Escritório do governo britânico teve “sextas-feiras do vinho” durante lockdown

Denúncias sobre celebrações de funcionários durante a pandemia renderam críticas ao primeiro-ministro Boris Johnson

Residência oficial de Boris Johnson, no número 10 da Downing Street, é atualmente ocupada pelo ministro das Finanças
Residência oficial de Boris Johnson, no número 10 da Downing Street, é atualmente ocupada pelo ministro das Finanças Tefan Rousseau/PA Images via Getty Images

Luke McGeeSharon BraithwaiteRobert Iddiolsda CNN

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A equipe do escritório número 10 da Downing Street, onde o ministro das Finanças do Reino Unido atualmente vive e trabalha, realizou reuniões apelidadas de “sextas-feiras do vinho” durante os lockdowns contra o coronavírus na Inglaterra, informou o tablóide britânico The Mirror na sexta-feira (14).

Uma ex-funcionário que trabalhou na residência oficial do primeiro-ministro Boris Johnson até 2020 confirmou à CNN que essas reuniões aconteciam regularmente.

A fonte disse que outras pessoas se referiam a elas como “sextas-feiras do vinho”, mas a fonte não compareceu pessoalmente aos eventos. A Downing Street abriga uma série de escritórios onde o governo do Reino Unido opera. Oficialmente, o número 10 é o lar do primeiro-ministro, e o 11, do ministro das Finanças, mas isso se inverteu nos últimos anos.

Revelações de várias festas em Downing Street – incluindo uma na noite anterior ao funeral do príncipe Philip em abril de 2021 – causaram um grande escândalo político para Boris Johnson, e levantaram questões sobre quanto tempo ele pode sobreviver como líder do Partido Conservador.

Quando contatado pela CNN, Downing Street não negou a reportagem. Ela encaminhou o contato a uma investigação em andamento da funcionária pública sênior Sue Gray sobre essas reuniões.

“Há uma investigação em andamento para estabelecer os fatos sobre a natureza das reuniões, incluindo participação, configuração e propósito com referência à adesão às orientações na época. As descobertas serão divulgadas no devido tempo”, disse um porta-voz.

“Eu realmente sinto muito”

A notícia chega quando a ex-diretora-geral da força-tarefa Covid-19 do governo do Reino Unido, Kate Josephs, pediu desculpas por comparecer às festas em 17 de dezembro de 2020, enquanto o Reino Unido estava em confinamento.

“Reuni-me com colegas que estavam no trabalho naquele dia, com bebidas, em nosso escritório no Gabinete do Governo, para marcar minha saída do Serviço Civil”, disse Josephs na sexta-feira em um comunicado publicado em seu perfil no Twitter.

Josephs, que agora é o presidente-executivo do Conselho Municipal de Sheffield, acrescentou: “Sinto muito por ter feito isso e pela raiva que as pessoas sentiram, como resultado. Sheffield sofreu muito durante esta pandemia e peço desculpas sem reservas”.

Em sua declaração, Josephs também disse que “os fatos específicos deste evento serão considerados no contexto da investigação do Gabinete. Não participei de nenhum evento em Downing Street”.

A orientação do governo do Reino Unido na época dizia: “Embora existam isenções para fins de trabalho, você não deve ter um almoço ou festa de Natal de trabalho, já isso é uma atividade principalmente social e não é permitida pelas regras em seu nível”.

O parlamentar conservador Andrew Bridgen se tornou o mais recente político a exigir a renúncia de Johnson no sábado (15). Ele disse à emissora britânica Sky News que a posição do primeiro-ministro era agora “insustentável” e que Johnson deveria “renunciar para o bem do país”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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