Governo Trump revogou 85 mil vistos em 2025; mais que o dobro de 2024

Departamento de Estado dos EUA tem intensificado a política de verificação que afeta estudantes e trabalhadores qualificados em meio a restrições migratórias

Jennifer Hansler, da CNN
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou 85 mil vistos de todas as categorias no país desde janeiro, mais que o dobro do número cancelado no ano anterior, segundo um funcionário do Departamento de Estado americano.

O número elevado de revogações, que inclui mais de oito mil vistos estudantis, faz parte de uma iniciativa mais ampla do governo Trump para atingir tanto imigrantes que já estão nos EUA quanto restringir quem pode entrar no país.

O funcionário do departamento afirmou na segunda-feira (8) que infrações como direção sob influência de álcool, agressões e furtos foram responsáveis por "quase metade das revogações no último ano".

Embora não tenham detalhado os motivos da outra metade dos cancelamentos deste ano, o departamento já havia anteriormente citado expiração de vistos e "apoio ao terrorismo" como justificativas para as revogações.

As revogações levantaram preocupações sobre a Primeira Emenda, já que funcionários do governo têm focado especialmente em estudantes internacionais ativos em protestos contra a guerra em Gaza, acusando-os de antissemitismo e de apoio ao terrorismo.

O Departamento de Estado informou em outubro que havia revogado alguns vistos de pessoas que supostamente "celebraram" o assassinato de Charlie Kirk.

Os números mais recentes surgem após um funcionário do Departamento de Estado ter anunciado em agosto que a agência planejava implementar uma política de "verificação contínua" de "todos os mais de 55 milhões de estrangeiros" que possuíam vistos americanos válidos.

"O Departamento de Estado revoga vistos sempre que há indícios de uma potencial inelegibilidade, o que inclui situações como indicadores de permanência além do prazo permitido, atividade criminal, ameaças à segurança pública, envolvimento em qualquer forma de atividade terrorista ou apoio a organizações terroristas",
afirmou o funcionário na ocasião.

"Analisamos todas as informações disponíveis como parte de nossa verificação, incluindo registros policiais ou de imigração, ou qualquer outra informação que venha à tona após a emissão do visto indicando uma potencial inelegibilidade", continuou a fonte.

Aumento de critérios para emissão de vistos

Durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, o Departamento de Estado ampliou significativamente os critérios sob os quais os solicitantes de visto podem ser investigados ou ter seus pedidos negados.

O Departamento de Estado, sob os termos descritos em um comunicado diplomático na semana passada, pode negar vistos para pessoas que trabalharam em áreas como moderação de conteúdo e verificação de fatos como parte de uma "verificação aprimorada" de vistos H1-B para trabalhadores altamente qualificados, segundo a agência de notícias Reuters.

A medida surge após o secretário de Estado Marco Rubio anunciar, em maio, uma política para restringir vistos de cidadãos estrangeiros que "censurem" americanos.

Em junho, o Departamento de Estado orientou suas embaixadas e consulados a investigarem candidatos a vistos estudantis em busca de "atitudes hostis em relação aos nossos cidadãos, cultura, governo, instituições ou princípios fundamentais".

Sob a nova diretriz, os candidatos devem configurar seus perfis em redes sociais como públicos como parte da verificação, e um comunicado diplomático observou que "acesso limitado ou baixa visibilidade da presença online pode ser interpretado como uma tentativa de evadir ou ocultar certas atividades.

Rubio tem defendido vigorosamente as políticas do governo Trump sobre a revogação de vistos estudantis.

Além das políticas de negação e revogação de vistos do Departamento de Estado, o Departamento de Segurança Interna tem realizado campanhas agressivas de detenção e deportação.

O governo praticamente congelou o reassentamento de refugiados e anunciou que irá revisar todos os casos de refugiados que entraram durante a administração Biden.

No início deste ano, o governo restringiu viagens de 19 países para os Estados Unidos.

A CNN informou na semana passada que a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, está recomendando que a lista aumente para entre 30 e 32 países, segundo uma fonte, após um ataque a tiros em Washington, D.C, contra dois membros da Guarda Nacional.

O suspeito do ataque é um cidadão afegão.

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