Explosão no porto de Beirute que matou centenas completa seis anos

Força do estouro foi equivalente a um terremoto de magnitude 3,3 e deixou estragos em um raio de 10 quilômetros

Da CNN Brasil
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A enorme explosão que atingiu o porto de Beirute, capital do Líbano, e deixou centenas de mortos completa seis anos nesta terça-feira (4).

Ao menos 215 pessoas morreram e outras 6.000 ficaram feridas na ocasião. O dano material foi estimado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,6 bilhões.

A força da explosão foi equivalente a um terremoto de magnitude 3,3 e deixou estragos em um raio de 10 quilômetros.

Acredita-se que o estouro tenha sido causado por um incêndio em um armazém no porto, detonando 2.700 toneladas de nitrato de amônio.

Na época, as autoridades libanesas prometeram que uma investigação sobre as causas da explosão seria concluída em cinco dias.

Porém, anos de interferência política dificultaram a investigação, com autoridades judiciais e então ministros apresentando continuamente contestações legais contra os juízes responsáveis ​​pela investigação, paralisando-a na prática.

Barulho ensurdecedor e destruição em Beirute

Uma nuvem de fumaça vermelha pairou sobre a capital libanesa após o barulho ensurdecedor da explosão, enquanto bombeiros corriam para o porto para tentar conter o fogo.

Uma moradora da cidade que estava longe do local do estouro disse que suas janelas foram destruídas pelo ocorrido.

“O que eu senti parecia um terremoto. O apartamento balançou horizontalmente e de repente parecia uma explosão, as janelas e portas se abriram com força. Os vidros se estilhaçaram. Muitas casas foram danificadas ou destruídas”, relatou Rania Marsi à CNN na época.

A explosão no porto de Beirute também atingiu os escritórios do ex-primeiro-ministro Saad Hariri e da sucursal da CNN, na região central.

“Vi uma bola de fogo e fumaça subindo sobre Beirute. As pessoas estavam gritando e correndo, sangrando. Varandas foram arrancadas de edifícios. Os vidros dos arranha-céus quebraram e caíram na rua”, disse uma testemunha à agência Reuters.

Imagens da cidade após a explosão mostraram edifícios e automóveis completamente destruídos, além de todo o tipo de entulho cobrindo o chão.

Os hospitais ficaram lotados de feridos, enquanto equipes da Cruz Vermelha atuavam nas ruas para resgatar sobreviventes.

Segundo o relato de um produtor da CNN em Beirute, a emergência de um dos hospitais da capital apresentava “cena caótica”. Poucas horas após o ocorrido, Ghazi Balkiz afirmou que viu médicos realizando triagens no meio dos corredores diante da quantidade de pessoas que chegavam à unidade.

Produtos químicos no porto

Os produtos químicos extremamente explosivos chegaram ao porto a bordo da embarcação Rhosus, de bandeira moldova, em 2013.

A carga, que é utilizada como matéria-prima na produção de fertilizantes, permaneceu no porto até explodir, em 4 de agosto de 2020.

Segundo a Reuters, o Rhosus havia sido subfretado em 2012 pela empresa de estudos sísmicos Spectrum, que foi adquirida pela organização de serviços geofísicos TGS sete anos depois.

De acordo com a TGS, um levantamento chegou a ser conduzido no Líbano em 2013 por um subcontratado em nome da Spectrum. Sem citar a embarcação, a empresa afirma que as alegações em um processo tentam relacionar as investigações de 2013 e 2020.

Consequências políticas

Seis dias após a explosão, diante de uma onda de protestos e forte crise econômica, o governo libanês anunciou sua renúncia.

“Estamos dando um passo para trás para ficar do lado do povo e lutar com eles a batalha da mudança. Nós queremos abrir a porta perante a salvação nacional para que todos os libaneses participem da criação desse projeto", disse Hassan Diab, então primeiro-ministro, em seu pronunciamento.

"É por isso que eu anuncio hoje a demissão deste gabinete. Que Deus proteja o Líbano”, adicionou.

*com informações da Reuters