Reino Unido: Falha no controle aéreo leva a segundo dia de voos cancelados

Normalização das operações de aeroportos em Londres e no interior levará tempo, com companhias aéreas orientando passageiros a consultar status do voo antes de viajar

Rhea Mogul e Sana Noor Haq, da CNN
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Dezenas de cancelamentos de voos afetaram vários aeroportos do Reino Unido nesta quarta-feira (9), incluindo Heathrow, um dos principais centros de conexão aérea da Europa, após uma falha de várias horas no sistema de controle de tráfego aéreo.

Várias companhias aéreas regionais cancelaram centenas de voos de e para os aeroportos londrinos de Heathrow, Gatwick e Stansted na terça-feira (8). Embora alguns voos tenham sido retomados, muitos passageiros continuaram enfrentando cancelamentos e atrasos nesta quarta-feira.

A NATS (Serviço Nacional de Tráfego Aéreo), responsável pelo controle de tráfego aéreo do Reino Unido, foi criticada pela falha, e seu presidente-executivo foi convocado pelo governo britânico.

Aeroportos de Londres, incluindo Heathrow, Gatwick e Stansted, registraram transtornos, assim como o aeroporto de Manchester. Ao todo, mais de 1.750 voos com chegada ou partida de aeroportos britânicos foram cancelados na terça-feira, segundo a Cirium, empresa de análise do setor aéreo. Nesta quarta-feira, pelo menos 153 voos haviam sido cancelados, informou a empresa.

Heathrow informou na manhã desta quarta-feira que os voos “estão operando”, mas que os transtornos podem continuar enquanto as companhias aéreas “reposicionam aeronaves e tripulações”. Os passageiros foram orientados a consultar suas companhias aéreas antes de viajar. O aeroporto de Gatwick divulgou uma orientação semelhante.

Heathrow foi o sétimo aeroporto mais movimentado do mundo em número de passageiros em 2025, segundo dados do Conselho Internacional de Aeroportos (ACI). Mais de 84 milhões de pessoas passaram pelo local no ano passado.

Esta não é a primeira vez nos últimos anos que uma grande falha afeta passageiros em Heathrow e outros aeroportos britânicos.

Em agosto de 2023, vários aeroportos e companhias aéreas do Reino Unido foram obrigados a cancelar centenas de voos de chegada e partida no último dia do feriado prolongado de verão, após uma grande falha atingir a NATS.

Várias companhias aéreas de baixo custo criticaram a demora da NATS para resolver os transtornos desta semana. A secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, convocou o presidente-executivo da NATS, Martin Rolfe, para uma reunião nesta quarta-feira.

A companhia aérea irlandesa de baixo custo Ryanair informou que 65 mil de seus passageiros foram afetados pelo problema na terça-feira e que mais de 50 voos programados foram cancelados.

A British Airways, companhia aérea de bandeira do Reino Unido, afirmou que “não teve escolha” a não ser cancelar mais de 190 voos, segundo uma publicação da empresa nas redes sociais nesta quarta-feira.

A NATS informou na terça-feira que o problema havia sido corrigido, mas os atrasos nos aeroportos continuaram.

A recuperação do sistema “levou mais tempo do que esperávamos”, afirmou a NATS em comunicado.

“Sabemos que isso é extremamente frustrante e pedimos desculpas sem reservas”, afirmou a empresa, acrescentando que agora opera normalmente e trabalha para eliminar o acúmulo de voos.

“Como tentar sair de Alcatraz”

As redes sociais foram tomadas por passageiros que expressaram frustração e compartilharam fotos de enormes filas nos saguões dos aeroportos.

Um usuário do X classificou a situação como “a experiência mais estressante e decepcionante” que já teve com qualquer meio de transporte. Segundo ele, a British Airways ofereceu uma alternativa de viagem que duraria “24 horas e quatro voos” para uma viagem a Roma que normalmente leva 2h30.

Josie Donoghue ficou presa por três horas dentro de um avião no aeroporto de Gatwick antes que seu voo da Ryanair para a Irlanda fosse cancelado, segundo a agência de notícias Associated Press.

“Passar por aquele aeroporto foi como tentar sair de Alcatraz”, disse ela à agência, em referência à antiga prisão localizada em uma ilha na Baía de São Francisco. “É um pesadelo absoluto lá embaixo. É a única palavra que posso usar para descrever.”

Alguns usuários das redes sociais também elogiaram os funcionários em terra pela ajuda durante a situação caótica.

Os efeitos da falha também foram sentidos em outros países.

A Air India informou, em uma publicação no X, que o problema obrigou a companhia aérea de bandeira da Índia a “desviar, atrasar ou cancelar vários voos programados de e para aeroportos do Reino Unido”.

A Qatar Airways também alertou para atrasos e possíveis mudanças de rota em voos de e para o Reino Unido.

Em comunicado divulgado na terça-feira, o diretor de operações da Ryanair, Neal McMahon, pediu a renúncia de Rolfe, da NATS.

Ao fazer referência ao caos de 2023, McMahon afirmou: “Famílias viajando de férias, pessoas viajando a trabalho e milhares de visitantes no Reino Unido mais uma vez pagaram o preço pelo fracasso vergonhoso da NATS.”

“Um provedor de infraestrutura nacional crítica não deveria paralisar repetidamente o sistema de aviação. A NATS simplesmente não está preparada para cumprir sua função em sua forma atual”, afirmou um porta-voz da Wizz Air, companhia aérea europeia de baixo custo, segundo a Reuters.

Rolfe defendeu a organização. Em entrevista à emissora pública BBC, ele afirmou que os sistemas da NATS são adequados para a finalidade e pediu desculpas pelo problema ocorrido na terça-feira.

“Embora nunca queiramos que essas coisas aconteçam — e peço desculpas sinceramente pelo fato de ter acontecido hoje —, acredito que estamos preparados para cumprir nossa função”, afirmou.

Desde o episódio de 2023, aeroportos britânicos enfrentaram grandes falhas todos os anos.

No ano passado, Heathrow foi fechado após uma “grande queda de energia” provocada por um incêndio de grandes proporções nas proximidades. O fechamento causou um caos no transporte aéreo mundial, afetando os planos de passageiros e milhares de voos. As perdas financeiras decorrentes da interrupção eram estimadas em centenas de milhões de libras.

Em 2024, uma falha global em um software de tecnologia da informação provocou atrasos generalizados e problemas operacionais em aeroportos de todo o mundo, incluindo no Reino Unido.

Esta é uma reportagem em desenvolvimento e será atualizada.

Issy Ronald, Caitlin Danahar, Rob North, Billy Stockwell e Clare Sebastian, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

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