EUA acusam homem de supostas ligações com Irã em plano de assassinato que poderia visar Trump
Serviço Secreto dos EUA aumentou a proteção de segurança para o ex-presidente em virtudes das ameaças conhecidas do governo iraniano contra Trump

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou um homem paquistanês que alega ter laços com o governo iraniano de tentar realizar assassinatos políticos, um caso que levou o governo americano a aumentar a segurança do ex-presidente Donald Trump e outras autoridades, de acordo com uma acusação revelada nesta terça-feira (6).
Investigadores do FBI acreditam que Trump e outras autoridades atuais e antigas do governo dos EUA eram os alvos pretendidos do complô, disse uma autoridade dos EUA informada sobre o assunto.
Asif Merchant, de 46 anos, é acusado de viajar para Nova York e trabalhar com um assassino de aluguel para realizar os assassinatos no final de agosto ou início de setembro, de acordo com acusações apresentadas por promotores federais no Brooklyn, Nova York.
Merchant foi preso em 12 de julho enquanto se preparava para deixar os Estados Unidos, disseram os promotores, logo após se encontrar com supostos assassinos que ele acreditava que realizariam os assassinatos, mas na verdade eram policiais disfarçados. Ele está sob custódia federal.
O FBI investigou o suposto complô internacional de assassinato de aluguel nas semanas anteriores a um jovem de 20 anos da Pensilvânia quase assassinar o ex-presidente em um de seus comícios. Um agente da lei disse à CNN que os investigadores não encontraram evidências de que Merchant tivesse qualquer conexão com o tiroteio em Butler, Pensilvânia.
O FBI acredita ter frustrado o plano de Merchant antes de qualquer ataque e, nas semanas desde sua prisão, ele cooperou com os investigadores, de acordo com autoridades dos EUA.
Mas as ameaças conhecidas do governo iraniano contra Trump levaram o FBI a passar a inteligência para o Serviço Secreto dos EUA, o que aumentou a proteção de segurança para o ex-presidente, disseram autoridades.
O plano revelado pelos promotores dos EUA nesta terça-feira (6) se soma a uma lista crescente de planos iranianos detalhados para supostamente matar Trump, de acordo com autoridades de segurança nacional.
O governo dos EUA levantou repetidamente preocupações de que o Irã pode tentar retaliar um ataque de drones dos EUA em 2020 que matou o general Qasem Soleimani, um general de alto escalão do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), tentando matar Trump ou seus ex-assessores.
Os promotores dos EUA acusaram outros indivíduos por tentativas de assassinato semelhantes no passado, incluindo acusações feitas em 2022 contra um cidadão iraniano de 45 anos e membro do IRGC que supostamente tentou pagar US$ 300 mil a um indivíduo nos EUA para matar o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton.
Nesse caso, os promotores alegam que o complô foi "provavelmente uma retaliação" pela morte de Soleimani.
O procurador-geral Merrick Garland disse nesta terça-feira (6) que os EUA "não tolerarão tentativas de um regime autoritário de atingir autoridades públicas americanas e colocar em risco a segurança nacional dos Estados Unidos".
O suposto plano de assassinato
Merchant chegou à cidade de Nova York em abril, dizem os promotores, e pretendia contratar um assassino de aluguel que executaria assassinatos contra autoridades em solo americano. Embora Merchant seja um cidadão paquistanês, os promotores dizem que ele passou um tempo no Irã e tem família lá.
Uma vez nos Estados Unidos, Merchant supostamente contatou alguém que ele acreditava que o ajudaria na conspiração de assassinato de aluguel. Essa pessoa, no entanto, contatou o FBI e começou a trabalhar para investigadores como uma fonte confidencial.
Merchant se encontrou com a fonte confidencial no início de junho, dizem os promotores, e afirmou que queria encontrar pessoas em Nova York para fazer três coisas: roubar documentos ou drives USB da casa de uma vítima, planejar protestos em comícios políticos e executar assassinatos.
Merchant supostamente disse à fonte confidencial que o trabalho não era uma oportunidade única e fez um movimento de "arma de dedo" com a mão.
Conforme a reunião prosseguia, Merchant falou sobre uma "festa" em casa com quem ele estava trabalhando e começou a planejar cenários potenciais — até mesmo pedindo à fonte confidencial para explicar como uma pessoa com "segurança" que estava "por toda parte" morreria, dizem os promotores.
Mais tarde naquele mês, Merchant se encontrou com policiais trabalhando disfarçados como assassinos de aluguel, de acordo com os promotores, e disse que queria que eles matassem uma "pessoa política no final de agosto ou início de setembro". Merchant supostamente combinou pagar a eles um adiantamento de US$ 5.000 pelo assassinato.
Ele também supostamente disse aos assassinos para se comunicarem com ele sobre seus planos em código, dizendo que "a palavra 'camiseta' significaria um 'protesto' (porque era o trabalho 'mais leve'), a frase 'camisa de flanela' significaria 'roubo', porque era 'trabalho mais pesado', e a frase 'jaqueta de lã' significaria 'a terceira tarefa... cometer o ato do jogo'". A terceira parte de seu plano, de acordo com os promotores, eram os assassinatos.
Merchant planejava deixar o país antes do assassinato, dizem os promotores, mas foi preso antes que pudesse ir.



