EUA realizam novos ataques contra alvos do Estado Islâmico na Nigéria

Países fizeram operações conjuntas para combater grupo; comandante de alto escalão foi morto na última semana

Da Reuters
Compartilhar matéria

O Africom (Comando Africano dos Estados Unidos) e as Forças Armadas da Nigéria informaram nesta segunda-feira (18) que realizaram novos ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no nordeste da Nigéria no domingo (17), intensificando as operações conjuntas contra grupos armados.

As operações na região do Lago Chade, que se estende por quatro países, ressaltam a prontidão dos EUA para combater grupos diretamente na África, que agora é o foco do Estado Islâmico.

O quartel-general da Defesa da Nigéria afirmou que os ataques mais recentes foram realizados na área de Metele, no estado de Borno, no nordeste do país, após informações de inteligência indicarem a concentração de combatentes no local.

Múltiplos ataques aéreos mataram mais de 20 integrantes do ISWAP (Estado Islâmico da Província da África Ocidental), segundo um comunicado das Forças Armadas da Nigéria. A agência de notícias Reuters não conseguiu confirmar o número de mortos de forma independente.

O Africom afirmou que nenhum militar americano ou nigeriano ficou ferido na operação.

Os ataques de domingo (17) ocorreram um dia após uma missão conjunta entre os EUA e a Nigéria, que incluiu ataques aéreos e uma operação terrestre que resultou na morte de Abu-Bilal al-Minuki, descrito por ambos os governos como o segundo em comando do Estado Islâmico em nível global.

Estado Islâmico volta a olhar para a África

Desde que sofreu graves reveses no Oriente Médio, o Estado Islâmico voltou sua atenção para a África, que representou 86% da atividade global do grupo nos primeiros três meses de 2026, segundo a organização de monitoramento de crises ACLED (Armed Conflict Location & Event Data).

O nordeste da Nigéria é a principal base da maior facção, o ISWAP, mas outros braços operam na região do Sahel, bem como na Somália, em Moçambique e no Congo.

Al-Minuki era um líder regional do Estado Islâmico que dirigia o Escritório Al Furqan do grupo, responsável pela gestão de assuntos globais, incluindo a coordenação do financiamento.

A posição de Al-Minuki ressaltou a crescente importância da África para o grupo, também conhecido pelo nome de sua operação anteriormente dominante no Oriente Médio, o Eiil (Estado Islâmico do Iraque e do Levante).

"Este é um duro golpe para o Eiil e para seu plano de mudar o foco para a África. Eles terão dificuldades para substituí-lo", disse à Reuters Colin Smith, coordenador da equipe das Nações Unidas que monitora a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, descreveram a morte de Al-Minuki, um cidadão nigeriano, como um grande revés para o grupo terrorista.

Trump, que já havia criticado a Nigéria por questões de segurança, agradeceu ao governo pela cooperação.

Os militares nigerianos afirmaram que as operações mais recentes fazem parte de esforços contínuos para desmantelar as redes insurgentes, remover combatentes do campo de batalha e negar-lhes refúgio.

O estado de Borno sofre com uma insurgência de 17 anos liderada pelo Boko Haram e pelo ISWAP. O conflito já matou milhares de pessoas e deslocou cerca de 2 milhões.