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    Estados Unidos tiveram mais chacinas do que dias em 2023

    Quarenta ocorrências do tipo já foram registradas no país até agora neste ano; segundo organização, número é o maior já registrado nos EUA

    A polícia investiga cena onde ocorreu um tiroteio em Monterey Park, na Califórnia
    A polícia investiga cena onde ocorreu um tiroteio em Monterey Park, na Califórnia Reprodução/ CNN

    Nouran SalahiehTaylor Romineda CNN

    Os Estados Unidos tiveram mais ocorrências de chacinas do que dias até agora em 2023.

    Quarenta chacinas foram registradas nos EUA neste ano –mais do que neste momento em qualquer outro ano registrado, de acordo com a organização Gun Violence Archive.

    Com cada vez mais comunidades sofrendo a perda de seus membros, investigadores dos diferentes casos têm trabalhado para estabelecer motivos por trás dos ataques. Aqui estão mais detalhes de alguns dos recentes tiroteios.

    O suspeito de cometer a chacina de Half Moon Bay, na Califórnia, foi indiciado nesta semana em sete acusações de assassinato e uma de tentativa de assassinato. Foi o ataque mais letal na história do condado de San Mateo, nos Estados Unidos, de acordo com o promotor local, Steve Wagstaffe.

    “O caso está em uma categoria muito além de qualquer coisa com a qual já lidamos”, afirmou Wagstaffe. “Lamento que tenhamos entrado na lista de condados de todo o país que tiveram que lidar com isso”.

    O suspeito detido, identificado como Chunli Zhao, de 66 anos, é acusado de atirar em quatro pessoas em um sítio de cogumelos na segunda-feira (23). Ele era funcionário do local. Outras três pessoas foram assassinadas em uma propriedade rural próxima. O suspeito era um “colega ou ex-colega de trabalho” das vítimas nos dois locais. Evidências apontam para o ataque ser um caso de violência no local de trabalho, de acordo com a xerife do condado de San Mateo, Christina Corpus.

    À medida que a investigação continua, o sentimento de paz da comunidade Half Moon Bay foi “destruído pelas mortes sem sentido”, disse Marc Berman, congressista estadual da Califórnia, observando que divergências no local de trabalho ou em relacionamentos acontecem em todo o mundo.

    “Mas apenas nos Estados Unidos muitas vezes esses desentendimentos terminam em chacinas”, acrescentou Berman, prometendo que o estado fará todo o possível para reduzir ainda mais esses incidentes.

    O ataque marcou o segundo tiroteio em massa que a Califórnia sofreu em apenas 48 horas. A tragédia aconteceu enquanto investigadores do sul do estado ainda estavam investigando o que levou um homem a cometer uma chacina em Monterey Park, na qual 11 pessoas foram mortas no último dia 22.

    Enquanto isso, novos detalhes surgiam em Yakima, no estado de Washington, sobre um ataque a tiros que matou três pessoas em uma loja de conveniência Circle K menos de 24 horas depois do caso de Half Moon Bay. Documentos do tribunal revelaram na quarta-feira (25) que a mãe do suspeito da chacina ligou para a polícia nas horas após o ataque, dizendo que acreditava que seu filho estava envolvido no crime.

    Veja informações sobre as ocorrências recentes:

    — A arma semiautomática que se acredita ter sido usada pelo suspeito de Half Moon Bay foi legalmente comprada e tinha registro legal, segundo autoridades. O suspeito, detido, pode receber uma sentença de prisão perpétua sem direito a liberdade condicional ou a pena de morte, disse o promotor do distrito;

    — Na investigação da chacina de Monterey Park, autoridades recuperaram na quarta-feira uma motocicleta registrada pelo suspeito (que possivelmente se matou) a apenas uma quadra da cena do tiroteio, como contou o xerife do condado de Los Angeles Robert Luna. Ele acrescentou que eles acreditam que pode ter sido um “veículo alternativo de fuga”;

    — Os documentos do tribunal recebidos pelo Departamento de Polícia de Yakima mostram que o suspeito (também morto) foi até a Circle K e andou cerca de 30 minutos antes de retornar e abrir fogo;

    “Só nos Estados Unidos vemos esse tipo de carnificina, esse caos, essa interrupção de comunidades e vidas”, declarou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, na terça-feira, pedindo ação federal sobre leis de segurança de armas.

    Monterey Park, Califórnia

    As autoridades ainda não sabem o que motivou o crime de sábado à noite no Star Ballroom Dance Studio em Monterey Park. Os investigadores até agora não conseguiram estabelecer uma conexão entre o suspeito e qualquer uma das vítimas –incluindo qualquer ligação romântica, conforme o xerife do condado de Los Angeles Robert Luna anunciou quarta-feira.

    Os investigadores também não acreditam que o suspeito – identificado como Huu Can Tran, de 72 anos – tenha frequentado o estúdio de dança nos últimos cinco anos, disse Luna. Três pessoas que conheciam Tran, incluindo sua ex-esposa, disseram à CNN que ele era um rosto familiar no Star Ballroom Dance Studio, onde deu aulas de dança informais no passado.

    “É frustrante quando algo assim acontece. É tão trágico porque estamos tentando entender e isso não faz sentido. Não faz sentido mesmo”, acrescentou o xerife, explicando que os investigadores estão trabalhando para encontrar um motivo.

    O atirador disparou 42 tiros usando uma pistola semiautomática no salão de dança antes de ir para um segundo estúdio de dança em Alhambra, nas proximidades, onde um civil o viu e lutou contra ele, disse Luna.

