Governo Trump processa Harvard por supostamente atrasar investigação

Administração federal quer que universidade apresente documentos para determinar se critério de raça foram usados em processo de admissão de maneira ilegal

Jan Wolfe e Susan Heavey, da Reuters
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O governo Trump entrou com uma ação judicial nesta sexta-feira (13) contra a Universidade de Harvard, acusando-a de não cumprir uma investigação federal e solicitando documentos para determinar se a universidade considerou critérios de raça de forma ilegal em seu processo de admissão.

A medida ocorre menos de duas semanas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que seu governo quer US$1 bilhão de Harvard para encerrar as investigações sobre as políticas da instituição.

Um porta-voz de Harvard disse que a universidade está comprometida em cumprir a lei e tem respondido às investigações do governo de boa fé.

"A universidade continuará a se defender contra essas ações retaliatórias, que foram iniciadas simplesmente porque Harvard se recusou a abrir mão de sua independência ou renunciar aos seus direitos constitucionais em resposta à interferência ilegal do governo", disse o porta-voz.

O governo Trump vem ameaçando reter fundos federais de Harvard e de várias outras universidades por questões que incluem protestos pró-palestinos contra a guerra de Israel em Gaza, diversidade no campus e políticas sobre alunos transgêneros.

O Departamento de Justiça disse nesta sexta-feira em um comunicado à imprensa que Harvard "repetidamente retardou o ritmo da produção e se recusou a apresentar dados e documentos pertinentes", incluindo políticas de admissão e correspondência relacionada a programas de diversidade, equidade e inclusão.

Na queixa apresentada no tribunal federal de Boston, o Departamento de Justiça afirma que os documentos solicitados ajudarão a avaliar se Harvard está cumprindo uma decisão de 2023 do Supremo Tribunal dos EUA, que considerou inconstitucionais os programas de admissão em faculdades que levem em conta a raça do candidato.

O Departamento de Justiça afirmou que entrou com a ação "exclusivamente para obrigar Harvard a apresentar documentos relacionados a qualquer consideração de raça na admissão" e que "não acusa Harvard de qualquer conduta discriminatória, nem busca indenização monetária ou a revogação do financiamento federal".

No ano passado, o governo tentou cancelar centenas de bolsas concedidas a pesquisadores de Harvard, alegando que a instituição não tomou medidas suficientes para lidar com o assédio a estudantes judeus em seu campus, o que levou Harvard a entrar com uma ação judicial.

As tentativas de Trump de congelar os fundos federais para Harvard enfrentaram resistência legal e as duas partes não conseguiram chegar a um acordo até o momento.