Forças de Israel lançam novos ataques ao sul do Líbano

Exército afirma que Hezbollah opera na área e que ofensivas são necessárias; Beirute relatou cinco mortos e oito feridos na segunda-feira (8) em meio à escalada na cidade costeira, que ocorre em meio a cessar-fogo

Charbel Mallo, Nadeen Ebrahim e Sarah Tamimi, da CNN
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O Exército de Israel lançou novos ataques contra a histórica cidade de Tiro, na manhã desta terça-feira (9), e emitiu uma rara ordem de retirada para um bairro cristão da cidade, no sul do Líbano.

O porta-voz militar israelense, Avichay Adraee, enviou um alerta urgente aos moradores de Tiro e arredores, incluindo o bairro cristão, publicando na rede social X que “em vista da violação do acordo de cessar-fogo pelo Hezbollah e de seus ataques contra a população israelense, as Forças de Defesa de Israel (IDF) são obrigadas a agir com força contra eles”.

Ordens de retirada anteriores excluíam o bairro cristão, embora esta seja a segunda vez que as IDF afirmam que o Hezbollah está operando na área e que precisarão atacá-la.

O alerta surgiu no mesmo dia em que a NNA (Agência Nacional de Notícias do Líbano) relatou novos ataques a uma área de habitação social na cidade e informou que as equipes de resgate, que procuravam moradores ainda desaparecidos, recuperaram mais um corpo.

Na segunda-feira (9), as autoridades libanesas informaram que cinco pessoas morreram e outras oito ficaram feridas em um ataque a Tiro.

Os últimos ataques ocorrem apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre os governos de Israel e do Líbano.

O Hezbollah não era signatário do acordo de cessar-fogo e o rejeitou enquanto as forças militares israelenses permanecerem no Líbano.

Israel afirmou que a retirada de Tiro, cidade costeira ao norte da zona ocupada pelas forças israelenses, é necessária devido à violação do acordo de cessar-fogo pelo Hezbollah.

Cessar-fogo com o Irã

Os ataques no sul do Líbano acontecem após Israel e Irã anunciarem uma trégua depois dos recentes ataques que aconteceram entre domingo (7) e segunda-feira (8), após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que parassem imediatamente de atirar.

No entanto, Teerã afirmou que retomaria os ataques caso Israel continuasse a atingir o Hezbollah no Líbano.

A onda de ataques que começou no domingo representou o confronto mais direto entre os países desde o cessar-fogo de abril, ameaçando comprometer os esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerã e encerrar a guerra que já dura mais de três meses.

Israel atacou alvos iranianos depois que Teerã disparou mísseis contra o território israelense no final do domingo (7). Teerã afirmou que seus ataques foram uma retaliação aos ataques israelenses contra redutos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, nos arredores de Beirute.

Um ataque israelense atingiu uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irã, que, segundo o país, era usada para produzir mísseis balísticos. A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) disse que retaliou com um ataque contra uma fábrica israelense semelhante na cidade de Haifa.

Pressão americana

Em uma publicação Trum afirmou, nesta segunda-feira (8), que Israel e Irã desejavam "um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a 'paz' estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem".

Ele acrescentou que o bloqueio americano aos portos iranianos permaneceria em vigor até que um acordo final fosse alcançado.

Um oficial israelense disse que Trump conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda na segunda-feira.

Anteriormente, um oficial militar israelense afirmou que Israel estava preparado para continuar as operações "pelo tempo que for necessário" e confirmou ataques a sistemas de defesa aérea iranianos recém-reconstruídos, além do alvo petroquímico.

Autoridades iranianas adotaram um tom igualmente desafiador. Uma fonte militar citada pela agência de notícias semioficial Tasnim disse que Teerã estava pronta para um conflito prolongado e poderia retomar os ataques contra interesses americanos na região.

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