França se recusa a dizer se prenderia Putin por mandado de prisão internacional

Tribunal de Haia acusa presidente russo do crime de guerra de deportar ilegalmente centenas de crianças da Ucrânia

Da Reuters
Compartilhar matéria

A França se recusou, nesta quinta-feira (28), a dizer se estaria preparada para prender o presidente russo, Vladimir Putin, sob um mandado de prisão internacional emitido pelo Tribunal de Haia.

O posicionamento surge em um momento em que a França está sob pressão sobre sua posição em relação a um mandado semelhante emitido para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão na semana passada para Netanyahu, seu ex-chefe de defesa e um líder militar do Hamas por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito de Gaza.

Todos os estados-membros da União Europeia, incluindo a França, são signatários do tratado de fundação do TPI, mas a França disse, na quarta-feira, que acredita que Netanyahu tem imunidade às ações do TPI, já que Israel não assinou os estatutos do tribunal.

O TPI também emitiu um mandado de prisão contra Putin, acusando-o do crime de guerra de deportar ilegalmente centenas de crianças da Ucrânia, embora a Rússia não seja signatária do tratado de fundação do TPI.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Christophe Lemoine, disse nesta quinta-feira que a posição legal da França era essencialmente a mesma em relação aos mandados de prisão emitidos para Putin e Netanyahu.

"Provavelmente fomos menos precisos ao comentar o caso de Putin em comparação ao atual, mas, de qualquer forma, nossa posição é a mesma", disse Lemoine aos repórteres.

Questionado se isso significava que a França não prenderia Putin se ele pisasse em solo francês, ele disse: "Com relação a Vladimir Putin, todos aqueles que cometeram crimes, não há impunidade. Eles devem ser responsabilizados por seus atos, e sempre dissemos que aplicaremos o direito internacional em todos os seus aspectos."

Mas ele disse que a questão da imunidade, que segundo ele estava consagrada nos estatutos do TPI, era "complexa" e que os Estados às vezes tinham visões diferentes sobre o assunto.