Ex-funcionário de Trump é multado por lucrar com informações privilegiadas

Operador de teleprompter terá de devolver US$ 107.000 em lucros obtidos em suas operações, além de pagar uma multa de US$ 65 mil

Marshall Cohen, da CNN
Compartilhar matéria

Nesta sexta-feira (28), o governo dos Estados Unidos fechou um acordo em um caso de uso de informações privilegiadas envolvendo o operador de teleprompter de longa data do presidente Donald Trump, aplicando-lhe uma multa de US$ 65.000 (aproximadamente R$ 330.000) por negociações "ilícitas" em mercados de previsão relacionadas aos discursos de Trump.

O funcionário da Casa Branca, Gabriel Perez, também terá de abrir mão de US$ 107.000 (cerca de R$ 550.000) em lucros obtidos indevidamente com suas operações na plataforma Kalshi, segundo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a agência federal que regula sites de previsão.

A CFTC informou que, embora Perez tivesse "um dever de confiança e confidencialidade para com o governo dos EUA" e tenha "violado esses deveres", ele recebeu um "desconto substancial" na multa devido à sua "cooperação exemplar" com a investigação.

A CNN noticiou em julho que a CFTC estava investigando Perez. Na ocasião, a Casa Branca afirmou que Trump considerava as ações dele "francamente uma vergonha" e que ele ficaria afastado sem remuneração durante a investigação.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Este caso é o primeiro episódio conhecido de um funcionário da Casa Branca supostamente envolvido em um esquema de "insider trading" (uso de informações privilegiadas) em mercados de previsão, que tiveram um aumento explosivo de popularidade neste ano.

Como operador de teleprompter de longa data de Trump, Perez viajou e trabalhou com o presidente durante uma década.

Ele é um dos poucos assessores em quem o presidente confiava para cuidar de seus pronunciamentos e, frequentemente, era a última pessoa a ver os discursos de Trump antes de ele os proferir.

A CNN mantém uma parceria com a Kalshi e utiliza seus dados na cobertura de grandes eventos. No entanto, os profissionais da área editorial não têm permissão para utilizar plataformas de previsão.

"Você enfrentará as consequências."

O chefe de fiscalização da Kalshi, Bobby DeNault, afirmou que a empresa detectou a "atividade de negociação proibida" de Perez e a comunicou à CFTC. Em um comunicado, a agência reconheceu a colaboração da Kalshi na investigação.

“Não importa quem você seja: viole nossas regras ou a lei federal e você enfrentará as consequências”, disse DeNault em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira.

A empresa de previsões também impôs a Perez uma proibição de três anos de atuar no mercado.

A CFTC informou que sua investigação constatou que Perez estava “utilizando material apropriado indevidamente” e “informações não públicas” para lucrar nos chamados mercados de menções, visando seu “próprio benefício financeiro pessoal”.

Nesses mercados, as pessoas apostam em quais palavras figuras importantes dirão em eventos públicos.

Isso incluía mercados sobre o que Trump diria este ano no discurso do Estado da União, no Café da Manhã Nacional de Oração, em uma cerimônia da Medalha de Honra, em vários comícios e em outros discursos, segundo o documento da CFTC.

Perez realizou 49 operações e venceu 39 delas, lucrando mais de US$ 107.000, informou a agência.

A CFTC afirmou que o operador colaborou com a investigação e admitiu, em entrevista voluntária aos investigadores, que “tomava suas decisões de negociação com base nas informações confidenciais que obtinha ao analisar os discursos”.

Multa notavelmente baixa

A ex-comissária da CFTC Christy Goldsmith Romero, indicada pelo presidente Joe Biden, afirmou que a multa baixa aplicada a Perez representou uma oportunidade perdida.

“De modo geral, a CFTC deveria incentivar os réus a cooperar”, disse Romero à CNN. “Mas trata-se de uso de informações privilegiadas no mais alto nível do governo — a Casa Branca. Com essa penalidade branda, a CFTC desperdiçou a oportunidade de enviar uma mensagem contundente para desencorajar futuras práticas desse tipo.”

Michael Selig, presidente da CFTC nomeado por Trump, tem defendido o setor de mercados de previsão, mas também prometeu combater rigorosamente o uso de informações privilegiadas.

Trump já elogiou anteriormente a liderança de Selig na CFTC, afirmando que ele estava “fazendo um ótimo trabalho” ao lutar para manter o governo federal — e não os estados — responsável pela regulamentação do setor de mercados de previsão.

Selig participou de um evento sobre criptomoedas com Trump na Casa Branca na semana passada.

inglês