Furacão Lala atinge Havaí com ventos fortes e chuva intensa

Tempestade não deve tocar o solo, mas provoca estragos e cortes generalizados de energia

Dalia Faheid, Dakota Smith e Tyler Ory, da CNN
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O furacão Lala atinge partes do Havaí com fortes ventos e chuva intensa. Após ganhar força, a tempestade passa próximo ao arquipélago, danificando edifícios e deixando dezenas de milhares de pessoas sem energia durante a noite.

Uma pessoa morreu em um acidente de carro relacionado à tempestade, informou o governador do Havaí, Josh Green, em uma atualização em vídeo publicada na noite de sábado. Pelo menos 19 edifícios tiveram seus telhados arrancados, disse ele, e mais de 60 mil clientes estavam sem energia.

Por volta das 17h no horário local (meia noite de domingo pelo horário de Brasília), o Lala se aproximou da Grande Ilha do Havaí, com o olho do furacão passando a cerca de 48 quilômetros de distância. Os ventos chegaram a 129 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC).

Embora não seja esperado que o Lala toque o solo, seus impactos já são sentidos.

Vídeos obtidos pela CNN mostram ruas inundadas pela chuva torrencial na Grande Ilha.

O prefeito do condado do Havaí, Kimo Alameda, disse que foi registrado um número recorde de interdições de estradas e interrupções prolongadas no fornecimento de energia, em uma publicação no Facebook na noite de sábado.

“As condições pioraram a tal ponto que a preocupação com a segurança das equipes responsáveis pelas estradas e pela energia fez com que os funcionários fossem orientados a recuar até que as condições melhorem”, disse ele, pedindo que todos os moradores continuem abrigados.

O alerta de furacão continua em vigor, afirmou.

As regiões sul da Grande Ilha devem ser as mais afetadas pelos ventos com força de furacão, já que a área está mais exposta ao núcleo interno do Lala.

À medida que o Lala avança para o noroeste, sua maior ameaça é a chuva torrencial, que também pode provocar inundações repentinas nas outras ilhas havaianas. O Centro Nacional de Furacões alertou para inundações e deslizamentos de terra potencialmente fatais, especialmente em áreas de terreno íngreme.

A tempestade despejará mais de 30 centímetros de chuva em grande parte da Grande Ilha, com volumes isolados superiores a 60 centímetros. Mais de 30 centímetros de chuva já caíram em Keanakolu nas últimas 24 horas. Em Hilo, 30 centímetros de chuva representariam mais de um mês de precipitação para a cidade.

Também são esperados até 30 centímetros de chuva em partes de Maui, onde estão em vigor alertas de tempestade tropical. Lanai, Molokai, Oahu, Kauai e Kahoolawe também estão sob alerta de tempestade tropical.

As ondas podem atingir mais de 3 metros, especialmente nas costas voltadas para o leste, onde está em vigor um alerta de ondas altas.

A trajetória atual do Lala leva o centro da tempestade ao sul da Grande Ilha, mas seus ventos mais fortes ficam justamente na parte que passa sobre terra firme.

Esses ventos podem derrubar árvores e linhas de energia, um risco agravado pelo solo encharcado, que torna mais fácil a queda das árvores.

À medida que a tempestade passa pelo Havaí, sua circulação próxima ao solo pode oscilar e se deformar ao encontrar o terreno montanhoso dos vulcões Mauna Loa e Mauna Kea. Isso pode deslocar o centro da tempestade para terra firme ou mantê-lo pouco ao largo da costa.

A chegada de furacões ao continente — quando o centro do olho se desloca sobre a terra — ocorreu apenas algumas vezes nas ilhas havaianas nos registros modernos. O último sistema tropical a tocar o solo foi a tempestade tropical Olivia, em 2018, que chegou a Maui, no primeiro landfall registrado na ilha desde o início dos registros, na década de 1950.

O último furacão a tocar o solo ocorreu em 1992, quando o Iniki, de categoria 4, atingiu Kauai, tornando-se a tempestade mais forte a atingir diretamente o estado já registrada. O Lala seria o primeiro furacão registrado a tocar o solo na Grande Ilha.

