General da Ucrânia prevê "ponto de virada" iminente na guerra com a Rússia
Brigadeiro-general Andriy Biletsky acredita que tropas russas estão exaustas e que Kiev tem seis meses para retomar iniciativa no campo de batalha

A Ucrânia tem uma janela de seis meses para retomar a iniciativa no campo de batalha da Rússia e fortalecer sua posição para as negociações de paz, afirmou um alto comandante à agência de notícias Reuters, prevendo que um "ponto de virada" é iminente após mais de quatro anos de guerra.
As forças russas têm obtido avanços lentos desde a invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, mas os avanços diminuíram este ano e as tropas ucranianas estão aumentando a pressão no campo de batalha para tentar repelir o avanço russo.
O brigadeiro-general Andriy Biletsky, comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, uma das forças de combate mais respeitadas do país, disse à Reuters em entrevista que acredita que o exército russo está exausto e incapaz de realizar grandes avanços.
Se as forças armadas ucranianas conseguirem ganhar e manter o ímpeto ao longo de vários meses, poderão tomar a iniciativa na linha de frente e forçar a Rússia a abandonar seus planos para a última parte da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, que ainda não ocupa, afirmou.
"Acredito que os próximos seis a nove meses serão um ponto de virada", comentou Biletsky em um local subterrâneo não divulgado na região nordeste de Kharkiv.
"Mais precisamente, acho que os próximos seis meses são os mais críticos", acrescentou.
A questão do controle de Donetsk tem sido um obstáculo nas negociações de paz apoiadas pelos Estados Unidos, que estão paralisadas, com a Rússia reivindicando toda a região e a Ucrânia se recusando a se retirar do território que as tropas de Moscou não conseguiram conquistar.
"Precisamos definir as direções em que podemos melhorar nossas posições, tomar alguns pontos estratégicos e, então, conversar com os russos a partir de uma posição de força – não de fraqueza – sobre uma trégua verdadeiramente estável", disse Biletsky, um líder político de direita que fundou o batalhão Azov, experiente em combate, e agora comanda dezenas de milhares de soldados.
"Do ponto de vista militar, isso é realista."
O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário para esta reportagem.
O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu vitória na Ucrânia e disse este mês que acredita que a guerra está perto do fim.
Meses "críticos" pela frente
Os avanços da Rússia foram complicados pela decisão do bilionário Elon Musk de negar às forças de Moscou o acesso ao seu serviço de internet via satélite Starlink.
Kiev, por sua vez, intensificou os ataques com drones de médio alcance contra as defesas aéreas e a logística russas, permitindo que ataques de longo alcance atinjam instalações petrolíferas e militares na Rússia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou na semana passada que a Ucrânia retomou quase 600 km² de território em 2026.
A Reuters não conseguiu verificar o número de forma independente. Moscou controla atualmente quase um quinto do território ucraniano.
Ao avaliar a situação militar, John Helin, do grupo finlandês de análise de conflitos Black Bird, concordou com o brigadeiro-general Andriy Biletsky, comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, ao afirmar que o cansaço era um problema para as forças russas, enquanto o esforço de guerra da Ucrânia é prejudicado pela escassez de mão de obra.
"Parece que, após quatro ou cinco meses deste ano, é muito mais provável que os russos se esgotem antes que os problemas na Ucrânia cheguem a um ponto crítico", relatou ele à Reuters.
Na segunda-feira (25), o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos EUA, afirmou que as forças de Kiev estavam agora "desafiando ativamente o caráter posicional da guerra" e que em breve poderiam ser capazes de realizar ataques mecanizados limitados.
Tropas russas avançam sobre o leste da Ucrânia
As tropas russas estão avançando sobre o "Cinturão Fortaleza" no leste da Ucrânia, onde os combates se intensificam dentro da cidade estratégica de Kostiantynivka, em sua extremidade sul.
O conjunto de cidades fortemente fortificadas ancora as defesas ucranianas. Capturá-lo colocaria a Rússia em posição de ameaçar o restante do Donbas.
O brigadeiro-general Andriy Biletsky, comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, cujas forças controlam mais de um décimo da linha de frente total, afirmou que suas tropas estavam defendendo firmemente o flanco ao redor de Sloviansk, o bastião norte do cinturão, e forçando a Rússia a atacar a cidade de frente.
Esses ataques caros contribuíram para o esgotamento das forças russas e levaram a perdas pesadas de comandantes de campo, afirmou ele, no que descreveu como uma degradação profissional das forças armadas de Moscou.
"A falta de pessoal não lhes permite mais avançar da mesma forma que faziam, por exemplo, há um ano", comentou Biletsky.
Biletsky afirmou que ainda é cedo para tirar conclusões do recente sucesso de Kiev, mas que a Ucrânia poderia tirar proveito disso, dando continuidade aos ataques de médio alcance e avançando “com cautela”.
Moscou está "perdendo radicalmente" em comunicações no campo de batalha devido à repressão de Musk ao uso do Starlink, pontuou Biletsky.
Mas ele descreveu as duas partes como estando em pé de igualdade no que diz respeito à evolução tecnológica — com a Ucrânia liderando no setor de UGVs (veículos terrestres não tripulados) e drones bombardeiros pesados, e a Rússia ganhando a corrida pelos drones de fibra óptica, que não podem ser bloqueados.
Um potencial modelo para um exército ucraniano modernizado, seu corpo de exército liderou os esforços para transformar o treinamento e integrar novas tecnologias, como UGVs, como parte importante de sua estratégia no campo de batalha.
As unidades de Biletsky estão na vanguarda da implantação de drones kamikaze furtivos e robôs armados com metralhadoras ou lançadores de foguetes para substituir uma parcela significativa da infantaria, com o objetivo de atingir 30% até 2027, afirmou ele.
A próxima "revolução" permitirá que os comandantes realizem operações de assalto combinadas mais "criativas", ao mesmo tempo que conservam tropas preciosas, disse Biletsky.
"Isso acontecerá este ano, e acredito que demonstraremos como nosso corpo de exército é um exemplo vívido disso", concluiu.


