EUA: Mais de 2,6 mil latinos foram mortos pela polícia nos últimos seis anos

Pesquisa divulgada pela ONG UnidosUS indica que mortes dessa etnia estão subestimadas; especialistas cobram criação de banco de dados com informações precisas

Nicole Chavez, da CNN

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Embora o verdadeiro alcance do impacto da violência policial seja difícil de quantificar, um novo relatório indica que mais de 2.600 latinos foram mortos pela polícia, ou sob custódia dela, nos Estados Unidos, desde 2014.

O relatório divulgado quinta-feira (27) pela UnidosUS em parceria com um grupo de pesquisadores, acadêmicos, ativistas e familiares de latinos mortos pela polícia, indica que as mortes dessa etnia estão subestimadas e que é preciso avançar para criar um banco de dados preciso que reúna informações de etnia.

Como parte de seu esforço inicial e da consciência das limitações de seu método, Projeto de Banco de Dados Raza – um grupo recém-formado –, analisou oito bancos de dados nacionais que rastreiam assassinatos policiais e usam uma combinação de reportagens e registros públicos. 

Os pesquisadores analisaram mais de perto os casos que foram identificadas como “Branco”, “Outro” ou “Desconhecido” e compararam os nomes aos conjuntos de dados de sobrenomes do Censo dos Estados Unidos de 2010 para detectar qualquer indivíduo que possa ter sido identificado incorretamente.

Entre 2014 e 9 de maio de 2021, houve um total de 15.085 pessoas mortas sob custódia policial ou em confrontos com policiais, segundo o relatório.

Após a análise do grupo, o número de latinos aumentou cerca de 24%, de 2.139 para 2.653, afirma o relatório. O número de mortes de asiático e nativos americanos também aumentou significativamente.

Mas essas descobertas não devem ser consideradas finais, pois seu método pode levar tanto a uma contagem excessiva quanto a uma contagem insuficiente, disse o relatório.

Roberto Rodriguez, diretor do projeto, disse que as estimativas do grupo não são abrangentes, mas oferecem uma visão mais precisa, especialmente por causa das lacunas na coleta de dados no nível governamental.

O grupo observou que os números provavelmente ainda são subestimados para latinos e pessoas de cor porque eles podem não ter sobrenomes de origem hispânica.

Protesto em Chicago após Adam Toledo, de 13 anos, ser morto pela polícia
Centenas protestam em Chicago após Adam Toledo, de 13 anos, ser morto pela polícia
Foto: Jacek Boczarski – 16.abr.2021/Anadolu Agency via Getty Images

Nos últimos anos, vários ativistas e meios de comunicação assumiram a responsabilidade de coletar dados sobre a violência policial porque não existe um banco de dados federal com essas informações nos EUA.

Mas eles descobriram que as agências de segurança frequentemente agrupam as pessoas em categorias raciais mais amplas e não em etnias.

“Não há padronização de como as pessoas são rotuladas e não há centralização”, disse Rodriguez, que também é autor e ex-professor associado da Universidade do Arizona. “Todos esses grupos estão fazendo o trabalho do governo.”

Janet Murguía, presidente e CEO da UnidosUS, disse que as descobertas do grupo são uma “indicação perturbadora” de que o policiamento excessivo em comunidades negras pode ser mais difundido do que se pensava anteriormente.

“Os números que já conhecíamos são inaceitáveis; esses novos números são inescrupulosos”, disse Murguía, em um comunicado. “Esses dados exigem consideração imediata por aqueles no Congresso que estão trabalhando na legislação de reforma da aplicação da lei para garantir que suas soluções realmente reflitam o escopo do problema.”

Rodriguez disse que o grupo planeja expandir as descobertas divulgadas na quinta-feira e investigar a questão dos latinos mortos por policiais ou enquanto estavam sob custódia de autoridades.

O relatório foi divulgado no momento em que os pedidos de responsabilização da polícia entre a comunidade hispânica aumentaram nos últimos meses, após a morte de meninos e homens latinos em confrontos com a polícia.

Em Chicago, Adam Toledo, de 13 anos, e Anthony Alvarez, de 22 anos, foram mortos por policiais no final de perseguições a pé em março.

Os dois casos causaram indignação e protestos, com os membros da comunidade exigindo mudanças nas práticas e políticas do Departamento de Polícia da cidade que fizeram a prefeita Lori Lightfoot anunciar no mês passado que o departamento deve implementar uma nova política de perseguição a pé nos próximos meses.

Enquanto isso, na Califórnia, a família de Mario Gonzalez Arenales busca justiça para o jovem de 26 anos que morreu em 19 de abril. Ele morreu sob custódia policial em Alameda, Califórnia, depois de ser detido por cerca de cinco minutos em um parque local. Os policiais estavam respondendo a chamados separados sobre um homem que parecia estar embriagado e um possível roubo.

Na próxima semana, a família de Sean Monterrosa realizará uma série de eventos para homenagear sua vida e aumentar a conscientização sobre a questão da brutalidade policial entre negros e pardos. 

Monterrosa, 22, foi baleado e morto por um oficial em Vallejo, Califórnia, no ano passado, apenas uma semana após a morte de George Floyd em Minneapolis. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, anunciou recentemente que o estado analisará o caso de Monterrosa.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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