Enviado de Israel à ONU admite “incidentes” em área de ajuda humanitária
ONU tem relatado mortes de palestinos que tentavam chegar aos pontos de distribuição em busca de alimentos na Faixa de Gaza

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, admitiu na segunda-feira (30) que houve "incidentes" no local de distribuição de ajuda humanitária da (GHF) Fundação Humanitária de Gaza), que é administrada pelos Estados Unidos e aprovada por Israel.
A GHF começou a operar quatro pontos de distribuição em Gaza em 26 de maio, limitando a entrada de ajuda da ONU na região.
Desde a operação da instituição, o OCHA (Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários) tem relatado mortes de palestinos que tentavam chegar aos pontos de distribuição em busca de alimentos.
Moradores disseram que foram alvo de tiros enquanto tentavam obter alimentos em locais que não pertenciam à ONU.
Em uma coletiva de imprensa, Danon admitiu poucos incidentes nos pontos de distribuição da GHF, mas afirmou que o Hamas exagerou nas denúncias.
"Bem, infelizmente houve poucos incidentes, mas posso dizer uma coisa com certeza: os números relatados pelo Hamas não estavam corretos. Eram mentiras. Eles tentam criar a impressão de que não é seguro e que as pessoas não devem ir para lá, em vez de mostrar os fatos reais", alegou.
Também na segunda-feira, Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, observou que a operação de distribuição de alimentos da GHF não atende aos padrões básicos, acrescentando que as partes relevantes devem permitir que as Nações Unidas façam seu trabalho na região.
"O que estamos dizendo é que a operação, a operação de distribuição de alimentos administrada pela GHF, não atende aos padrões básicos de imparcialidade, independência e segurança para os destinatários", destacou.
"E estamos pedindo para deixar a ONU fazer o seu trabalho e deixar que outros façam o seu. Estamos abertos a que outros façam isso conosco. Não podemos fazer isso sozinhos. Tudo o que pedimos é que outros que queiram montar operações humanitárias o façam de forma segura e sustentável", concluiu.

