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    Filho de general da ditadura, defensor de rompimento com Vaticano; quem são os eleitos do grupo de Milei ao Congresso

    O movimento de Milei saiu de uma bancada mínima -- apenas três parlamentares -- no Congresso para ter 38 deputados e oito senadores

    Candidato presidencial à Presidência da Argentina Javier Milei, do La Libertad Avanza, fala aos apoiadores durante comício de encerramento em 18 de outubro, em Buenos Aires
    Candidato presidencial à Presidência da Argentina Javier Milei, do La Libertad Avanza, fala aos apoiadores durante comício de encerramento em 18 de outubro, em Buenos Aires Tomas Cuesta/Getty Images

    Daniel Rittner

    Além da ida do oposicionista Javier Milei para o segundo turno das eleições presidenciais na Argentina, os libertários do partido Liberdade Avança conseguiram se transformar em terceira força política na Câmara e no Senado.

    O movimento de Milei saiu de uma bancada mínima — apenas três parlamentares — no Congresso para ter 38 deputados e oito senadores. Ficará atrás, na nova legislatura, do União pela Pátria (de Sergio Massa) e do Juntos pela Mudança (coalizão liderada por Patricia Bullrich).

    Os grupos de Massa e de Bullrich, no entanto, diminuíram sensivelmente de tamanho. Na Câmara, o União pela Pátria caiu de 118 para 108 deputados e o Juntos pela Mudança saiu de 118 para 93 representantes.

    Entre os eleitos do Liberdade Avança há perfis bastante polêmicos: o filho de um repressor da ditadura militar condenado por tortura, a maquiadora de Milei, um economista que propôs romper as relações da Argentina com o Vaticano.

    Eleito pela província de Tucumán (noroeste do país), Ricardo Bussi é filho do general argentino Antonio Bussi. Morto em 2011, ele foi um dos símbolos da repressão na ditadura argentina (1976-1983) e responsável por 30 centros clandestinos de detenção de presos políticos. O general foi condenado por sequestro, tortura e assassinato no regime militar.

    Lilia Lemoine, que assumirá uma cadeira na Câmara pela província de Buenos Aires, é fotógrafa e celebridade no mundo cosplay (pessoas que se fantasiam, com acessórios, representando um personagem). Ela é maquiadora do candidato presidencial que se apresenta como “anarcocapitalista”.

    Lemoine prometeu que apresentará, no começo da nova legislatura, um projeto de lei para permitir a “renúncia da paternidade” pelos homens. “Não é justo que um homem tenha que sustentar economicamente uma criança até os 18 anos quando não quer tê-la”, afirmou a deputada eleita.

    Em uma entrevista, ela explicou como pretende encaminhar sua proposta: a lei estabeleceria que uma mulher, ao saber da gravidez, teria 15 dias para notificar o pai — que “poderia decidir se quer reconhecer o filho ou não”.

    Outro vitorioso nas eleições parlamentares foi o economista Alberto Benegas Lynch, de 83 anos, que propôs o rompimento dos laços diplomáticos entre a Argentina e o Vaticano por causa do “espírito totalitário” do Papa Francisco.

    Lynch defendeu essa ideia no encerramento da campanha de Milei no primeiro turno, um evento que reuniu milhares de pessoas na Movistar Arena, o espaço mais moderno de espetáculos e competições esportivas indoor de Buenos Aires.

    O próprio Milei, em entrevista recente ao jornalista americano Tucker Carlson (ex-âncora da Fox News), criticou o pontífice: “[Ele] tem afinidade por comunistas assassinos. De fato, não os condena e é bastante condescendente também com a ditadura venezuelana. É condescendente com todos da esquerda, ainda que sejam verdadeiros assassinos”.

    O partido Liberdade Avança elegeu ainda nomes como Martín Menem, sobrinho do ex-presidente Carlos Menem, para a Câmara e Juan Carlos Pagotto, advogado defensor de militares condenados por crimes de lesa-humanidade na ditadura, para o Senado.