George Santos deve buscar acesso a fundo bilionário de Trump, diz jornal
Segundo o The Washington Post, ex-deputado, filho de brasileiros, pedirá pedido de desculpas ao governo anterior pela alegação de ter sofrido "perseguição seletiva"

Uma reportagem do jornal americano The Washington Post revelou que o ex-deputado dos Estados Unidos, George Santos, de 37 anos, filho de brasileiros, deve solicitar acesso a um novo fundo de indenização do governo do presidente Donald Trump.
O governo Trump criou um fundo de quase US$ 1,8 bilhão para indenizar pessoas que alegam terem sido alvo de injustiças por parte de governos anteriores.
O chamado Fundo Antiarmamento surgiu de um acordo firmado entre o Serviço de Receita Federal (IRS) e Trump, um de seus filhos adultos, e a Organização Trump, em um processo que eles moveram em janeiro devido à divulgação não autorizada das informações fiscais de Trump anos atrás.
Segundo o jornal, George Santos disse na quarta-feira (20) que não busca indenização, mas sim um pedido de desculpas do governo pelo que alegou ser "perseguição seletiva". “Para mim, não é uma questão financeira. Não estou lesionado. Consigo manter minha renda”, declarou ele. “Quero esclarecer os fatos. Acho que esta é uma ótima maneira de fazer isso.”
Trump comutou a sentença do ex-deputado no ano passado, enquanto ele cumpria uma pena de sete anos por acusações de fraude que o levaram a ser expulso do Congresso americano.
“George Santos era um tanto 'bandido', mas há muitos bandidos em todo o país que não são forçados a cumprir sete anos de prisão”, escreveu o presidente na rede Truth Social na época. “George está em confinamento solitário há longos períodos e, segundo todos os relatos, tem sido terrivelmente maltratado. Por isso, acabei de assinar uma Comutação, libertando George Santos da prisão, IMEDIATAMENTE. Boa sorte, George, tenha uma ótima vida”, acrescentou ele.
A comutação de Trump ocorreu em outubro do ano passado, poucos meses depois de Santos, se render em 25 de julho para cumprir 87 meses de prisão.
Em agosto de 2024, o ex-congressista se declarou culpado de acusações de roubo de identidade agravado e fraude eletrônica decorrentes de atividades durante sua campanha de meio de mandato de 2022.
"Lamento profundamente minha conduta", disse Santos no tribunal na época. "Assumo total responsabilidade por minhas ações."
Fundo Antiarmamento de Trump
O fundo de quase US$ 1,8 bilhão foi criado para indenizar pessoas que alegam terem sido alvo de injustiças por parte de governos anteriores.
Anteriormente Trump buscava separadamente mais de US$ 230 milhões como indenização por investigações federais movidas contra ele durante seu primeiro mandato e o governo anterior.
O acordo vincula as supostas irregularidades do governo contra o líder republicano a outras ações tomadas durante o governo Biden que se tornaram motivo de controvérsia entre os conservadores nos últimos anos.
O governo federal emitirá um pedido formal de desculpas a Trump, Eric Trump e à Organização Trump, mas eles estão proibidos de receber qualquer quantia do fundo recém-criado.
O fundo será administrado por uma comissão cujos membros são escolhidos pelo procurador-geral de Trump e que podem ser demitidos pelo presidente a qualquer momento.
Um dos cinco membros será escolhido "em consulta" com o Congresso, embora não esteja claro como será esse aconselhamento e o quão rigorosamente o procurador-geral o seguirá.
O fundo processará as solicitações até o mês anterior ao término do mandato de Trump. Qualquer saldo remanescente será devolvido ao governo federal.
As pessoas que receberem indenização do fundo ainda terão que pagar impostos sobre o dinheiro.
Quem recebe pagamento do fundo fica impedido de apresentar outras queixas contra o governo pela mesma conduta alegada pela qual está sendo compensado.
Para ter direito a receber verbas do fundo, o indivíduo deve apresentar à comissão uma “ação judicial” alegando ter sido alvo de discriminação injusta por parte de administrações anteriores. O documento não especifica o que essa ação deve incluir.
Quem é George Santos
O ex-congressista dos EUA, George Santos, de 37 anos, é filho de brasileiros e nasceu em Nova York.
Ele atraiu controvérsias durante seu tempo no Capitólio por revelações de que ele mentiu sobre informações de seu currículo e biografia. Santos foi condenado a sete anos de prisão por fraude e falsidade ideológica.
Ele foi expulso do Congresso dos Estados Unidos em 2023 por violações éticas.
Em um documento divulgado pela Comissão de Ética da Câmara, foram verificadas "condutas inéditas e ilegais" indicando que ele procurou explorar sua candidatura para lucro pessoal.
O ex-congressista se declarou culpado em agosto de 2024 de duas das 23 acusações criminais, que enfrenta por inflar números de arrecadação de fundos e falsificar nomes de doadores para se qualificar dentro do Partido Republicano para disputar uma cadeira por um distrito de Nova York durante a campanha eleitoral de 2022.
Santos enfrentou uma investigação sobre discrepâncias em seu histórico profissional e educacional, bem como outras reivindicações públicas que ele fez sobre sua biografia.
Em entrevistas à rádio WABC e ao New York Post – as primeiras vezes em que ele falou publicamente sobre a polêmica –, o ex-congressista reconheceu que inventou alguns fatos.
Santos também admitiu que nunca trabalhou diretamente para as empresas financeiras Citigroup e Goldman Sachs, como havia sugerido anteriormente, mas ressaltou que trabalhou para elas por meio de sua companhia, alegando ao New York Post que foi uma “má escolha de palavras” dizer que trabalhava para eles.


