EUA acusam Irã de disparar míssil contra o Kuwait
Comando Central dos Estados Unidos confirmou ataque horas após drones iranianos também serem detectados e interceptados

O CENTCOM (Comando Central dos Estados Unidos) confirmou nesta quinta-feira (28) que o Irã lançou um míssil balístico em direção ao Kuwait durante a madrugada, o qual foi interceptado com sucesso pelas forças kuwaitianas. O míssil foi lançado às 23h17 (horário de Brasília), segundo o comando.
O Kuwait condenou o ataque e exigiu que o Irã interrompa imediatamente o que chamou de grave escalada.
Washington e Teerã trocaram ataques militares durante a madrugada, horas depois do presidente americano, Donald Trump, prometer fechar um acordo favorável para encerrar a guerra em meio a um frágil cessar-fogo.
Segundo um oficial americano, as forças armadas dos EUA realizaram ataques contra um local próximo ao Estreito de Ormuz que representava uma ameaça às forças americanas e ao tráfego comercial.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou um ataque contra uma base aérea americana, que, segundo eles, foi a origem dos ataques dos EUA.
“Esta flagrante violação do cessar-fogo pelo regime iraniano ocorreu horas depois de as forças iranianas lançarem cinco drones de ataque unidirecionais que representavam uma clara ameaça dentro e nas proximidades do Estreito de Ormuz”, afirmou o CENTCOM.
Segundo o comando, todos os drones foram interceptados com sucesso pelas forças americanas, que também “impediram o lançamento de um sexto drone a partir de uma base de controle terrestre iraniana em Bandar Abbas”.
“O Comando Central dos EUA e seus parceiros regionais permanecem vigilantes e cautelosos enquanto continuamos a defender nossas forças e interesses da agressão injustificada do Irã”, publicou o CENTCOM na rede social X.
At 10:17 p.m. ET on May 27, Iran launched a ballistic missile toward Kuwait that was successfully intercepted by Kuwaiti forces. This egregious ceasefire violation by the Iranian regime occurred hours after Iranian forces launched five one-way attack drones that posed a clear…
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 28, 2026
Relembre como começou a guerra no Irã
No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".
Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.
Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.
Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.
O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.



