Greve geral em Portugal afeta voos entre Brasil e Lisboa

Interrupção foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, em resposta a uma proposta de reforma trabalhista enviada ao Parlamento português no mês de maio

Lucas Teixeira, da CNN Brasil
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A greve geral convocada para esta terça-feira (2) em Portugal provocou alterações nas operações aéreas do país e afetou voos que ligam Lisboa ao Brasil.

O Aeroporto de Lisboa orientou os passageiros a verificarem o status de seus voos junto às companhias aéreas antes de se deslocarem ao terminal devido aos impactos da paralisação.

Empresas aéreas afetadas

A TAP Air Portugal informou que irá operar apenas 79 voos no âmbito dos serviços mínimos definidos para o período da greve. Segundo a companhia, todas as demais operações previstas para o dia serão suspensas.

A empresa afirmou que está entrando em contato com os passageiros afetados para oferecer alternativas de viagem e destacou que trabalha para minimizar os transtornos causados pela paralisação.

Segundo a Latam, dois voos no Aeroporto de Guarulhos foram cancelados nesta terça (2) e outros dois de volta na quarta-feira (3). A companhia anunciou medidas de flexibilização para clientes com voos de, para ou via Lisboa.

Os passageiros poderão remarcar suas viagens sem cobrança de multa, dentro das condições estabelecidas pela companhia, ou solicitar reembolso conforme as regras tarifárias da passagem adquirida.

Já a Azul Linhas Aéreas informou o cancelamento dos voos AD8750 e AD8900, entre Campinas e Lisboa, programados para terça-feira (2), além dos voos de retorno AD8751 e AD8901, entre a capital portuguesa e Viracopos, previstos para quarta-feira (3).

Em nota, a empresa afirmou que os clientes impactados estão sendo comunicados e ressaltou que a situação é alheia à sua vontade. Além disso, no Aeroporto de Fortaleza também houve o cancelamento de um voo na terça (2) e outro na quarta (3) — Voo TP0036 FOR/LIS.

Motivações da greve

A greve foi convocada pela CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), uma das principais centrais sindicais do país, em protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada ao Parlamento no último mês.

A CGTP cita o aumento do custo de vida, com elevação dos preços da alimentação, energia e habitação, além dos impactos econômicos decorrentes das tensões no Oriente Médio, como fatores que motivaram a mobilização.

A entidade critica ainda o chamado "Pacote Laboral" defendido pelo governo português, argumentando que as medidas favorecem grupos econômicos e ampliam a exploração dos trabalhadores.

Até o momento, as autoridades portuguesas mantêm a previsão de realização da greve nesta terça-feira, enquanto companhias aéreas e operadores aeroportuários adotam medidas para reduzir os impactos aos passageiros.

Posicionamento do governo português

No último mês, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o país precisa flexibilizar parte de sua legislação trabalhista para aumentar a competitividade da economia e atrair mais investimentos.

Entre as medidas defendidas pelo governo estão a flexibilização de limites para terceirização e a ampliação de mecanismos de banco de horas, permitindo que funcionários acumulem horas extras para compensação futura com folgas ou remuneração adicional.

Segundo Montenegro, o objetivo não é retirar direitos dos trabalhadores, mas tornar a economia portuguesa mais atrativa em um cenário internacional de instabilidade.

"Não queremos retirar os direitos dos trabalhadores, mas Portugal é uma economia que, neste momento de instabilidade externa, tem tudo o que precisa para ser uma referência de estabilidade e para atrair mais investimentos", afirmou o premiê durante uma conferência empresarial realizada em Braga.

O governo argumenta que as mudanças podem impulsionar o crescimento econômico e ampliar os investimentos no país.

(Com informações da Reuters)