Governo da Síria tenta implementar cessar-fogo, mas combates continuam
Grupos de drusos e beduínos seguem em confronto, apesar de trégua ter sido fechada
Apesar de um cessar-fogo alcançado, conflitos entre drusos e beduínos se intensificaram neste sábado (19) na província de Sweida, no sul da Síria.
Repórteres da agência de notícias Reuters ouviram tiros de metralhadoras e viram morteiros caindo em vilarejos próximos. Não há relatos imediatos de vítimas.
O governo da Síria informou que mobilizou o envio de forças de segurança para região para tentar manter a paz. O presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, pediu a todas as partes que parem com os combates.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de monitoramento sediado no Reino Unido, afirmou que desde a semana passada mais de 940 pessoas já morreram nos confrontos. A Reuters não conseguiu verificar o número de vítimas de forma independente.
O presidente interino Ahmed al-Sharaa disse que a mediação "árabe e americana" ajudou a restaurar a calma, antes da escalada dos confrontos. Ele criticou Israel pelos ataques aéreos realizados durante a semana.
Entenda a crise na Síria que envolve os drusos
A onda de violência na província de Sweida, no sul da Síria, começou em 13 de julho, quando combatentes drusos, minoria árabe, entraram em confronto com beduínos, povos nômades árabes. Os ataques entre os grupos foram desencadeados depois do sequestro de um comerciante druso. A ação levou a uma série de outros atos violentos e mais sequestros. Centenas de pessoas morreram.
O governo da Síria, que assumiu com a queda do ex-presidente Bashar Al Assad em dezembro de 2024, enviou tropas à região para conter a violência. Os drusos, porém, acharam que os militares iriam combatê-los e ajudar os beduínos. Com isso, a situação piorou.
Israel, que tem uma parcela da população formada por drusos, entrou no conflito alegando ser defensor da minoria drusa.
A força aérea israelense bombardeou alvos das forças governamentais sírias, incluindo o prédio do Ministério da Defesa em Damasco.
Israel também afirma que quer que as áreas do sul da Síria, próximas à sua fronteira, permaneçam desmilitarizadas.
Do outro lado, o presidente sírio Ahmed al-Sharaa acusa Israel de tentar semear a divisão entre os sírios.
Com informações da Reuters.


