Família de refém do Hamas que "cavou própria cova" pede acordo em Gaza

Irmão de Evyatar David pede pressão de outros países para libertação das pessoas sequestradas pelo grupo armado

Da Reuters
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O vídeo divulgado pelo Hamas do refém israelense Evyatar David em um túnel de Gaza, provocou fortes reações das famílias de reféns em Israel, à medida que aumenta a preocupação com a sobrevivência de seus parentes.

David foi sequestrado por combatentes do Hamas em um festival de música durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Nas imagens divulgadas no sábado (3), ele está muito magro e com cabelo e barba compridos. Ele fala sobre a falta de comida e cava um buraco, que diz ser sua própria cova.

Ilay, irmão de Evyatar, conversou com a agência Reuters, compartilhando preocupação com a saúde dele e afirmando que não há muito tempo restante. Também pediu aos líderes mundiais que pressionem por um acordo para a libertação dos reféns.

Além disso, Ilay enfatizou a crueldade do Hamas em usar os reféns como propaganda e deixá-los passar fome deliberadamente, além de reter alimentos da população de Gaza.

Ainda assim, ele permaneceu esperançoso, incentivando o irmão a não desistir. "Eu o conheço muito bem e sei que ele se manifestará no momento em que voltar", destacou.

Entenda o conflito na Faixa de Gaza

Israel realiza intensos ataques na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, após o Hamas ter lançado um ataque terrorista contra o país.

Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de julho de 2025, o Ministério da Saúde de Gaza informou que pelo menos 58 mil palestinos foram mortos e mais de 138 mil ficaram feridos. Isso inclui mais de 7.200 mortos desde o fim do cessar-fogo em 18 de março deste ano.

O Ministério não distingue entre civis e combatentes do Hamas em sua contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças. Israel afirma que pelo menos 20 mil são combatentes.

A ONU (Organização das Nações Unidas) informou em 11 de julho deste ano que 798 pessoas foram mortas tentando obter alimentos desde o final de maio, quando a GHF (Fundação Humanitária de Gaza), sediada nos EUA, começou a distribuir alimentos.

Dessas mortes, 615 foram registradas perto de locais da GHF e 183 nas rotas de comboios de ajuda humanitária, principalmente da ONU.

O Escritório Central de Estatísticas da Palestina disse em 10 de julho que a população de Gaza havia caído de 2.226.544 em 2023 para 2.129.724. Estima-se que cerca de 100 mil palestinos tenham deixado Gaza desde o início da guerra.

Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de julho de 2025, segundo fontes oficiais israelenses, quase 1.650 israelenses e estrangeiros foram mortos em decorrência do conflito.I

sso inclui 1.200 mortos em 7 de outubro e 446 soldados mortos em Gaza ou ao longo da fronteira com Israel desde o início da operação terrestre em outubro de 2023.

Destes, 37 soldados foram mortos e 197 feridos desde o recrudescimento das hostilidades em março. Estima-se que 50 israelenses e estrangeiros permaneçam reféns em Gaza, incluindo 28 reféns que foram declarados mortos e cujos corpos estão sendo retidos.

Desde 18 de março deste ano, as Forças Armadas israelenses emitiram 54 ordens de deslocamento, abrangendo cerca de 81% da Faixa de Gaza.

O PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU afirmou que isso significou que mais de 700 mil pessoas foram forçadas a se deslocar durante esse período.

Em 9 de julho, 86% da Faixa de Gaza estava dentro de zonas militarizadas israelenses ou sob ordens de deslocamento. Muitas pessoas buscaram refúgio em locais de deslocamento superlotados, abrigos improvisados, prédios e ruas danificados.