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    EUA, México, Rússia: Veja países que vão realizar eleições em 2024

    Mais de 2 bilhões de eleitores em 50 países irão às urnas, de acordo com o Center for American Progress

    Eleitor participa de votação das primárias nos Estados Unidos
    Eleitor participa de votação das primárias nos Estados Unidos Foto: Matt Sullivan/ Reuters

    Sofía Benavidesda CNN

    O ano de 2024 será um ano repleto de eleições para governo em todo o mundo. Mais de 2 bilhões de eleitores em 50 países irão às urnas, de acordo com o Center for American Progress.

    Com número recorde de pleitos, é provável que estas eleições definam o futuro do planeta e da humanidade nos próximos anos.

    Por outro lado, os resultados dessas votações podem ser uma demonstração do perigo crescente para a saúde da democracia.

    As eleições presidenciais em Taiwan poderão abrir uma fase de novas tensões com a China. Na Índia, espera-se que o primeiro-ministro Narendra Modi consiga um raro terceiro mandato na maior democracia do mundo.

    E as eleições russas serão uma formalidade, com Vladimir Putin tentando manter o poder até 2030, mesmo com crescentes perdas militares na Ucrânia. Do outro lado da trincheira, Volodymyr Zelensky também poderá medir a sua própria popularidade e da sua estratégia militar nas urnas.

    Já os Estados Unidos terão eleições com Donald Trump, rodeado de polêmicas, à procura de vingança após a derrota em 2020.

    Especialista reitera risco para democracia

    “O atual contexto global é marcado pela desconfiança nas instituições e pela desinformação que influencia o discurso público. A chegada de novas tecnologias como a Inteligência Artificial regenerativa agrava os riscos existentes e reduz as barreiras à contribuição para o ecossistema do país”, disse Megan Shahi, diretora do Centro para o Progresso Americano.

    “Também existem as tensões internacionais com as recentes guerras e uma grande disposição dos políticos de colocar os seus cidadãos contra outras nações para obter ganhos políticos”, ponderou.

    Shahi ressalta que as eleições deste ano mostrarão se os cidadãos vão continuam virando as costas às normas democráticas e procurar alternativas, “ou se vão corrigir o rumo quando virem os perigos do caminho em que estamos”.

    “Há muitos riscos. O mais crítico é que estamos vivendo uma tendência global de declínio acentuado da democracia como estrutura de governo ideal nas cabeças das pessoas, juntamente com a aceitação de líderes que impõem as suas próprias agendas em vez de servirem os interesses coletivos”, explicou.

    Veja um resumo das eleições que poderão mudar o rumo político do mundo nos próximos anos:

    Donald Trump, cercado de polêmicas, busca vitória nos EUA

    Os Estados Unidos terão uma série de eleições em 2024: várias primárias durante parte do ano vão definir os candidatos dos dois principais partidos, Republicano e Democrata, para as eleições presidenciais, que ocorrerão no mês de novembro.

    Donald Trump, favorito na corrida republicana, procurará representar o seu partido, ao mesmo tempo que enfrenta múltiplas batalhas judiciais, incluindo duas acusações federais.

    Além disso, o empresário teve duas decisões sobre inelegibilidade nos estados de Maine e Colorado, ligadas ao seu papel na insurreição no Capitólio em 6 de janeiro de 2021. A equipe jurídica de Trump entrou com recurso das decisões estaduais.

    Do lado democrata, Joe Biden é o atual presidente e já anunciou que buscará a reeleição, tornando-se assim o candidato titular.

    No entanto, há democratas que poderiam desafiá-lo nas primárias, incluindo o deputado Dean Phillips, de Minnesota, e a escritora Marianne Williamson, mas ambos ainda não tiveram muito apoio, segundo as últimas sondagens.

    México deve eleger uma presidente

    O México deve eleger sua primeira presidente mulher em junho de 2024, depois que Claudia Sheinbaum e Xóchitl Gálvez se tornaram favoritas na disputa eleitoral.

    Embora não sejam as primeiras mulheres a aspirar à Presidência no país (outras seis já disputaram o cargo), são as primeiras a alcançar consenso sobre o apoio dos principais partidos políticos do país.

    Claudia Sheinbaum concorrerá pelo partido governista Movimento de Regeneração Nacional e seus partidos aliados, o Trabalhista e o Ecologista Verde do México.

    Do lado da oposição, Xóchitl Gálvez será a candidata da Frente Ampla para o México, uma coligação que reúne os partidos Ação Nacional, Revolucionário Institucional e Revolução Democrática.

    Esta é uma eleição em aberto, na qual o tráfico de drogas, o crime organizado e a migração para os EUA dominarão a agenda política.

    Bukele busca a reeleição em El Salvador

    El Salvador irá às urnas no dia 4 de fevereiro, e Nayib Bukele buscará a reeleição, apesar dos questionamentos da oposição, que garante que ao menos cinco artigos da Constituição proíbem o candidato de concorrer a um segundo mandato.

