Governos planejam aumentar em 110% produção de combustíveis fosseis, diz ONU

Brasil é o segundo no ranking de aumento projetado para a produção de petróleo até 2030

Brasil está entre os países com maior projeção de aumento da produção de combustíveis fósseis
Brasil está entre os países com maior projeção de aumento da produção de combustíveis fósseis Marcello Casal jr/Agência Brasil

Elis Barretoda CNN*

No Rio de Janeiro

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Um relatório elaborado pelos principais institutos de pesquisa e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), chamado Lacuna de Produção 2021, concluiu que os quinze principais países do mundo, produtores de combustíveis fosseis, planejam aumentar a produção em cerca de 110% até 2030. Segundo o estudo, esse aumento é mais que o dobro do limite tolerado para não superaquecer o planeta.

Segundo o relatório, considerando o aumento projetado na produção de petróleo para 2030, em relação a 2019, o Brasil é o segundo país no ranking, atrás apenas da Arábia Saudita, e seguido pelos Estados Unidos, em terceiro lugar. Em relação a produção de gás, o Brasil aparece em quinto lugar.

O documento, divulgado nesta quarta-feira (20), afirma que os planos e projeções de produção dos governos desses países levariam a cerca de 240% mais carvão, 57% mais petróleo e 71% mais gás em 2030 do que seria viável. O relatório, que teve sua primeira versão publicada em 2019, constata ainda que nesses dois anos a produção permanece praticamente sem alteração.

O relatório mede a lacuna entre a produção planejada de carvão, petróleo e gás pelos governos e os níveis de produção global consistente com o cumprimento dos limites de temperatura do Acordo de Paris. O Acordo é um compromisso firmado em 2015 entre 195 países com meta na redução da emissão de gases do efeito estufa até 2060.

O estudo fornece ainda perfis dos seguintes países: Austrália, Brasil, Canadá, China, Alemanha, Índia, Indonésia, México, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos. Os dados resumem as ambições climáticas nacionais declaradas (NDCs) de cada país, informações disponíveis sobre pontos de vista do governo, projeções e apoio à produção de combustíveis fósseis, e políticas emergentes para uma gestão e redução da produção.

De acordo com os pesquisadores, o fato dos países focarem somente na redução das emissões de gases de efeito estufa mostra uma incoerência, já que não levam em consideração que os combustíveis fosseis são as principais fontes dessas emissões.

“Esses países anunciaram a meta de redução de emissões de GEE (Gases de efeito estufa) através de seus NDCs e, em alguns casos, estabeleceram meta de emissão zero. No entanto, poucos avaliaram, pelo menos publicamente, se sua produção de combustível fóssil projetada é consistente com os objetivos do Acordo de Paris. Este foco nas emissões por si só ignora seus papéis e responsabilidades na produção da fonte predominante dessas emissões.”, afirmam os pesquisadores.

No mês de abril deste ano, em fala na Cúpula de Líderes sobre o Clima, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) prometeu a neutralidade zero de emissões de gases de efeito estufa até 2050, antecipando em 10 anos as metas estabelecidas no Acordo de Paris.

 

*Sob supervisão de Isabelle Resende

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