EUA x China: que país emite mais gases causadores do efeito estufa?

Juntas, potências mundiais emitem quase 40% desses gases; Brasil também está entre os maiores emissores do planeta

EUA e China são os dois maiores emissores mundiais
EUA e China são os dois maiores emissores mundiais CNN Illustration

Helen ReganCarlotte Dottoda CNN

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A China e os Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, então qualquer tentativa de enfrentar a crise climática precisa envolver cortes profundos nas emissões dessas duas poderosas nações.

As emissões chinesas são atualmente mais do que o dobro das americanas, mas, historicamente, os EUA emitiram mais do que qualquer outro país no mundo.

Há muitos fatores a serem considerados ao julgar as credenciais climáticas de um país e, à medida que os líderes se reúnem na Escócia para a COP26 a partir deste domingo (31), os planos destes dois países estarão em destaque.

Veja como os dois se comparam.

Gráfico Emissões EUA x China
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Em 2006, a China ultrapassou os Estados Unidos como o maior emissor mundial de dióxido de carbono (CO2) — gás do efeito estufa mais abundante na atmosfera.

Em 2019, o último ano antes da pandemia, as emissões destes gases pela China foram quase 2,5 vezes maiores do que as dos Estados Unidos e mais do que todos os países em desenvolvimento juntos, de acordo com uma análise do Grupo Rhodium.

Em termos equivalentes de CO2 — forma de medir todos os gases de efeito estufa como se fossem CO2 — o país asiático emitiu 14,1 bilhões de toneladas métricas em 2019, mais de um quarto das emissões totais do mundo.

Em contraste, os EUA foram responsáveis ​​por 5,7 bilhões de toneladas, 11% do total das emissões mundiais, seguidos pela Índia (6,6%) e pela União Europeia (6,4%).

As emissões registradas pelos cientistas vêm de qualquer coisa movida a combustíveis fósseis, incluindo carros movidos a gasolina, voos, aquecer e iluminar edifícios com energia a base de carvão, gás natural ou petróleo, bem como da indústria de energia. Outras fontes, como emissões por desmatamento, também estão incluídas.

Gráfico Emissões EUA x China
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Nenhum país do mundo lançou mais gases de efeito estufa na atmosfera do que os Estados Unidos. E por muito.

Embora a China seja de longe o maior emissor hoje, esse nem sempre foi o caso. Isso é importante porque as emissões liberadas até mesmo centenas de anos atrás contribuíram para o aquecimento global hoje. O mundo já aqueceu 1,2ºC desde o início da Revolução Industrial, e os cientistas dizem que é preciso mantê-lo em até 1,5ºC para evitar o agravamento dos impactos da crise climática.

As emissões de CO2 da China começaram a acelerar na década de 2000, à medida que o país se desenvolveu rapidamente. Os países avançados, como EUA, Reino Unido e muitos na Europa, vêm se industrializando — e gerando gases que alteram o clima no processo — há cerca de 200 anos. Muitos dos confortos de viver em um país desenvolvido vêm à custa do clima.

Desde 1850, a China emitiu 284 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, de acordo com uma nova análise da Carbon Brief, organização inglesa especializada em clima, energia e política. Os EUA, por outro lado, se industrializaram décadas antes e liberaram 509 bilhões de toneladas — quase o dobro.

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A China é um país enorme com 1,4 bilhão de habitantes, então faz sentido que emita mais do que as nações menores em geral. Mas nas emissões per capita, o chinês médio emite um pouco menos do que o americano médio.

Em 2019, as emissões per capita chinesas atingiram 10,1 toneladas. Em comparação, as americanas alcançaram 17,6 toneladas, segundo o Rhodium.

Em parte, isso se resume ao estilo de vida. Os americanos ganham mais dinheiro, possuem mais carros que consomem gasolina e voam mais do que o cidadão chinês médio, de acordo com o relatório de Transparência Climática de 2021, citando a empresa independente de pesquisa de energia Enerdata.

Isso não quer dizer que a China não deva reduzir suas emissões. A pegada de carbono per capita do país está rapidamente alcançando a das nações mais ricas — nos últimos 20 anos, quase triplicou.

