EUA criam unidade de escritório antidrogas e combate ao crime na Argentina

Segundo governo Milei, além da unidade do INL (Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei), administração Trump aprovou mais de 13 milhões de dólares em recursos

Luciana Taddeo, da CNN Brasil, de Buenos Aires
Compartilhar matéria

Os Estados Unidos criaram uma unidade regional do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, na sigla em inglês) na Argentina.

O anúncio foi feito pelo Ministério da Segurança da Argentina na última segunda-feira (5).

De acordo com a pasta, o governo de Donald Trump irá multiplicar por dez os recursos de cooperação existentes com a Argentina, destinando 7,5 milhões de dólares para o combate ao crime organizado no país.

O objetivo, segundo a administração de Javier Milei, é desenvolver projetos conjuntos e adquirir equipamentos para fortalecer a capacidade de operações contra o tráfico de drogas e facções criminosas.

Ainda de acordo com o Ministério da Segurança da Argentina, esses 7,5 milhões de dólares fazem parte de um total de 13,35 milhões que o governo dos EUA investirá na luta contra o narcotráfico na região.

À CNN Brasil, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que há mais de 20 unidades do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na América Latina, cobrindo diversos países da região, com integrantes locais e do Departamento de Estado.

“O novo escritório é somente mais um passo demonstrando a forte aliança entre as administrações de Trump e Milei no combate a narcoterroristas, para proteger a segurança nacional de cada país”, disse o porta-voz.

Fortalecimento da atuação dos EUA na região

A iniciativa é anunciada em meio ao fortalecimento do diálogo entre o Departamento de Estado e países presididos pela direita na região. A articulação resultou na conformação do Escudo das Américas, aliança dos governos alinhados a Trump na região contra os cartéis.

Em abril, o Departamento de Estado e o governo Milei haviam anunciado a inauguração do Centro Regional de Informação e Análise sobre o Crime Organizado (Criaco) em Buenos Aires.

A expansão da atuação em escala regional das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, além da venezuelana Tren de Aragua, foi citada pelo governo argentino como um dos motivos para a necessidade de articulação para responder ao crime organizado.

“Pela primeira vez vamos poder mapear as organizações criminosas que atuam na América do Sul, entender suas dinâmicas e padrões de tráfico. O que não se mede não se combate”, disse o secretário argentino de Luta contra o Narcotráfico e o Crime Organizado, Martín Verrier.

Na ocasião, as autoridades anunciaram que o centro começaria atuando com o Cone Sul, para posteriormente expandir para outros “sócios estratégicos”.

“Nunca antes se produziu tanta cocaína como hoje. Isso gera pressão nas nossas fronteiras, fortalece organizações criminosas e multiplica os atores envolvidos”, afirmou Verrier.