Feira de design Global Grad Show mostra soluções de graduandos para futuro verde

Desde robô que planta no deserto até composteira doméstica, exposição de graduandos do Oriente Médio e África foca em tecnologias socioambientais

Tom PageAna de Olivada CNN

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A exposição anual Global Grad Show, em Dubai, nunca tem poucas ideias. Algumas são desconcertantes, mas outras podem mudar o mundo.

O show, que é a exposição mais diversa de diversos projetos de graduação em design, tem como objetivo fornecer soluções a problemas ambientais e sociais com o intercâmbio de ideias e encontro de mentes como parte da programação da feira.

Devido à pandemia de Covid-19, a exibição internacional foi parcialmente virtual neste ano, mas a seção do Oriente Médio e África foi exibida presencialmente como parte da Semana de Design de Dubai.

Assim como em 2020, muitos conceitos faziam referência à pandemia, com algumas ideias associadas ao “novo normal”. À CNN, o diretor do Global Grad Show, Tadeu Caravieri, ressaltou que a exibição desse ano tem “duas ou três tendências” de assunto.

“As pessoas estão extremamente preocupadas sobre saúde e saúde mental”, afirmou. “Elas também se importam sobre como transformar uma casa em um local apto para o trabalho, educação, cuidados com saúde e segurança alimentar”.

Como de costume, temáticas sobre o meio ambiente estavam em alta nos projetos, que também se entrelaçaram com preocupações associadas à pandemia. Dalilah Mansoor e Kaya Tueni, estudantes do Dubai Institute of Design and Innovation, criaram o “Wastology”, uma máquina portátil de compostagem que acelera o crescimento de vegetais e ervas.

“Nós estávamos tentando solucionar o problema do desperdício de comida nos Emirados Árabes Unidos”, disse Tueni. “Esperamos que esse pequeno projeto, implementado a nível doméstico, tenha um grande impacto global”, acrescentou Mansoor.

Mazyar Etehadi, estudante na mesma instituição, também olhou para dentro de casa ao criar o “A’seetbot”, um robô sustentado por energia solar desenhado para semear sementes no deserto. “Eu gostaria que existisse mais plantas, mais verde por aqui”, disse ele.

O A’seedbot tem aproximadamente 20 cm de comprimento e é designado para se recarregar ao longo do dia e trabalhar à noite. Trabalhando de forma autônoma em um raio de 3 quilômetros, suas pernas 3D percorrem a areia em busca dos melhores níveis de umidade (detectada por um dos “olhos” do robô) para plantar uma semente.

Ele também conta com um sistema para evitar colisões, e os humanos são necessários apenas para reabastecer o robô.

“Eu pensei que essa era uma solução simples para apresentar, mas ninguém tinha surgido com ela ainda”, Etehadi disse, acrescentando que ele trabalha em uma versão capaz de percorrer diferentes tipos de areia e que alguns investidores já demonstraram interesse em sua criação.

Enquanto isso, Darya Ercivan decidiu dar um novo passo na lavagem de roupas e criou uma forma de coletar os microplásticos em sua fonte.

O estudante da Middle East Technical University explicou que, geralmente, as roupas contêm microfibras de plástico que são destacadas nas lavagens e podem acabar em rios e oceanos. “Estou tentando resolver este problema antes que ele contamine nossa água”, disse ele.

A solução de Ercivan é o EcoPhil: posicionado na saída da máquina de lavar, ele filtra a água despejada pela máquina, prevenindo que os microplásticos sejam espalhados. Ercipan disse que também há um aplicativo que indica quando é a hora de trocar o filtro do EcoPhil.

Caravieri prevê que as inovações ambientalmente conscientes só aumentarão nos futuros Global Grads Shows. “Acho que as conversas que estão acontecendo agora terão um impacto ainda maior sobre as aplicações nos anos futuros”, disse ele.

Ele também argumenta que a feira é o catalisador perfeito para a mudança.

“A Global Grad Show tem esse poder, ela desperta algo em você”, disse Caravieri. “Você fica primeiro motivado; (então) esperançoso de que as coisas possam mudar mais rápido do que pensávamos”.

“Nenhum outro grupo está tão bem equipado quanto os inovadores acadêmicos para criar mudanças reais e tangíveis”, acrescentou ele.

*Esta matéria foi traduzida. Leia a original, em inglês

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