Gadi Eisenkot vota em eleições de Israel

Ex-chefe militar propõe ruptura com atual governo sem abrir mão da postura de linha-dura na segurança nacional

Ana Julia Bertolaccini, colaboração para a CNN Brasil*

O Ex-chefe militar Gadi Eisenkot votou para as eleições de Israel na manhã desta terça-feira (27), na cidade litorânea de Herzliya, no norte de Tel Aviv.

Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, passou o restante da manhã visitando outros locais de votação para cumprimentar os eleitores.

“Sugiro não se deixar levar pelas táticas de medo de Netanyahu... Ele faz isso em todas as campanhas eleitorais”, disse Eisenkot do lado de fora do local de votação, após registrar seu voto.

“Estas são eleições cruciais — a vitória não está garantida; este pode ser o momento mais decisivo desde a fundação do Estado”, acrescentou ele. “Convoco todos os israelenses a irem votar e a manterem o compromisso com a missão de substituir o pior governo desde a fundação do Estado.”

O líder veterano apresenta um contraste claro em relação ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Gadi Eisenkot propõe ruptura com atual governo sem abrir mão da postura de linha-dura na segurança nacional. Pesquisas de opinião mostram o partido de Eisenkot, o Yashar, à frente do Likud, de Netanyahu; contudo, dada a fragmentação da política israelense, não há garantia de que qualquer um deles consiga formar o próximo governo.

Seu estilo público rígido também o diferencia de Netanyahu, um político expansivo e combativo que responde a processos por corrupção e que, segundo pesquisas, é amplamente responsabilizado pelas falhas de segurança relacionadas ao ataque de 7 de outubro.

Além de defender a eliminação das capacidades militares do Hamas, Eisenkot sustenta que o próximo governo de Israel deve impedir que o Irã adquira capacidade nuclear militar — seja por meio do uso da força ou de um acordo, como uma solução diplomática apoiada pelos Estados Unidos.

Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.