Ex-cirurgião da França é condenado a 20 anos de prisão por abuso infantil

Médico foi acusado de estupro qualificado ou agressão sexual contra 299 vítimas

Juliette Jabkhiro, Makini Brice e GV De Clercq, da Reuters
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Um tribunal francês condenou nesta quarta-feira (28) o cirurgião aposentado, Joel Le Scouarnec, acusado de estuprar e abusar sexualmente de pacientes crianças, algumas delas sob efeito de anestesia, a 20 anos de prisão, após o maior julgamento de abuso infantil da história da França.

Le Scouarnec, 74, admitiu no tribunal ter “cometido atos desprezíveis” durante 25 anos, enquanto trabalhava como médico no oeste do país, em um julgamento que levantou questões incômodas para o sistema público de saúde.

O médico foi acusado de estupro qualificado ou agressão sexual contra 299 vítimas.

“Estou ciente de que o dano que causei é irreparável”, disse Le Scouarnec na abertura de seu julgamento em fevereiro.

“Devo a todas essas pessoas e seus entes queridos admitir minhas ações e suas consequências, que eles suportaram e continuarão tendo que suportar por toda a vida”, acrescentou.
acrescentou.

O julgamento ocorreu em um momento de acerto de contas em torno de crimes sexuais na França, após a condenação de Dominique Pelicot, considerado culpado em dezembro de drogar a própria esposa até deixá-la inconsciente e convidar dezenas de homens para estuprá-la em casa.

Le Scouarnec já cumpre pena de prisão por condenações anteriores por estupro.

Em 2020, ele foi condenado a 15 anos de prisão pelo estupro e agressão sexual de uma vizinha criança, bem como de suas duas sobrinhas e de uma paciente de 4 anos.

Vítimas e suas famílias questionaram publicamente por que as autoridades de saúde locais e nacionais não conseguiram deter Le Scouarnec.

Em 2005, ele foi condenado por baixar imagens de abuso sexual infantil e recebeu uma pena suspensa, mas conseguiu continuar trabalhando em hospitais públicos.

Décadas de abuso

Dezenas de vítimas e ativistas de direitos humanos se reuniram em frente ao tribunal antes do veredito, segurando uma faixa feita de centenas de pedaços de papel branco com silhuetas pretas, uma para cada vítima.

Alguns dos papéis continham o primeiro nome e a idade, enquanto outros se referiam à vítima como “Anônimo”.

A extensão dos abusos cometidos por Le Scouarnec foi revelada após sua nova prisão em 2017, sob suspeita de estuprar sua vizinha de 6 anos.

A polícia descobriu diários eletrônicos que pareciam detalhar mais de duas décadas de estupros e agressões sexuais contra jovens pacientes em hospitais da região, além de um esconderijo de bonecas sexuais, perucas e pornografia infantil.

O julgamento ocorreu em Vannes, uma pequena cidade na Bretanha.

O promotor local, cujo gabinete liderou a investigação sobre Le Scouarnec, abriu uma investigação separada para apurar se houve alguma responsabilidade criminal por parte de agências ou indivíduos que poderiam ter evitado o abuso.