Fila de brasileiros no exterior aguardando repatriação cai para 4.200 pessoas

André Spigariol, da CNN em Brasília e Daniel Mota, da CNN em São Paulo

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Cerca de 4.200 brasileiros ainda aguardam, em 78 países, a possibilidade de retornarem ao Brasil após ficarem ilhados fora do país por conta da pandemia do novo coronavírus. Em uma semana, a fila foi reduzida em 23%. Ao todo, mais de 14.700 pessoas já foram trazidas de volta a solo brasileiro pela assistência consular prestada pelo governo brasileiro.

Os números foram apurados pela CNN com fontes diplomáticas que acompanham a operação de repatriação coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores.

Por região, a situação mais crítica ainda é a Europa, onde 1.506 brasileiros estão aguardando um voo para casa, espalhados por 17 países. No continente asiático e na oceania, 1.160 nacionais estão em 15 países e manifestaram interesse em retornar ao Brasil com o apoio do governo.

Já na América do Sul, onde brasileiros têm sido repatriados de ônibus, são 1.059 cidadãos que procuraram embaixadas e consulados de seis países. Há, ainda. 214 pessoas em 24 países da África, 183 em 14 países do Oriente Médio e outras 153 em 5 nações da América do Norte. 

Amanhã, o Brasil realiza operação de repatriação dos brasileiros retidos no sudeste asiático, por meio de dois voos. Um avião recolherá brasileiros em Hanói (Vietnã) e Bangkok (Tailândia), e os deixará em Medan (Indonésia). Um segundo avião partirá de Bali (Indonésia) com alguns cidadãos, com escala em Medan, onde serão embarcados os demais passageiros. Esta segunda aeronave levará todos de volta ao Brasil.

Também nesta terça-feira parte um voo de Sydney (Austrália) com direção ao aeroporto de Guarulhos (SP). Até o final da semana, o governo espera realizar um voo de Lisboa para o Brasil e outro de Luanda para São Paulo.

Chegam hoje ao Brasil oito ônibus fretados por um grupo de 326 brasileiros de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia). Outros quatro ônibus devem deixar a cidade ainda nesta segunda-feira com direção à fronteira. Também desembarcam no país hoje, em ônibus fretados pelo Consulado do Brasil em Córdoba (Argentina), cerca de 130 cidadãos.

 

Isolados na Jordânia e Palestina não sabem quando retornam ao Brasil

Brasileiros que viajaram à Jordânia e à Palestina, no Oriente Médio, antes da pandemia do novo coronavírus, não estão conseguindo retornar ao país porque os aeroportos e fronteiras da região estão fechados e sem previsão para reabrir. O Ministério das Relações Exteriores informou que há 14 brasileiros na Jordânia e 10 na Palestina que estão isolados, em busca da repatriação.

Segundo o Itamaraty, a situação, especialmente na Jordânia, é excepcional porque o país adotou severas restrições para movimentação e que o fechamento das fronteiras tem limitado as opções disponíveis para repatriação.

A quarentena na Jordânia é controlada pelo exército e as sirenes instaladas para alertar sobre ataques aéreos e ameaça de guerra, agora  são usadas para o toque de recolher da população.

O jogador de vôlei Leonardo Santos de Oliveira, 32 anos, espera uma oportunidade para ser repatriado. Ele chegou à Jordânia no dia 15 de março deste ano para participar de um campeonato, que acabou sendo cancelado por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Quando ainda estávamos na Turquia fomos informados que não haveria campeonato por causa do COVID-19 e chegando aqui na Jordânia, tentamos um voo de volta para o Brasil, mas não tinha nenhum disponível mais. Sem o auxílio do governo e tão um pouco do clube que me trouxe para cá, eu sigo em Fuheis, uma cidade perto de Amã, onde fui abrigado por um projeto missionário, senão nem teria um teto para ficar e nem comida”, contou o atleta.

Uma das únicas opções para os brasileiros no Oriente Medio retornarem ao Brasil seria por meio de um voo partindo da Doha, capital do Catar, distante mais de 2 mil quilômetros da Jordânia. Mas o voo teria que ser fretado e os expatriados teriam que desembolsar o equivalente a R$ 20 mil.

“A excepcionalidade da situação e as dificuldades impostas pelo isolamento imposto pelas autoridades no país desaconselham qualquer previsão, mas o Itamaraty está trabalhando, ininterruptamente, para lograr o retorno de nossos compatriotas”, diz o Itamaraty à CNN.

Sobre os relatos dos brasileiros que dizem que estão passando dificuldades financeiras para se manter no país, o Ministério informou que a Embaixada do Brasil em Amã está acompanhando a situação dos 14 brasileiros retidos na Jordânia.

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