Espanha convoca embaixador da Itália após comentários sobre migração

Chanceler italiano criticou política de Madri e se disse favorável à suspensão do acordo que permite livre circulação entre países da União Europeia

Begoña Blanco Muñoz, da CNN
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O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou ter convocado o embaixador italiano, Giuseppe Buccino Grimaldi, devido a comentários que criticavam a política migratória espanhola após a chegada, na quinta-feira (30), de milhares de migrantes, em sua maioria marroquinos, a um enclave espanhol na costa africana.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse em uma publicação na rede social X que as imagens do enclave de Ceuta mostravam que a política migratória do presidente espanhol, Pedro Sánchez, estava "errada".

Ele acrescentou ser favorável ao fechamento do Espaço Schengen para a Espanha.

Também no X,  Albares disse que os comentários de Tajani eram "inadequados para o ministro das Relações Exteriores de um país parceiro e amigo, do qual esperamos solidariedade europeia e não demagogia partidária", e anunciou que havia convocado o embaixador da Itália em Madri para esta sexta-feira (31).

O Ministério do Interior da Espanha disse nesta sexta-feira (31) que, segundo suas estimativas, cerca de 49 mil migrantes cruzaram para o enclave de Ceuta, no Norte de África, nas últimas 24 horas, enquanto corriam por mar e por terra vindos de Marrocos.

Espanha e Marrocos reforçaram a cerca fronteiriça do território espanhol nesta sexta-feira e aparentemente interromperam as travessias em massa, após a chegada de milhares de pessoas por mar e terra. Pelo menos 34 pessoas morreram

A travessia em massa para Ceuta, uma faixa de terra controlada pelos espanhóis que se projeta do Marrocos para o Mediterrâneo, causou divisão na Europa.

Crise migratória na Europa

A migração é uma questão sensível em toda a Europa, onde partidos de direita ganharam força na década que se seguiu à crise de 2015, quando mais de um milhão de pessoas atravessaram o continente, principalmente a pé, em busca de asilo, a maioria fugindo da guerra na Síria.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que seu país está preparado "para intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha", referindo-se à zona de livre circulação interna da União Europeia.

Embora o governo socialista da Espanha afirme manter-se firme em relação às travessias ilegais, alega que os imigrantes contribuem para o fortalecimento da economia e ofereceu uma anistia em massa que permitiu a centenas de milhares de pessoas solicitarem a cidadania no último ano.

"As imagens vindas de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madri de conceder cidadania espanhola, e consequentemente europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas", escreveu o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.