Gaza: Ao menos 91 palestinos morreram em bombardeios aéreos israelenses

Autoridades de saúde relataram que dezenas de pessoas ficaram feridas em nova ofensiva no território

Nidal Al Mughrabi, da Reuters, Cairo
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Pelo menos 85 palestinos foram mortos e dezenas ficaram feridos em ataques aéreos israelenses em Gaza nesta quinta-feira (20), depois que Israel retomou a campanha de bombardeios e operações terrestres no território, informou um oficial de saúde palestino.

Médicos afirmaram que ataques israelenses tiveram como alvo diversas casas nas áreas norte e sul da Faixa de Gaza. Após pedidos de comentários, militares israelenses declararam que estavam investigando relatórios.

O Exército retomou os ataques aéreos em Gaza na terça-feira (18) e lançaram operações terrestres na quarta-feira (19), efetivamente abandonando um cessar-fogo que estava em vigor desde janeiro.

As Forças Armadas de Israel (FDI) alegaram nesta quinta-feira (20) que estavam engajadas nas últimas 24 horas no que descreveram como uma operação terrestre direcionada para expandir uma zona que separa as metades norte e sul de Gaza, conhecida como corredor Netzarim.

Elas ordenaram que os moradores ficassem longe da estrada Salahuddin, a principal rota norte-sul, e afirmaram que a população deveria viajar ao longo da costa.

O primeiro dia de ataques aéreos retomados na terça-feira matou mais de 400 palestinos, um dos dias mais mortais da guerra.

No total, pelo menos 510 palestinos foram mortos nos últimos três dias, mais da metade deles mulheres e crianças, relatou Khalil Al-Deqran, porta-voz do ministério da saúde do território, à Reuters.

O grupo militante palestino Hamas declarou que a operação terrestre israelense e a incursão no Corredor Netzarim foram uma “nova e perigosa violação” do acordo de cessar-fogo de dois meses.

Em um comunicado, o grupo reafirmou seu comprometimento com a resolução de trégua e pediu aos mediadores que “assumissem suas responsabilidades”.

Acordo de cessar-fogo

Uma primeira fase temporária do cessar-fogo terminou no início deste mês.

O Hamas quer passar para uma segunda etapa prevista, sob a qual Israel seria obrigado a negociar o fim da guerra e a retirada de suas tropas, e os reféns israelenses mantidos em Gaza seriam trocados por prisioneiros palestinos.

O governo israelense ofereceu somente uma extensão temporária da trégua, cortou todos os suprimentos para Gaza e diz que está reiniciando sua campanha militar para forçar o Hamas a libertar os reféns restantes.

Máquinas e tanques

A retomada dos ataques aéreos fez com que moradores palestinos fugissem novamente para salvar suas vidas de suas casas que haviam começado a reabitar entre as ruínas do território devastado.

Alguns palestinos que tentaram usar a estrada Salahuddin contaram que viram veículos sendo atacados por tropas israelenses avançando em direção a Netzarim. O destino dos passageiros era desconhecido.

“Máquinas de demolição protegidas por alguns tanques estavam indo para o oeste, vindos das áreas onde estão estacionados perto da cerca a leste da estrada Salahuddin”, disse um motorista de táxi à Reuters, pedindo para não ser identificado por medo de represálias.

Segundo ele, ficou claro que os israelenses estavam avançando sobre Netzarim quando inspetores egípcios e estrangeiros estacionados lá sob o cessar-fogo se retiraram abruptamente.

Alguns moradores recorreram às mídias sociais para relatar o desaparecimento de alguns parentes, enquanto outros relataram casos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Vista aérea do corredor Netzarim, na Faixa de Gaza, após retirada completa das tropas de Israel • Hasan Eslayeh/Anadolu via Getty Images
Vista aérea do corredor Netzarim, na Faixa de Gaza, após retirada completa das tropas de Israel • Hasan Eslayeh/Anadolu via Getty Images

Falando à Reuters nesta quinta-feira (20), um oficial do Hamas expressou que os mediadores intensificaram os esforços com os dois lados em guerra, mas acrescentou que “nenhum avanço foi feito ainda”.

O grupo palestino ainda não fez ameaças claras de retaliação em resposta à escalada israelense.

Questionado sobre o motivo pelo qual ainda não havia respondido, o oficial do Hamas declarou que estava “dando uma chance para as coisas serem contidas”.

Alguns moradores afirmaram que ainda não havia sinais de preparativos do grupo no local para retomar a luta.

Mas um oficial de um grupo militante aliado ao Hamas disse à Reuters nesta quinta-feira que os combatentes foram colocados em alerta máximo aguardando novas instruções.

“Combatentes e líderes da resistência também foram aconselhados a evitar o uso de celulares como forma de precaução”, explicou o oficial, que pediu para não ser identificado.

A guerra começou depois que militantes do Hamas atacaram comunidades israelenses em 7 de outubro de 2023, matando 1.200 pessoas e fazendo mais de 250 reféns, segundo contagens israelenses.

Mais de 49 mil palestinos foram mortos no conflito que se seguiu, conforme as autoridades de saúde de Gaza, com o território reduzido a escombros.