EUA atacam lançadores de mísseis e barcos do Irã em ação de "autodefesa"
Ação acontece enquanto negociações continuam; forças americanas não falam sobre quebra do cessar-fogo

Os Estados Unidos realizaram ataques contra instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (25), em meio ao cessar-fogo entre os dois países e às negociações em andamento para o fim da guerra.
"As forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã hoje para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas", disse o porta-voz do Centcom (Comando Central dos EUA), Timothy Hawkins, em um comunicado à CNN, quando questionado sobre explosões relatadas no Estreito de Ormuz.
"Os alvos incluíam instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas. O Comando Central dos EUA continua a defender nossas forças, agindo com moderação durante o cessar-fogo em vigor", acrescentou.
Forças americanas e iranianas já trocaram tiros durante o cessar-fogo. No início de maio, as forças americanas alvejaram instalações militares iranianas responsáveis por lançar uma série de ataques "não provocados" com mísseis, drones e pequenas embarcações contra navios de guerra americanos que transitavam pelo estreito.
O presidente americano Donald Trump já havia autorizado as forças americanas a responder às provocações iranianas nessa importante via navegável.
Possível acordo
O Irã e os Estados Unidos sinalizaram que estão próximos de um acordo para transformar o cessar-fogo vigente, que pôs fim a semanas de conflito, em uma solução mais duradoura.
Ambos os lados falam de um “memorando de entendimento” que estabelecerá um roteiro para a resolução de todas as questões pendentes, embora o acordo ainda esteja “em desenvolvimento”, segundo o secretário de Estado americano, Macron Rubio.
“Ou teremos um bom acordo ou teremos que lidar com isso de outra forma”, disse Rubio durante uma visita à Índia nesta segunda-feira (25).
Mas o conteúdo do documento permanece incerto.
A premissa central dessa abordagem é que o memorando, uma vez assinado, interromperia os combates, o que seria uma notícia bem-vinda para ambos os lados, com o presidente americano, Donald Trump, enfrentando eleições de meio de mandato ainda este ano, em meio a preços da gasolina em forte alta e à crise econômica do Irã.
O acordo previa a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e daria início a um processo de 60 dias para abordar outras questões, principalmente o programa nuclear iraniano.
Rubio afirmou que havia "algo bastante sólido em cima da mesa" em termos de abertura do estreito e de entrada do Irã em "uma negociação significativa e com prazo determinado sobre questões nucleares".
Um alto funcionário do governo disse à CNN no domingo (25) que o acordo-quadro concede às partes "60 dias para chegarem a um acordo final".
Segundo o funcionário, o possível acordo garantiria que o Irã jamais pudesse possuir uma arma nuclear e o comprometeria a abrir mão do urânio altamente enriquecido, que o presidente costuma chamar de "poeira nuclear".
A forma como o estoque será descartado seria parte da próxima fase das negociações.
"O ponto importante da estrutura é que, se o Irã não cumprir o acordo, não receberá nada. Sem poeira? Sem dinheiro. À medida que o Estreito se abre, o bloqueio é afrouxado proporcionalmente", disse o funcionário.
“Isto é ‘confiar, mas verificar’ ao extremo”, acrescentou.
No entanto, autoridades iranianas e a mídia estatal ofereceram interpretações diferentes.
“Chegamos a um entendimento sobre grande parte das questões em discussão. Mas dizer que isso significa que um acordo está prestes a ser assinado — ninguém pode afirmar isso”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, nesta segunda-feira.
E, após dizer que o acordo estava “em grande parte negociado”, Trump afirmou no domingo que os EUA não se precipitariam em um acordo.
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um bom e adequado, não como aquele feito por Obama”, disse Trump em uma postagem no Truth Social no domingo, afirmando que aquele acordo deu ao Irã “um caminho claro e aberto para uma arma nuclear”.



