e desestabilizar ainda mais os mercados de petróleo.

Bab el-Mandeb, cujo nome significa "Portão das Lágrimas", é uma rota de acesso crucial para o Canal de Suez, que conecta a Europa e a Ásia por meio de uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.

Com apenas 29 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, é uma área onde navios têm sido alvos dos rebeldes Houthis.

Aproximadamente 15% do comércio marítimo global passa por Bab el-Mandeb. As interrupções na navegação entre 2023 e 2025 provavelmente custaram ao setor cerca de US$ 20 bilhões (equivalente a cerca de R$ 101 bilhões) anualmente.

O estreito é uma rota de exportação fundamental para a Arábia Saudita — o maior exportador mundial de petróleo bruto — e permaneceu amplamente navegável durante todo o conflito.

O Mar Vermelho tornou-se uma importante rota de escoamento para o petróleo saudita via porto de Yanbu, desde que o Estreito de Ormuz foi fechado em decorrência do conflito entre o Irã e os Estados Unidos. Mais de 4 milhões de barris de petróleo bruto saíram de Yanbu no mês passado.

Os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 90 (equivalente a cerca de R$ 456) por barril nesta terça-feira (21), após o anúncio dos Houthis.

Quem são os Houthis?

O movimento Houthi, também conhecido como Ansar Allah (Apoiadores de Deus), é uma das facções na guerra civil iemenita.

Ele surgiu na década de 1990, quando seu líder, Hussein al-Houthi, lançou a "Juventude Crente", um movimento de renovação religiosa para uma antiga seita do islamismo xiita chamada zaidismo.

Os zaiditas governaram o Iêmen por séculos, mas foram marginalizados sob o regime sunita que chegou ao poder após a guerra civil de 1962.

O movimento de al-Houthi foi fundado para representar os zaiditas e resistir ao sunismo radical, particularmente às ideias wahabitas da Arábia Saudita. Seus seguidores mais próximos ficaram conhecidos como houthis.

A guerra civil no Iêmen começou em 2014, quando as forças Houthi tomaram a capital, Sanaa, e derrubaram o governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.

O conflito se intensificou em 2015, quando uma coalizão liderada pelos sauditas interveio na tentativa de repelir os Houthis.

Um cessar-fogo foi assinado em 2022, mas expirou após apenas seis meses.

Os Houthis são apoiados pelo Irã, que começou a aumentar seu apoio ao grupo em 2014, à medida que a guerra civil e sua rivalidade com a Arábia Saudita se intensificavam.

O regime iraniano forneceu ao grupo armas e tecnologia, incluindo minas marítimas, mísseis balísticos e de cruzeiro, e veículos aéreos não tripulados, de acordo com um relatório de 2021 do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Os Houthis fazem parte do chamado "Eixo da Resistência" do Irã, uma aliança de milícias regionais anti-Israel e antiocidentais apoiada pela República Islâmica.

*Com informações de Christian Edwards, Hanna Ziady, Nadeen Ebrahim e Helen Regan, da CNN.