EUA testam tecnologia antidrones contra cartéis na fronteira com o México
Criminosos intensificam uso de drones; em resposta, Exército americano busca reproduzir rápida inovação da tecnologia vista na guerra entre Rússia e Ucrânia

O Exército dos Estados Unidos está testando tecnologia antidrones na região da fronteira com o México, em uma tentativa de aprimorar suas defesas contra a crescente ameaça do uso de drones por cartéis e reproduzir a rápida inovação no campo de batalha observada na guerra da Ucrânia contra a Rússia.
No Falcon Peak, um exercício do Comando Norte dos EUA realizado na semana passada no Arizona, soldados acompanharam demonstrações de empresas de defesa que apresentaram radares, drones interceptadores, sistemas autônomos de armas e outras tecnologias desenvolvidas para detectar, rastrear e destruir pequenas aeronaves não tripuladas.
Oficiais do Exército disseram que os drones que atravessam a fronteira sul são normalmente equipamentos vendidos comercialmente e usados por criminosos para vigilância relacionada a operações de tráfico de drogas e de pessoas.
O general de brigada Brian Filler, vice-comandante de operações da Força-Tarefa Conjunta da Fronteira Sul, disse a repórteres que os militares detectaram 378 incursões de drones nos 30 dias anteriores e que a tendência estava aumentando.
“Estamos vendo, em grande parte, drones comerciais disponíveis no mercado”, disse Filler, acrescentando que a maioria carrega câmeras de vigilância e costuma ser observada ao lado de movimentações através da fronteira.
Os militares dos EUA disseram no início deste mês que haviam derrubado 11 drones de cartéis usando lasers desde que começaram a empregar a tecnologia ao longo da fronteira sul, em agosto.
Planejadores militares correm para acompanhar as lições da Ucrânia, onde os drones transformaram o campo de batalha e impulsionaram uma rápida inovação tanto em sistemas ofensivos quanto defensivos.
Autoridades militares ressaltam que os drones operados por cartéis não são comparáveis aos sofisticados equipamentos utilizados no campo de batalha na Ucrânia ou no Oriente Médio. Mas afirmam que a fronteira oferece um ambiente operacional valioso para testar equipamentos, treinar soldados e avaliar o desempenho dos sistemas fora das condições controladas de um laboratório.
O exercício destacou a crescente adesão do Pentágono a empresas de tecnologia de defesa financiadas por capital de risco. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, investidores injetaram bilhões de dólares em empresas como Anduril, Shield AI, Saronic e uma série de startups menores de drones e sistemas antidrones que buscam contratos militares.
O drone Ghost, da Anduril, foi apresentado nas demonstrações, assim como o sistema de detecção por radar e câmera produzido pela Teledyne FLIR, a metralhadora automatizada antidrones “Bullfrog”, produzida pela Allen Control Systems, e um drone interceptador vendido pela Powerus, que abriu capital na quinta-feira após uma fusão com uma empresa apoiada pelos filhos do presidente dos EUA, Donald Trump.
Autoridades disseram que parte do objetivo é reproduzir o rápido ciclo de desenvolvimento observado na Ucrânia.
“Temos a tendência de olhar para a Ucrânia e dizer: ‘Estou impressionado com a rapidez com que eles conseguem se adaptar diariamente ou semanalmente’”, disse o general de brigada Matt Ross a repórteres.
“O que deveríamos realmente fazer é reproduzir esse processo.”


