Fontes: Trump poderia atrapalhar negociações na COP30

Chances de Trump ir a Belém são vistas como praticamente nulas e ninguém está se "descabelando por isso", dizem fontes do governo

Pedro Teixeira e Priscila Yazbek, da CNN, em Brasília e em Nova York
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Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter enviado uma carta-convite a Donald Trump para participar da COP30 em Belém, diplomatas e membros do governo que organizam o evento ouvidos pela CNN afirmam que talvez seja melhor que o presidente dos Estados Unidos não compareça à cúpula do clima.

Em encontro na Colômbia na sexta-feira (22), com presidentes integrantes do Tratado de Cooperação Amazônica, Lula defendeu que a COP30, a ser realizada no Brasil em novembro, gere resultados e não seja apenas um desfile de discursos.

Um interlocutor que organiza o evento afirmou que há até torcida para que os EUA não participem, sob o argumento de que a presença da delegação americana poderia travar avanços. “Se eles vierem, aí não sai nada mesmo”, disse.

O presidente Lula afirmou na sexta que enviou enviar uma carta com a sua assinatura a Trump para participar da conferência, que será realizada em novembro deste ano. O gesto é visto como uma tentativa de reforçar o peso político do evento, mas nos bastidores a avaliação é de que a participação do republicano é improvável e, para alguns, até indesejada.

O receio é de que, como membro da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a comitiva americana pudesse usar o direito de comitiva para bloquear consensos e travar documentos finais.

Um dos primeiros atos de Donald Trump ao tomar posse, em janeiro deste ano, foi a retirada dos EUA do Acordo de Paris, firmado em 2015 por mais de 190 países em durante a COP21 em Paris.

A visão dentro do governo é de que presença do presidente dos Estados Unidos fortalece qualquer cúpula, mas sendo o atual mandatário Donald Trump, sua participação poderia atrapalhar mais do que ajudar.

Um diplomata avalia que o comparecimento dos Estados Unidos daria legitimidade às decisões da conferência e seu engajamento é essencial para enfrentar a crise climática - o país é o segundo maior emissor de gases poluentes do mundo, só atrás da China. Mas reconhece que no atual contexto, não faz muito sentido imaginar Trump sentado em Belém.

Ele acrescentou que a presença de Trump não é central na preparação da COP30. “Ninguém está arrancando os cabelos com isso. O que preocupa mesmo é a ausência dos EUA das decisões climáticas”, disse.

As chances de o presidente americano participar são vistas como praticamente nulas. Diplomatas afirmam que, para Donald Trump, se trata de uma decisão política e, diante de suas atitudes recentes, não faria sentido algum o republicano ir à COP.

O governo brasileiro já espera, inclusive, uma reação de Trump durante a cúpula, assim como no encontro do Brics no Rio de Janeiro. Na ocasião, Trump disse que iria impor tarifas adicionais aos países do Brics e seus aliados.