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    EUA devem impor sanções a grupo israelense que atacou a ajuda humanitária a Gaza

    Tsav 9 teria bloqueado e danificado remessas de ajuda

    Um caminhão que transportava alimentos, parte de um comboio de ajuda da UNRWA que foi atingido por fogo israelense a caminho do norte de Gaza em 5 de fevereiro
    Um caminhão que transportava alimentos, parte de um comboio de ajuda da UNRWA que foi atingido por fogo israelense a caminho do norte de Gaza em 5 de fevereiro Thomas White/UNRWA via X

    Simon Lewisda Reuters

    Washington deve impor sanções a um grupo israelense nesta sexta-feira (14) por atacar comboios de ajuda humanitária com destino a civis famintos em Gaza, disseram autoridades norte-americanas à Reuters, na última medida que visa atores que os Estados Unidos acredita ameaçarem as perspectivas de paz entre israelenses e palestinos.

    As sanções devem ter como alvo o Tsav 9, um grupo com ligações a reservistas do exército israelense e a colonos judeus na Cisjordânia ocupada por Israel, devido a atividades que incluem bloqueio, assédio e danos a remessas de ajuda.

    Os palestinos precisam desesperadamente de ajuda enquanto Israel continua sua invasão e bombardeio de oito meses, que matou pelo menos 37 mil pessoas, de acordo com o ministério da saúde do território. Israel também enfrentou acusações de bloqueio da ajuda, o que nega ter feito.

    Elementos de direita no governo de Israel, com ligações ao movimento de colonos, opuseram-se ao esforço do presidente dos EUA, Joe Biden, para fechar um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas para pôr fim à guerra em Gaza, que começou com os ataques do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro, que mataram cerca de 1.200 pessoas, segundo cálculos israelenses.

    As sanções financeiras devem ser impostas ao abrigo de uma ordem executiva sobre a violência na Cisjordânia, assinada por Biden em fevereiro, que foi anteriormente utilizada para impor restrições financeiras aos colonos judeus envolvidos em ataques a palestinos.

    “Estamos usando a autoridade para sancionar uma seleção cada vez maior de atores, visando indivíduos e entidades que ameaçam a paz, a segurança e a estabilidade da Cisjordânia, independentemente de religião, etnia ou localização”, disse Aaron Forsberg, diretor do escritório de política e implementação de sanções do Departamento de Estado, à Reuters.

    Em 13 de maio, membros do Tsav 9 saquearam e depois incendiaram dois caminhões de ajuda humanitária perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia.

    O Tsav 9 – Ordem 9 em hebraico, uma referência às ordens de convocação para reservistas militares israelenses – disse após o caso de 13 de maio que agiu para impedir que os suprimentos chegassem ao Hamas e acusou o governo israelense de dar “presentes” ao grupo islâmico.

    “Durante meses, indivíduos do Tsav 9 tentaram repetidamente impedir a entrega de ajuda humanitária a Gaza, inclusive bloqueando estradas, às vezes de forma violenta, ao longo da sua rota da Jordânia para Gaza, incluindo o trânsito pela Cisjordânia”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, em comunicado visto pela Reuters.

    “Eles também danificaram caminhões de ajuda e jogaram na estrada ajuda humanitária que salva vidas”.

    A medida congela quaisquer bens que o grupo mantenha sob jurisdição dos EUA e impede os americanos de negociar com eles.

    O Democracy for the Arab World Now (DAWN), um grupo de direitos humanos com sede nos EUA, apelou esta semana a sanções dos EUA ao Tsav 9 e disse que o grupo angaria fundos de empresas israelenses e de organizações sem fins lucrativos israelenses e norte-americanas.

    A DAWN afirmou num comunicado que tais grupos de vigilantes têm impunidade por parte das autoridades israelenses.

    Os palestinos e os grupos de direitos humanos há muito acusam os militares e a polícia israelenses de não intervirem deliberadamente quando os colonos atacam os palestinso na Cisjordânia.

    Israel prendeu quatro dos envolvidos no ataque de 13 de maio, incluindo um menor, segundo advogados.

    “Continuaremos a usar todas as ferramentas à nossa disposição para promover a responsabilização daqueles que tentam empreender ou perpetrar tais atos hediondos”, disse Forsberg. “Levantamos esta questão a todos os níveis do governo de Israel e esperamos que as autoridades israelenses façam o mesmo”.