    A arma apreendida não era registrada no estado da Califórnia, mas foi comprada pelo suspeito em 1999 em Monterey Park, acrescentou o xerife.

    Na quarta-feira, os oficiais recuperaram uma motocicleta registrada em nome do suspeito a apenas uma quadra da cena do tiroteio no Monterey Park.

    “Investigadores do departamento de homicídios determinaram que a moto estava estacionada lá em algum momento no sábado, pouco antes da chacina”, contou Luna. “Os policiais acreditam que ela foi deixada lá pelo suspeito como um veículo de fuga alternativo”.

    Menos de um dia após o tiroteio, Tran foi encontrado morto dentro de uma van branca a cerca de 30 quilômetros de distância, em Torrance. A causa da morte foi um tiro autoinfligido, conforme declarou o xerife.

    O tiroteio no salão de baile matou 11 pessoas e feriu outras nove.

    As vítimas foram identificadas pelo escritório do legista como: Xiujuan Yu, 57; Hongying Jian, 62; Lilan Li, 63; Mymy Nhan, 65; Muoi Dai Ung, 67; Diana Man Ling Tom, 70; Wen-Tau Yu, 64; Valentino Marcos Alvero, 68; Ming Wei Ma, 72; Yu-Lun Kao, 72; e Chia Ling Yau, 76 anos.

    Após o ataque, os investigadores cumpriram um mandado de busca na casa do suspeito e encontraram “centenas” de munições, bem como evidências que levaram autoridades a acreditar que ele estava “fabricando supressores de armas de fogo caseiras”, disse o xerife do condado de Los Angeles, Robert Luna.

    Half Moon Bay, Califórnia

    Na quarta-feira (25), as autoridades identificaram os mortos no tiroteio nos sítios de Half Moon Bay como Yetao Bing, 43, Qizhong Cheng, 66, Marciano Martinez Jimenez, 50, Aixiang Zhang, 74, Jingzhi Lu, 64, e Zhishen Liu, 73.

    Falando de Half Moon Bay na terça-feira, o governador Newsom disse que as vítimas estão lidando com uma “gama de problemas” ao mesmo tempo. Ele contou que conversou com pessoas no hospital que pareciam mais preocupadas com o custo das contas de saúde ou sobre a perda de seus empregos, porque não conseguem trabalhar no momento.

    “As histórias são arrasadoras”, lamentou Newsom.

    Zhao, detido após o crime, fez sua primeira aparição no tribunal na quarta-feira. Ele deve receber uma sentença em 16 de fevereiro.

    Além das acusações de assassinato, Zhao também enfrenta indiciamento pelo uso de uma arma de fogo, lesão corporal agravada e assassinatos múltiplos, de acordo com o advogado do distrito Wagstaffe.

    Há cerca de dez anos, Zhao foi acusado de tentar sufocar e ameaçar matar um ex-colega de trabalho em outro emprego, de acordo com registros judiciais obtidos pela CNN, que mostram que ele estava sob ordem temporária de restrição após o suposto ataque em 2013.

    Yakima, Washington

    Documentos do tribunal apresentados na quarta-feira pelo Departamento de Polícia de Yakima revelaram novos detalhes dos tiroteios fatais na loja de conveniência e posto de gasolina.

    O suspeito, identificado como Jarid Haddock, de 21 anos, visitou a loja Circle K por volta das 3h da manhã e andou por cerca de 40 segundos sem interagir com ninguém ou comprar nada, de acordo com investigadores que revisaram vídeos do circuito interno da loja.

    Ele retornou 30 minutos depois, desta vez com uma arma.

    O suspeito apontou a pistola para um homem e uma mulher e disparou vários tiros enquanto se movia na direção deles, disse a polícia, acrescentando que “com base no vídeo, vimos que Jarid disparou todas as munições que tinha no pente”.

    Ele então jogou fora o pente da arma e buscou outro em sua bolsa, ao mesmo que se aproximava novamente das vítimas que estavam no chão. Com base no vídeo, a mulher ainda estava viva “pois seu braço se mexia” e o atirador parou sobre ela e disparou “várias vezes”, de acordo com os documentos do tribunal.

    Em seguida, o suspeito saiu da loja, correu até as bombas de combustível do posto e se aproximou de um Chevrolet Tahoe, “disparando cerca de seis tiros na janela lateral do motorista”, atingindo o condutor.

    De acordo com os documentos, a mãe de Haddock ligou para a polícia depois das 7h da manhã e disse que ela lamentou que seu filho estivesse envolvido no tiroteio.

    A mãe disse à polícia que Jarid Haddock “havia usado metanfetamina por aproximadamente três anos”. O caso havia piorado no último mês e ele teve acesso a várias armas de fogo em um cofre de casa – incluindo uma semelhante a um “AK-47 que poderia matar muitas pessoas”, segundo os documentos.

    A polícia acabou sendo levada à localização do suspeito depois que uma mulher que emprestou seu telefone a Haddock ouvi-lo fazer “várias declarações incriminatórias, incluindo ‘eu matei essas pessoas’”, disse Murray durante uma coletiva de imprensa.

    Mais tarde, de acordo com a polícia, o suspeito morreu de um aparente tiro autoinfligido.

    (Paul Vercammen, Kevin Flower, Veronica Miracle, Stella Chan, Joe Sutton e Andi Babineau contribuíram na reportagem)

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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