‘Nobel’ do meio ambiente criado por príncipe William revela primeiros vencedores

Programa de proteção à floresta na Costa Rica e projeto de recuperações de corais nas Bahamas estão entre ganhadores do prêmio de £ 1 milhão

Príncipe William, em Londres
Príncipe William, em Londres 09/09/2021 Dominic Lipinski/Pool via REUTERS

Hannah RyanMax Fosterda CNN*

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Os vencedores da primeira edição do Prêmio Earthshot, criado pelo príncipe William, incluem a Costa Rica, uma organização indiana que cria combustível a partir de resíduos agrícolas e um grupo de cultivo de corais nas Bahamas.

O prêmio, uma versão do Nobel fundada pelo Duque de Cambridge e pelo renomado naturalista britânico David Attenborough, visa reconhecer soluções inovadoras para os desafios ambientais mais urgentes que o planeta enfrenta atualmente.

Cada um dos cinco vencedores sai com £ 1 milhão (o equivalente a R$ 7,5 milhões) e a promessa de “suporte técnico e profissional” para expandir seus projetos.

A Costa Rica venceu por seu programa que paga cidadãos locais para proteger e restaurar as florestas tropicais e os ecossistemas regionais, o que, de acordo com o comitê do prêmio, já reverteu décadas de desmatamento.

A inovação premiada da organização indiana Takachar é uma tecnologia que se conecta aos tratores e reduz as emissões de fumaça em até 98%, ao mesmo tempo em que converte os resíduos em novos produtos.

O projeto Coral Vita, das Bahamas, venceu por seu método que acelera a regeneração de corais, cultivando-os primeiro em terra e depois replantando em recifes esgotados.

Toda a cidade de Milão foi reconhecida pelo modelo de “centros alimentares”, que visa reduzir o desperdício distribuindo aos necessitados alimentos que seriam jogados fora por restaurantes e supermercados.

Por fim, um grupo tailandês, alemão e italiano ganhou por seu eletrolisador AEM, uma tecnologia que transforma eletricidade renovável em gás hidrogênio livre de emissões.

Cerimônia de gala

Os vencedores foram anunciados neste domingo (17) em uma cerimônia de premiação de gala no Alexandra Palace de Londres – no que o Kensington Palace chamou de “o evento mais sustentável do gênero”.

“Vivemos em um momento chave da história da humanidade – as ações que escolhermos tomar ou não nos próximos 10 anos determinarão o destino do planeta pelos próximos mil anos”, disse William em um curta-metragem gravado para a cerimônia de premiação.

“Uma década não parece muito, mas a humanidade tem um histórico incrível de ser capaz de resolver o que não tem solução.”

Herdeiro do trono britânico e ambientalista de longa data, o príncipe Charles disse estar “orgulhoso” do filho, em um comunicado do Palácio de Kensington.

“Estou muito orgulhoso de meu filho, William, por seu compromisso crescente com o meio ambiente e a ambição ousada do Prêmio Earthshot. Precisamos nos unir para inspirar, imaginar e construir o futuro sustentável de que tanto precisamos” disse Charles.

Attenborough falou na cerimônia sobre a importância do prêmio e sua confiança na capacidade da humanidade em atacar os problemas ambientais mais urgentes da atualidade. O naturalista elogiou os 15 finalistas do Earthshot por darem esperança ao mundo.

“O mundo natural, de que dependemos inteiramente, está declinando a uma taxa mais rápida do que em qualquer outro momento desde o fim dos dinossauros. Nós sabemos para onde essa história vai e agora devemos escrever um final diferente para ela”, disse.

“Foi para isso que o prêmio Earthshot foi criado. Os 15 finalistas do Earthshot esta noite nos trouxeram otimismo ao encontrar soluções inovadoras e brilhantes para os desafios do mundo, e eles nos dão esperança.”

No início desta semana, o príncipe William criticou a corrida espacial bilionária, argumentando que as maiores mentes do mundo deveriam estar mais focadas em tentar reparar o planeta em vez de viajar para o espaço.

Não foi a única crítica real recente sobre a falta de ação em relação à crise climática global. Na quinta-feira, a rainha Elizabeth II foi ouvida dizendo que acha “irritante quando eles falam, mas não agem”, enquanto discutia a próxima conferência climática COP26.

*Com reportagem adicional de Lauren Said-Moorhouse

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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