    O Supremo Tribunal Federal do país, de maioria pró-governo, estipulou que para evitar que um presidente que opte pela reeleição não prevaleça no cargo, ele deverá deixar o posto seis meses antes do início do novo mandato.

    Por conta disso, Bukele pediu licença a partir do dia 30 de novembro para se dedicar à campanha eleitoral.

    Após quatro anos na Presidência, Bukele busca a reeleição com altos níveis de popularidade, construídos principalmente em torno de suas políticas de segurança, segundo algumas pesquisas como a de Cid Gallup.

    No entanto, os defensores dos direitos humanos no país e no exterior questionam os seus métodos, porque os consideram uma violação dos direitos humanos.

    Incerteza paira sobre eleições na Venezuela

    A Venezuela também terá eleições em 2024, embora ainda não esteja definida a data do pleito e quem serão os candidatos do partido no poder e da oposição.

    Do lado do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), foi o próprio Nicolás Maduro, que está no poder há 10 anos, desde a morte de Hugo Chávez, quem questionou uma possível candidatura, dizendo uma entrevista que era “prematura” essa definição.

    Mas não há mais certezas do lado da oposição. Em outubro de 2023, a Comissão Nacional das Primárias da Venezuela (CNP) proclamou María Corina Machado como a vencedora das primárias da oposição para as eleições marcadas para 2024.

    No entanto, Machado se tornou inelegível por uma medida imposta pela Controladoria-Geral da Venezuela por supostamente não incluir o pagamento de benefícios alimentares em sua declaração juramentada de bens. A líder da oposição insiste que a desqualificação é ilegal.

    Parlamento Europeu será a única eleição supranacional

    Depois de cinco anos, o Parlamento Europeu irá às urnas entre 6 e 9 de junho de 2024, para uma nova configuração que poderá mudar o destino do bloco.

    Os nove países que votarão nos seus deputados este ano devem esperar, segundo os especialistas, que as tendências para a fragmentação política e as dificuldades na construção de maiorias continuem.

    O desencanto com os partidos tradicionais e com a política em termos gerais também gerará, como tem acontecido até agora, o surgimento ou o reforço de partidos de menor expressão ou que estão em ascensão, muitos deles de linha dura, como é o caso do Vox na Espanha.

    É também possível que, paradoxalmente, as posições “eurocéticas” avancem no próximo Parlamento do bloco europeu.

    Especificamente, estas eleições serão uma oportunidade para a ascensão de partidos populistas, que são contra a imigração e os da extrema-direita na França, Alemanha e Bélgica, entre outros países.

    Rússia e Ucrânia: eleições em ambos os lados da trincheira

    A guerra da Rússia na Ucrânia completará dois anos no dia 24 de fevereiro, e as eleições nos dois países funcionarão como um termômetro para ambos, podendo também definir o rumo do conflito daqui para frente.

    No caso da Rússia, as eleições presidenciais são talvez o que há de mais próximo de uma espécie de teatro político. Putin não tem rivais sérios, porque o seu adversário mais proeminente, Alexey Navalny, está numa prisão a cerca de 65 quilômetros a norte do Círculo Polar Ártico.

    Além disso, os meios de comunicação retratam o presidente em exercício como o homem indispensável da Rússia. Mas a votação será um importante ritual público para o líder do Kremlin, que deve assegurar o poder até ao final da década.

    Do outro lado, embora 2024 tenha sido o ano planejado para eleições presidenciais na Ucrânia, ainda há dúvidas sobre a relevância da sua realização no meio de um conflito que está prestes a entrar no seu terceiro ano.

    Em qualquer caso, o presidente Volodymyr Zelensky enfrentará uma escassez de munições e equipamentos, enquanto tenta navegar pelas dificuldades de um mundo que está com um novo conflito nas manchetes: o de Israel e Hamas, no Oriente Médio.

    Também deve enfrentar as divisões nos países dos seus aliados ocidentais, principalmente nos EUA e na Europa.

    Eleições na maior democracia do mundo: Índia

    A Índia realizará as eleições mais importantes do mundo, demograficamente falando, durante abril e maio.

    Espera-se que o atual primeiro-ministro Narendra Modi, juntamente com o seu partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP), ganhe um terceiro mandato com políticas populares, mas religiosamente divisivas.

    Apesar dos problemas relacionados com a inflação e o poder de compra, Modi desfruta de um amplo apoio entre a maioria hindu da Índia, baseada no patriotismo e numa política externa confiante.

    Os críticos respondem que o espírito fundador da Índia, outrora secular e democrático, está ficando em segundo plano e que as minorias se sentem inseguras.

    *com informações de Bianca Nobilo, Stephen Collinson, Nathan Hodge, Ivonne Valdés, Merlin Delcid e Krupskaia Alís, da CNN

    Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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