EUA enviam militares ao Equador em operação contra o narcotráfico

Acordo entre os países prevê atividades para combater o crime organizado e inspeções em embarcações suspeitas

Ana Maria Canizares, da CNN em Espanhol
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Em meio às crescentes tensões no Caribe, que aumentaram a pressão sobre a Venezuela, o governo Trump está expandindo sua presença militar na América Latina.

A Embaixada dos EUA no Equador informou nesta quarta-feira (17) que militares da Força Aérea dos EUA chegaram ao Equador para participar de uma operação temporária contra o narcotráfico na cidade costeira de Manta, província de Manabí.

O Ministério da Defesa dos EUA confirmou à CNN que, entre segunda e terça-feira, duas aeronaves Boeing C-17 americanas permaneceram no aeroporto de Manta por algumas horas para entregar equipamentos militares antes de deixarem o país.

A embaixada deu as boas-vindas aos militares americanos no Equador e declarou que a operação conjunta está em conformidade com os acordos assinados pelos dois países com foco em estratégia bilateral e segurança a longo prazo.

O Ministério reiterou que as informações sobre essas operações são sigilosas, embora não tenha revelado sua finalidade.

"A missão deles será focada em fornecer informações e fortalecer as capacidades do Equador na luta contra o narcotráfico", acrescentou.

O presidente do país, Daniel Noboa, disse que a operação faz parte de uma estratégia de segurança a longo prazo. 

“Com o apoio dos Estados Unidos, lançamos uma operação temporária em Manta com a Força Aérea Equatoriana, como parte de uma estratégia bilateral de segurança de longo prazo. Esta operação nos permitirá identificar e desmantelar rotas de narcotráfico e levar à justiça aqueles que pensaram que poderiam tomar o controle do país”, afirmou Noboa.

O que implicam os acordos?

Em 2023, o Equador e os Estados Unidos assinaram três acordos militares para operações conjuntas contra o crime organizado.

Os acordos, posteriormente revisados pelo governo Noboa, permitem operações militares conjuntas entre as forças de ambos os países para combater o crime organizado e a insegurança no Equador.

Nos últimos anos, esses recursos possibilitaram o fortalecimento das operações conjuntas com os EUA para controlar o narcotráfico e detectar embarcações suspeitas.

“A operação fortalecerá a capacidade das Forças Armadas do Equador de combater o narcoterrorismo, incluindo o aprimoramento da coleta de informações e das capacidades de combate ao narcotráfico, e tem como objetivo proteger os Estados Unidos e o Equador de ameaças comuns”, afirmou a Embaixada dos EUA.

Os acordos, entre outras coisas, concedem privilégios, isenções e imunidades ao pessoal dos EUA e autorizam os EUA a exercer jurisdição criminal sobre seu pessoal enquanto este estiver em território equatoriano.

Preveem a isenção do pessoal dos EUA de impostos e inspeções sobre a importação, exportação e uso de quaisquer bens pessoais, equipamentos, suprimentos, tecnologia ou serviços.

Elas permitem a livre circulação, em território equatoriano, de aeronaves, navios e veículos operados pelo Departamento de Defesa dos EUA, bem como a livre aquisição de suprimentos, equipamentos e serviços. Autorizam o uso do espectro de radiofrequências e a operação de sistemas e frequências de telecomunicações para garantir plena capacidade operacional.

A Marinha equatoriana autorizará Washington a abordar e inspecionar embarcações suspeitas.

O Equador permitirá que aeronaves dos EUA operem em seu espaço aéreo nacional e autorizará os EUA a transmitir ordens à Força Aérea Equatoriana em caso de atividade suspeita.