O Lala também pode provocar uma elevação de 30 centímetros a 90 centímetros no nível da água do mar sobre áreas normalmente secas ao longo de partes da costa da Grande Ilha. Ondas grandes e perigosas já atingiram as costas voltadas para o leste e aumentarão ao longo do fim de semana, provocando ondas potencialmente fatais, correntes de retorno, inundações costeiras e erosão significativa das praias.

Moradores do Havaí se preparam para os impactos do furacão

Em todo o Havaí, moradores foram para abrigos designados e lotaram supermercados para estocar alimentos e outros itens essenciais, enquanto autoridades de vários condados anunciaram fechamentos e se prepararam para uma possível chegada do furacão ao continente.

Em Hilo, supermercados e postos de gasolina ficaram movimentados enquanto as pessoas estocavam itens essenciais, informou a afiliada da CNN Hawaii News Now. O condado do Havaí também está oferecendo sacos de areia aos moradores da ilha. Cerca de 130 pessoas haviam buscado abrigo neste sábado, segundo o prefeito.

“É preciso tomar todas as precauções necessárias, certo? Então, são baterias, preparar seu kit de emergência, informar seus vizinhos, os kupuna (idosos)”, disse o prefeito Alameda mais cedo. “Certifique-se de que todos estejam seguros, porque nossa ilha é grande, temos comunidades pequenas e somos muito conectados.”

A moradora do Havaí Maxine Totty-Hefley disse que vivenciar o primeiro furacão em décadas na ilha é “realmente surreal” e descreveu uma corrida aos supermercados na sexta-feira.

“Ver as pessoas correndo, pegando comida e estocando as coisas. As lanternas acabaram, o papel higiênico estava quase acabando”, disse ela à afiliada da CNN KITV.

Totty-Hefley disse que pretende ir para uma área mais elevada com seus animais de estimação.

“Vamos colocar todos os cachorros, a comida deles e tudo mais no carro e levar para a casa de uma amiga da minha mãe”, disse ela à KITV.

Muitas estradas no condado do Havaí estão fechadas devido a árvores e linhas de energia derrubadas e deslizamentos de terra, segundo o gabinete do prefeito do condado.

“Enquanto as equipes trabalham duro para remover os destroços conforme as condições permitem, precisamos que todos os moradores e visitantes sigam todos os alertas, procurem abrigos seguros e fiquem longe das estradas”, disse Alameda.

Autoridades do condado e a Guarda Nacional também discutiram o posicionamento antecipado de recursos em áreas que foram fortemente atingidas por tempestades no início deste ano, segundo a Hawaii News Now.

Em Oahu, autoridades abriram oito áreas de abrigo para furacões, enquanto instalações públicas, como o Zoológico de Honolulu, foram fechadas.

As autoridades pedem que os moradores tenham cautela com a aproximação do furacão. Em Kauai, autoridades alertaram para possíveis impactos como interrupções no fornecimento de energia e danos à infraestrutura de abastecimento de água.

“As equipes do condado e nossos parceiros de resposta a emergências estão tomando medidas agora para estarem preparados, mas também precisamos que nossa comunidade faça sua parte, protegendo propriedades, verificando os suprimentos de emergência, mantendo-se informada e evitando viagens desnecessárias e atividades ao ar livre à medida que as condições piorarem”, disse o prefeito de Kauai, Derek S.K. Kawakami.

Em Maui,  instalações do condado foram fechadas, eventos foram cancelados e equipes de emergência se prepararam para os impactos.

A tempestade também provocou cortes generalizados de energia em todo o estado.

Tempestades tropicais que se aproximam do Havaí normalmente encontram águas oceânicas mais frias antes de chegar às ilhas, mas o Lala permanecerá sobre águas mais quentes devido a uma onda de calor marinha em curso que se estende até a Califórnia e a um Super El Niño em desenvolvimento.

O El Niño está contribuindo para aumentar o potencial de tempestades no Pacífico central neste ano, com temperaturas oceânicas mais altas e ventos mais fracos nas camadas superiores da atmosfera, que normalmente podem desestruturar as tempestades. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) prevê uma temporada acima da média no Pacífico central, com a expectativa de cinco a 13 ciclones.