Gráfico Emissões EUA x China
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Em 2020, os combustíveis fósseis representaram 87% da matriz energética doméstica da China, com 60% de carvão, 20% do petróleo e 7% do gás natural, de acordo com a Enerdata.

Nos Estados Unidos, 80% da matriz energética vêm de combustíveis fósseis. Desse total, 33% vêm do petróleo, 36% do gás natural e 11% do carvão, mostram os dados.

O gás natural produz menos emissões do que o carvão, mas ainda é prejudicial ao clima, e há preocupações crescentes de que os EUA e outras partes do mundo estejam investindo muito em gás em vez de alternativas renováveis.

A China é o maior usuário e produtor mundial de carvão, consumindo mais da metade do suprimento mundial. Não à toa o país é chamado “a fábrica do mundo”, por desenvolver muitos produtos e materiais para outras nações.

Os chineses também produzem mais da metade do aço e cimento do mundo, feitos da queima de carvão metalúrgico. Combustíveis alternativos para essas indústrias pesadas, como o hidrogênio verde, estão em desenvolvimento, mas ainda não estão amplamente disponíveis. As emissões apenas dessas duas indústrias na China são maiores do que as emissões totais de CO2 da União Europeia, por exemplo.

Para chegar a zero até 2050, 90% da geração global de eletricidade deve vir de fontes renováveis, com a energia solar e eólica respondendo por quase 70%, de acordo com a IEA.

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Embora a China seja o maior emissor do mundo e ainda dependa fortemente do carvão, também está produzindo grandes quantidades de energia renovável.

Em termos de matriz energética, China e Estados Unidos são quase iguais. Energias eólica, solar, hidrelétrica, geotérmica, bem como biomassa e resíduos, representam 10% do consumo da China.

Os EUA não estão longe, com 9%. Mas quase metade disso vem da biomassa, energia que deriva de substâncias que estiveram vivas recentemente, como madeira de árvores, algas ou dejetos de animais. Alguns especialistas e cientistas argumentam que nem sempre é verdadeiramente renovável.

Mas como a China usa muito mais energia no geral, produziu mais energia renovável do que os Estados Unidos em termos reais. Em 2020, o país asiático produziu 745.000 gigawatts-hora de energia eólica e solar, de acordo com a Enerdata. Por sua vez, os americanos produziram 485.000 gigawatts-hora.

Em termos de capacidade, no entanto, a China foi a líder global em 2020, quando construiu quase metade de todas as instalações de energias renováveis ​​do mundo, de acordo com o Relatório Global de Status de Energia Renovável.

Os chineses construíram vastos parques solares e eólicos. Também possui o maior mercado de veículos elétricos, com 38,9% da participação global das vendas de carros desse tipo, enquanto os Estados Unidos têm apenas 9,9%, segundo o relatório.

Qual o veredito?

Olhando para o futuro, os planos climáticos dos EUA são mais ambiciosos do que os da China — o presidente Joe Biden prometeu reduzir as emissões dos EUA até 2030, em relação aos níveis de 2005 — mas a China está em um estágio diferente de desenvolvimento, o que deve ser um fator para definir qual é a parcela justa do país na ação climática.

Também ainda não se sabe o quanto do projeto climático dos democratas americanos vai passar no Congresso.

A China expressa seus compromissos em termos de “intensidade de carbono”, que permite mais emissões quanto maior o Produto Interno Bruto (PIB), o que torna difícil compará-la com os Estados Unidos. O país asiático apresentou seu novo plano de emissões à Organização das Nações Unidas na quinta-feira (28), mas com melhoria modesta.

O Climate Action Tracker, que sintetiza as metas dos países, avalia as políticas internas americanas como melhores do que as chinesas, quase no caminho certo para conter o aquecimento global a 2ºC. Quando ajustados para considerar o que seria a parcela justa de cada país, ambos obtêm classificação de “altamente insuficiente”.

Em outras palavras, nenhum dos países está cortando carbono suficiente ou fazendo a transição para energias renováveis ​​rápido o suficiente para limitar o aquecimento a 1,5ºC.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)

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