Entenda os protestos no Irã que deixaram mortos e geraram alerta de Trump
Manifestações são as maiores desde 2022; lojistas, comerciantes de bazares e estudantes entoaram slogans contra o governo

Manifestantes foram às ruas em diversas províncias do Irã, protestando principalmente devido ao custo de vida e a problemas com a economia no país.
Ao menos 45 manifestantes, incluindo oito pessoas menores de 18 anos, foram mortos nos primeiros 12 dias de protestos em todo o país, segundo a ONG de direitos humanos IHRNGO (Iran Human Rights), com sede na Noruega.
Enquanto isso, o site de monitoramento da internet NetBlocks afirmou na quinta-feira (8) que o Irã está atualmente “em meio a um apagão nacional da internet”.
“O incidente ocorre após uma série de medidas crescentes de censura digital contra protestos em todo o país e prejudica o direito do público à comunicação em um momento crítico”, disse a NetBlocks em uma publicação no X.
Lojistas, comerciantes de bazares e estudantes entoaram slogans contra o governo durante as manifestações.
Os protestos são os maiores desde 2022, quando uma onda de manifestações foi desencadeada pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, que estava sob custódia policial após ser presa por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada.
A economia do país vem enfrentando dificuldades há anos, desde que os Estados Unidos reimplantaram sanções em 2018, após Donald Trump retirar os Estados Unidos do acordo nuclear internacional durante seu primeiro mandato.
Em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do seu valor em relação ao dólar, com a inflação oficial atingindo 42,5% em dezembro.
Presidente reconhece culpa do governo
O presidente iraniano, Masou Pezeshkian, reconheceu a culpa do governo em um evento com autoridades na quinta-feira (1°).
Ele também disse para que não tentem culpar os Estados Unidos por erros que teriam sido cometidos pelo governo.
"As pessoas estão insatisfeitas; a culpa é nossa. A culpa é sua. Não culpem os Estados Unidos; não culpem — sei lá — outra pessoa. Somos nós que devemos servir, e eles devem estar satisfeitos conosco", comentou.
"Somos nós que devemos administrar nossos recursos adequadamente. Somos nós que devemos encontrar uma solução para o problema. Somos nós que devemos nos esforçar e encontrar soluções para esses problemas", concluiu.
Mortes em protestos no Irã
A primeira morte conhecida ligada aos protestos no Irã ocorreu na noite de quarta-feira (31), quando um integrante da força paramilitar Basij foi morto e outros 13 ficaram feridos na cidade de Kuhdasht, na província de Lorestan, segundo a mídia estatal.
A agência de notícias Fars exibiu um vídeo de um policial recebendo atendimento médico após supostamente ter sido incendiado por manifestantes.
A Basij é frequentemente mobilizada pelo governo para reprimir protestos.
Já na manhã de quinta-feira (1°), ao menos duas pessoas morreram quando dezenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia no condado de Lordegan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, no sudoeste do país, informou a Fars.
Ainda não está claro se as vítimas eram agentes das forças de segurança ou manifestantes. Vídeos não verificados que circulam nas redes sociais mostram manifestantes atirando pedras contra a polícia.
A Fars informou que manifestantes atiraram pedras contra o gabinete do governador, bancos e outros prédios governamentais.
E, na noite de quinta, foram registradas mais três mortes e 17 feridos após manifestantes invadirem uma delegacia na cidade de Azna, na província de Lorestan, no oeste do Irã, também segundo a Fars.
As pessoas entraram em confronto com a polícia, atiraram pedras contra os agentes e incendiaram carros, destacou a Fars.
A agência de notícias também pontuou que alguns manifestantes armados se aproveitaram de um protesto na cidade. Sem apresentar provas, a Fars afirmou que a polícia confiscou armas de fogo de alguns indivíduos.
Ao todo, cerca de 45 manifestantes, incluindo oito pessoas menores de 18 anos, morreram até o momento.
Autoridades prendem manifestantes no Irã
Ao menos 20 pessoas foram presas durante os protestos, informou o promotor de Kuhdasht na quinta-feira, de acordo com a agência de notícias estatal Tasnim.

Por sua vez, a Fars noticiou que ao menos 30 pessoas foram detidas no condado de Malard, na província de Teerã, por "perturbação da ordem pública". A agência citou Mansour Saleki, uma autoridade do condado, que afirmou que os detidos estavam "abusando do direito legal dos cidadãos de protestar".
Segundo investigações, vários dos manifestantes presos vieram de condados vizinhos, disse Saleki, de acordo com a agência Fars.
Trump faz alerta sobre possível intervenção dos EUA
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos intervirão caso o Irã mate manifestantes.
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de costume, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio. Estamos prontos para agir”, escreveu ele na Truth Social nesta sexta-feira (2).
Além disso, o Departamento de Estado dos EUA afirmou, em uma publicação na quarta-feira, estar preocupado com relatos de que os manifestantes estavam sofrendo "intimidação, violência e prisões". A agência americana pediu às autoridades para encerrarem a repressão.
“Primeiro os bazares. Depois os estudantes. Agora o país inteiro. Os iranianos estão unidos. Vidas diferentes, uma reivindicação: respeito às nossas vozes e aos nossos direitos”, afirmou o departamento em uma publicação em sua conta em farsi no Facebook.
Irã responde Trump
Em seguida, autoridades iranianas emitiram alertas severos contra a intervenção dos EUA nos assuntos internos do país.
Ali Larijani, chefe de segurança nacional do Irã, disse no X que a interferência americana desencadearia “desorganização em toda a região e a destruição dos interesses americanos”.
Ali Shamkhani, um conselheiro próximo ao líder supremo Ali Khamenei, declarou a segurança nacional do Irã uma “linha vermelha”.
“Qualquer tentativa de intervenção que se aproxime da segurança iraniana… será cortada com uma resposta lamentável”, pontuou Shamkhani no X.

