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    Fenômeno El Niño está de volta, informa agência; entenda os efeitos para o Brasil

    Padrão climático se origina no Oceano Pacífico e pode tornar as águas até 4°C mais quentes do que habitual

    Incêndio em área da floresta amazônica na região de Porto Velho (Rondônia)
    Incêndio em área da floresta amazônica na região de Porto Velho (Rondônia) Foto: Bruno Kelly - 10.set.2019/Reuters

    Gabriel Fernedada CNN

    em São Paulo

    O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos informou, na quinta-feira (8), que o fenômeno climático conhecido como El Niño está de volta.

    Após três anos do padrão climático La Niña, que geralmente reduz um pouco as temperaturas globais, o El Niño retornou oficialmente, e é provável que produza condições climáticas extremas no final deste ano.

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) havia informado em maio que o fenômeno deveria se desenvolver ainda em 2023.

    O que é o El Niño

    O fenômeno El Niño é um padrão climático que se origina no Oceano Pacífico ao longo da Linha do Equador e afeta o clima em todo o mundo.

    A água quente normalmente está confinada no Pacífico ocidental pelos ventos que sopram de leste a oeste, em direção a Indonésia e a Austrália. No entanto, durante o El Niño, os ventos diminuem e podem até inverter a direção, permitindo que a água mais quente se espalhe para o leste, chegando até a América do Sul.

    Os cientistas ainda estão procurando uma resposta sobre por que isso acontece, mas a desaceleração desses ventos pode durar semanas ou até meses.

    Entre muitos padrões climáticos de grande escala que atuam em conjunto para influenciar o clima global, o El Niño pode ocorrer a cada dois a sete anos, em intensidade variável. Durante o fenômeno, as águas do Pacífico oriental podem ser até 4°C mais quentes do que habitual.

    Quais os efeitos para o Brasil?

    A formação do El Niño pode aumentar as temperaturas e provocar estiagem em partes das regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Já no outro extremo, em algumas partes da região Sul, o fenômeno deve causar excesso de chuvas.

    De acordo com o Climatempo, em junho, o Oceano Pacífico equatorial deverá estar com temperaturas acima da média em toda a faixa, principalmente próximo da América do Sul.

    “O El Niño deverá se instalar de fato a partir de julho, e sua influência será notada a partir de agosto, como o aumento das chuvas na região Sul, diminuição no extremo norte e elevação das temperaturas, que tendem a ficar acima da média na metade da região Norte do país a partir de julho”, acrescenta o Climatempo. “Estima-se que seja um El Niño de intensidade moderada neste período”.

    Durante o outono, é comum observar o avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste, que favorece períodos mais secos entre as áreas centrais e parte do Sudeste do País, típicas da estação. Há ainda a formação de frentes frias e de instabilidades mais para o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, e São Paulo, na região Sudeste.

    Ainda segundo o Climatempo, o El Niño costeiro deve impactar no aumento de chuva em parte do Sul do Brasil, entre Santa Catarina e o Paraná, parte de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

    Risco de perda econômica

    Um estudo feito por Cristopher Callahan e Justing Mankin, da Universidade de Dartmouth, e publicado na revista “Science”, examinou os custos gerados à longo prazo pelo El Niño desde seu primeiro registro, apresentando um custo médio de cerca de US$ 3,4 trilhões (aproximadamente R$ 16, 8 trilhões).

    Em 2023, o fenômeno deverá provocar um rombo de US$ 3 trilhões (R$ 14,8 trilhões) na economia global até 2029.

    “Podemos dizer com certeza que sociedades e economias não apenas sofrem um golpe e se recuperam. Nos trópicos e lugares que sofrem os efeitos do El Niño, você obtém uma assinatura persistente durante a qual o crescimento é retardado por pelo menos cinco anos”, disse Cristopher Callahan.