Entrada de venezuelanos no Brasil cresce após ofensiva dos EUA no Caribe
Dados do Observatório das Migrações Internacionais mostram salto nas entradas a partir de agosto
O fluxo de venezuelanos que ingressam no Brasil voltou a crescer de forma expressiva com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Venezuela.
É o que apontam os dados mais recentes do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo o levantamento, entre julho e agosto o número foi de 13.138 para 20.097.
O aumento coincide com o envio de navios de guerra americanos para o Caribe, o começo do agravamento das tensões entre os dois países.
Em setembro - quando o governo de Donald Trump começou a atacar embarcações no Caribe alegando combate ao narcotráfico - o número continuou elevado. Foram 18.525 venezuelanos entrando no Brasil durante o mês.
Antes da ofensiva, os números estavam estáveis. Em janeiro, pouco mais de 16,7 mil venezuelanos entraram no país. O volume se manteve semelhante em fevereiro, voltando a crescer em março, quando foram registradas cerca de 18 mil entradas.
A partir de abril houve retração no fluxo migratório. O número caiu para pouco mais de 15 mil, repetindo valores próximos em maio, quando atingiu 15.690. Em junho, o fluxo recuou para cerca de 13,9 mil, e em julho, para pouco mais de 13,1 mil — a menor marca registrada no ano até então.
Os próximos relatórios deverão indicar se o movimento continuará elevado nos últimos meses do ano ou se a escalada observada em agosto e setembro representa apenas um pico temporário.
Tensão no Caribe
O desenvolvimento militar dos EUA no Caribe começou em agosto com o envio de navios de guerra, um submarino nuclear, caças e aviões espiões.
O governo de Donald Trump também enviou o que é considerado o maior porta-aviões do mundo para o Caribe - o USS Gerald R. Ford. A embarcação é equipada com um reator nuclear e pode abrigar até 75 aeronaves militares. O Pentágono confirmou a chegada do porta-aviões nesta segunda (17).
O Exército dos Estados Unidos ainda está atualizando uma antiga base naval abandonada da Guerra Fria no Caribe - segundo apontou uma investigação visual da Reuters - sugerindo preparativos para operações sustentadas que poderiam ajudar a apoiar possíveis ações dentro da Venezuela. O presidente americano, Donald Trump, se recusa a descartar o envio de tropas ao país.
Oito navios de guerra permanecem na região, juntamente com embarcações de apoio.
Outro ponto que agravou a tensão entre ambos os países foi o lançamento da operação militar americana “Lança do Sul” que, segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, terá como alvo “narcoterroristas” no hemisfério ocidental.
Além disso, desde o início de setembro, os Estados Unidos realizaram 21 ataques contra supostos navios de drogas no Caribe e no Pacífico, matando 83 pessoas. As ofensivas foram realizados sem procedimentos judiciais ou declaração de guerra pelo Congresso dos Estados Unidos.
O ditador venezuelano Nicolás Maduro tem alegado repetidamente que os EUA estão tentando expulsá-lo do poder. O líder chegou a fazer um apelo pela paz dizendo "não à loucura da guerra".
Ele também cantou a música “Imagine”, de John Lennon durante um comício neste sábado (15). A música é considerada um hino internacional pacifista. Maduro ressaltou a necessidade de "fazer tudo pela paz".


