EUA: todos estados estão em situação de desastre pela 1ª vez na história

É a primeira vez que todas as unidades federativas do país declaram este nível de emergência ao mesmo tempo

Homem caminha pela Wall Street, em Nova York, em meio às preocupações com o avanço do novo coronavírus nos EUA (18.mar.2020)
Homem caminha pela Wall Street, em Nova York, em meio às preocupações com o avanço do novo coronavírus nos EUA (18.mar.2020) Foto: Lucas Jackson/Reuters

Madeline Holcombe

Da CNN

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A pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 20 mil pessoas nos EUA, fez com todas unidades federativas do país declarassem situação de desastre ao mesmo tempo — algo inédito na história dos Estados Unidos.

O presidente Donald Trump aprovou no sábado (11) a declaração de desastre para Wyoming, o último estado a entrar no protocolo juntamente com as ilhas Virgens Americanas e Marianas Setentrionais, o Distrito de Columbia e Porto Rico. 

Há no país 529.951 casos e 20.608 mortes pela COVID-19, segundo dados da Universidade John Hopkins. E os estados estão sentindo o impacto da pandemia de diversas formas. 

Illinois anunciou o seu segundo maior dia de mortes no sábado, com 1.293 novos casos e 81 vítimas fatais. No sul da Flórida, famílias ficaram cinco horas em uma fila na porta do cassino Magic City para receber comida, reporta a WPLG, afiliada da CNN

Em Nova Jersey, o estado com o segundo maior número de casos do novo coronavírus, o prefeito de Newark, Ras Baraka, está pedindo para todos os negócios — até mesmo os considerados essenciais — ficarem fechados às segundas-feiras do mês de abril, num movimento batizado de “Be Still Mondays”. 

O objetivo é evitar que o vírus se espalhe ainda mais já o que número de mortes no estado não para de crescer. “Conseguimos recuperar todo o resto. O que não conseguimos recuperar é a vida das pessoas”, disse Baraka.

Departamento de Justiça luta contra restrições religiosas

Com o feriado judaico do Pessach (Páscoa judaica) na quarta-feira (8) e a Páscoa no domingo (12), estados estão utilizando novas abordagens para serviços religiosos num momento em que o distanciamento social é uma das chaves na luta contra o vírus.

Algumas famílias e congregações transferiram celebrações e cultos para plataformas online, mas outros continuaram se reunindo, fazendo com que líderes locais tomassem medidas para interromper este tipo de atividade.

No Kentucky, autoridades vão registrar as placas dos carros daqueles que forem até estes encontros e entregarão as informações para o departamento de saúde, que por sua vez determinará que estes indivíduos fiquem em quarentena por 14 dias. A medida foi anunciada pelo governador Andy Beshear.

Já no Novo México, a governadora Michelle Lujan Grisham disse que o estado criou uma emenda de saúde pública banindo grandes aglomerações, inclusive em locais religiosos.

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Na noite de sábado, o Departamento de Justiça disse que irá tomar ações na próxima semana contra regulações que digam respeito a instituições religiosas. Diversos tribunais já estão fazendo audiências sobre estas regulações, mas o DOJ afirma que pode processar as autarquias juntamente com as igrejas. 

O prefeito de Louisville, no Kentucky, tentou impedir que uma igreja realizasse uma missa de Páscoa por drive-in, mesmo que lojas de drive-in, como as de bebida, sejam permitidas sob a política de quarentena do estado. Um juiz federal expediu uma ordem de proteção temporária que reverteu a decisão.

Esforços para reabrir país podem fazer número de casos voltar a crescer

Trump disse na noite de sábado que espera tomar uma decisão em breve sobre quando reabrir o país que se encontra “fechado” por conta da pandemia. Ele afirmou que irá nomear um conselho para examinar o assunto e baseará sua decisão em “fatos” e “instintos”. 

“Eu vou ter que tomar uma decisão e rezo para Deus para que seja a decisão correta”, disse o presidente na sexta-feira (10). “Mas eu posso dizer que, sem dúvidas, é a maior decisão que eu já tive que tomar.”

Há duas semanas, Trump havia dito que queria reabrir o país até a Páscoa, mas voltou atrás e, na sexta, afirmou que não faria nada até saber que os EUA estavam seguros novamente. Internamente, membros do governo fazem pressão para que a reabertura ocorra até maio, com discussões específicas ocorrendo sobre essa data ser no dia 1º de maio, uma fonte próxima à conversa revelou à CNN.

Mas as projeções do governo, obtidas pelo “New York Times”, mostram que, se daqui a um mês as ordens de quarentena forem retiradas, haverá um aumento na demanda por respiradores e o número de mortes poderá ter um aumento dramático, na casa de 200 mil, reportou o jornal.

O Institute for Health Metrics and Evaluation da University de Washington projeta que, se o país mantiver medidas de distanciamento social até o final de maio, cerca de 61,5 mil norte-americanos devem morrem em consequência da COVID-19 até agosto.

“Se a gente interromper no dia 1º de maio, estamos projetando que voltaremos ao ponto que estamos agora no meio de julho”, disse à CNN Chris Murray, diretor do instituto. “Há um risco substancial que os casos voltem a aumentar se não esperarmos o ponto em que as transmissões se aproximem de zero em cada estado.”

Prefeito e governador de Nova York batalham por medidas de fechamento de escolas

Em Nova York, o prefeito Bill de Blasio anunciou que as escolas da cidade permanecerão fechadas até o fim do ano escolar, com os alunos recebendo instruções remotas. 

Pouco depois a medida foi desautorizada pelo governador Andrew Cuomo, que afirmou que “nenhuma decisão” havia sido tomada sobre fechar escolas até o fim do ano. Acrescentou ainda que valorizava a “opinião” do prefeito.

“Talvez a gente faça isso, mas será feito de maneira coordenada com outras localidades”, disse Cuomo, acrescentando: “não faz sentido uma localidade fazer este tipo de ação se não for coordenada com as outras.”

De Blasio disse no sábado à noite que ele e o governador iriam sempre “resolver as coisas com base no interesse da população”.

“Mas, no final das contas, a responsabilidade é minha. Não é do governo federal e nem do estadual. Minha responsabilidade não é com outro governante eleito. Minha responsabilidade é com aquelas crianças, com aqueles pais, com aqueles educadores que precisam estar bem”, afirmou De Blasio.

Além disso, Cuomo disse que não havia tomado uma decisão sobre quando os negócios reabrirão. Esse passo, disse, deve ser coordenado com as escolas.

“O estado reunirá as melhores mentes para estudar se reabrir a economia despertará uma segunda onda de infecções”, disse Cuomo. “A pior coisa que pode ocorrer é dar um passo em falso e deixar nossas emoções passarem na frente da lógica e dos fatos, fazendo com que a gente passe por este problema de novo.”

 

 

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