EUA avançam em acordo para garantir acesso ao petróleo da Venezuela

Proposta permitiria que companhias americanas desenvolvessem áreas de petróleo e garantissem o fornecimento exclusivo aos Estados Unidos

Da Reuters

Funcionários do governo Trump estão trabalhando em um acordo para garantir acesso de longo prazo a parte das reservas de petróleo bruto da Venezuela, disseram na quinta-feira (27) fontes com conhecimento das negociações, uma medida que poderia, em última instância, reduzir o custo das importações de petróleo.

O acordo, que poderia ser assinado e divulgado em breve, deve funcionar de forma a permitir que o governo dos EUA garanta um grupo de campos de petróleo venezuelanos para serem desenvolvidos por empresas americanas, disseram as fontes, acrescentando que o fornecimento resultante seria garantido para os Estados Unidos.

“Isso é real e está sendo discutido nos mais altos níveis dos governos dos EUA e da Venezuela”, disse uma das fontes.

Outra fonte afirmou que um “arrendamento” está sendo considerado como modelo jurídico para viabilizar o acordo, seguido por um leilão ou processo de licitação para distribuir cada um dos campos entre produtores americanos.

Uma lista de 17 campos em negociação, vista pela Reuters, inclui áreas inexploradas na vasta Faixa do Orinoco, combinadas com áreas maduras no Lago de Maracaibo. Algumas delas são atualmente operadas por uma pequena empresa chinesa, cujo contrato foi assinado durante o governo Maduro.

A Casa Branca encaminhou as perguntas ao Departamento de Energia dos EUA. O Ministério do Petróleo da Venezuela, a estatal PDVSA e o Departamento de Energia dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Não foi possível contatar a ministra do Petróleo venezuelana, Paula Henao, para obter comentários.

A Venezuela está considerando deixar a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) enquanto estreita os laços com os EUA, informou a Bloomberg na noite de quinta-feira. A Venezuela, que se juntou ao grupo como membro fundador em 1960, não cumpre as cotas da Opep há anos, enquanto sua indústria petrolífera estatal sofre com abandono e corrupção. Os EUA há muito tempo divergem da Opep por causa de sua influência sobre os preços do petróleo.

A atual legislação de hidrocarbonetos da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, não prevê arrendamentos de áreas petrolíferas, enquanto a Constituição reserva ao Estado as atividades centrais do setor.

Desafios legais

A legislação petrolífera recentemente reformada permite a operação de campos de petróleo por meio de empresas mistas e contratos de partilha de produção. Durante décadas, o governo venezuelano impediu que produtores estrangeiros contabilizassem as reservas de petróleo do país.

Embora todos os detalhes do possível acordo entre Washington e Caracas ainda não sejam conhecidos, ele poderia levantar questões constitucionais e enfrentar desafios legais, segundo especialistas.

A Axios informou primeiro sobre as negociações na quinta-feira e disse que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, planeja viajar para Caracas já na próxima semana.

Desde que os EUA capturaram e destituíram o ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro, Washington vem tentando garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas, ao mesmo tempo em que promove investimentos dos EUA na deteriorada indústria energética do país-membro da Opep, que atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

O governo do presidente Donald Trump está sob pressão antes das eleições de meio de mandato previstas para o fim deste ano devido ao aumento dos preços da gasolina, que poderiam ser reduzidos por meio de suprimentos de petróleo mais baratos e de uma maior produção. Os EUA também vêm buscando soluções para recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), o estoque de petróleo bruto do país, incluindo a possibilidade de realizar trocas de petróleo com produtores americanos.

A SPR atualmente armazena cerca de 290 milhões de barris em cavernas subterrâneas de sal, aproximadamente 41% de sua capacidade total. A falta de recursos e a manutenção contínua da reserva limitaram os esforços do governo para reabastecê-la depois que os EUA recorreram ao estoque após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e, novamente, depois que começou a guerra com o Irã em fevereiro.

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