Fim do cessar-fogo? Entenda como EUA e Irã voltaram a se atacar

Donald Trump planejava novos bombardeios aos iranianos, que posteriormente foi cancelado

Catherine Nicholls, da CNN
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (1º) que cancelou um ataque planejado contra o Irã após, segundo ele, receber um pedido do governo iraniano e de outros países do Oriente Médio para adiar a ofensiva enquanto um acordo é negociado.

O último grande avanço diplomático ocorreu em junho, quando os dois lados assinaram um memorando de entendimento sobre a suspensão dos combates enquanto negociavam um fim definitivo para a guerra. Esse acordo foi rompido após confrontos centrados no Estreito de Ormuz, resultando na retomada do bloqueio americano e em um conflito regional renovado e ampliado.

Entenda como os ataques foram retomados

Em 1º de julho, negociadores dos EUA e do Irã viajam a Doha, no Catar, para negociações indiretas. As delegações fizeram "progressos positivos", afirmou Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar.

Em 7 de julho, o Irã disparou contra três navios mercantes em águas territoriais de Omã, perto do Estreito de Ormuz, segundo um oficial americano. O Comando Central dos EUA afirmou que lançou ataques contra o Irã como "punição".

No dia seguinte, o Irã advertiu que dará uma “resposta esmagadora” aos ataques dos EUA, e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do país afirma ter lançado ataques contra 85 alvos militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Trump criticou o Irã, chamando-o de “pessoas más e doentes” na cúpula da OTAN na Turquia, dizendo que o memorando de entendimento “acabou”. Horas depois, os EUA lançaram mais ataques contra o Irã.

Em 9 de julho, Teerã afirmou que as forças armadas dos EUA atingiram uma ponte ferroviária no norte do Irã. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) diz que os EUA atingiram cerca de 90 alvos militares em mais uma rodada de ataques. Um oficial americano disse à CNN que ambos os países continuavam em negociações técnicas sobre questões nucleares.

No dia 10, Trump afirmou que os EUA concordaram em continuar as negociações com o Irã, mas também que Washington informou Teerã que o cessar-fogo não está mais em vigor. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que Teerã está preparada para uma “defesa total” caso os EUA violem o acordo. O governo Trump impôs novas sanções a Teerã.

Em 11 de julho, o ministro das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de violarem uma cláusula do acordo sobre o programa nuclear iraniano.

No dia seguinte, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após disparar um tiro de advertência contra uma embarcação que tentava cruzar a hidrovia por uma rota não autorizada. Os militares dos EUA lançaram mais ataques contra o Irã e insistem que o estreito permanece aberto.

Em 13 de julho, os ataques dos EUA em todo o Irã continuaram durante a tarde, matando pelo menos duas pessoas, segundo relatos da mídia iraniana. Trump afirmou que iria reinstaurar o bloqueio de navios iranianos no Estreito de Ormuz, e os Estados Unidos conduziram mais ataques no país durante a madrugada.

EUA ameaçaram novos ataques ao Irã

Durante o sábado (1º), duas autoridades americanas a par dos planos do governo revelaram que Donald Trump avaliava lançar uma nova onda de bombardeios contra o Irã durante o final de semana. Na sexta-feira, o presidente americano já havia indicado que estaria disposto a ampliar a campanha militar contra o país.

Os planos foram suspensos ainda no sábado. Trump afirmou que decidiu cancelar o ataque planejado contra o Irã após, segundo ele, receber um pedido do governo iraniano e de outros países do Oriente Médio para adiar a ofensiva enquanto um acordo é negociado.

Veículos de imprensa iranianos reagiram à fala do republicano e negaram que o pedido tenha partido do Irã. Em vez disso, a mídia iraniana alegou que foi Trump quem recuou dos ataques.